psicologia

PERSONALIDADE

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I. A PERSONALIDADE

O conceito de personalidade é um conceito central da psicologia, enquanto ciência do comportamento. Em Psicopedagogia ou Psicologia da Educação, a personalidade constitui um factor fundamental naquilo que é o processo de ensino e aprendizagem, uma vez que esta ciência (a psicopedagogia) procura contribuir para a compreensão e melhoria do processo de educação e do ensino, oscilando entre posturas mais centradas nos processos psicológicos e nos comportamentos educativos.
A palavra personalidade vem do latim persona, que na antiguidade greco-romana significava máscara usada no palco pelos actores de teatro.
Segundo Cloniger citado por PESSANHA (2012: 208), a personalidade pode ser definida como o conjunto das causas subjacentes do comportamento e da experiencia individual que existem dentro da pessoa.
A personalidade refere-se ao papel de comportamentos, modos de pensar e de sentir que permite distinguir uma pessoa da outra e que apresenta uma certa estabilidade ao longo do tempo. (AMÂNCIO 2001: 273).
Para MONTEIRO e SANTOS (2001), a personalidade diz respeito à forma como o indivíduo pensa, sente, se comporta e se relaciona, reportando-se a forma como vai interagindo, representando e significando as suas experiências com a vida. A personalidade torna o indivíduo único e, o mesmo tempo, permite a sua diferenciação face aos outros; permite que o indivíduo se reconheça e seja reconhecido, sendo ele mesmo no desempenho dos diferentes papéis sociais.
Assim sendo, a personalidade e, pois, um conceito integrador da acção humana, que se define e redefine na interacção constante entre a realidade interna do sujeito e as suas circunstâncias de vida. Apesar de suportar-se nas noções de coerência interna e de estabilidade, desenvolve-se desde o nascimento até à more, no confronto com as diversas tarefas do desenvolvimento. A personalidade caminha, desejavelmente, no sentido de uma crescente maturidade que caracteriza o indivíduo adulto e as suas formas relacionais, em que se salientam aspectos como a autonomia, a capacidade de comunicação interpessoal, a expressão das ideias e dos afectos e a construção de projectos da vida. PESSANHA (2012: 208).
A personalidade forma-se na conjugação dinâmica de diferentes componentes que interagem na experiencia do passado e do presente: elementos hereditários e congénitos, as experiências de relação precoce e o progressivo alargamento aos contextos familiares, social e escolar e, ainda, com a influência menos directa, mas também importante, de toda a conjuntura sócio cultural e política mais alargada. (ibid.).

II. FACTORES GERAIS QUE INFLUENCIAM A PERSONALIDADE

O debate acerca dos factores que influencia m a personalidade, desde o nascimento da psicologia como ciência, centrou-se nas influências de factores biológicos e hereditários, por um lado, e por outro, na importância das experiências de relação e de aprendizagem.
Monteiro e Santos, citado por Pessanha (2012), salientam fundamentalmente três ordens de factores: os hereditários, os de meio social e as experiências pessoais, sendo que a personalidade é produto da sua organização dinâmica. As influências destes factores são diferente nos indivíduos e nas diversas fases do ciclo da vida. O património genético do indivíduo define-se na sua singularidade fisiológica e morfológica.
As primeiras teorias d personalidade, designadamente as teorias dos tipos, enfatizam o papel dos factores biológicos e da componente hereditariedade na estrutura da personalidade, subestimando o papel do e das experiencias pessoais.
Dias Cordeiro (2002), numa abordagem preventiva sobre a saúde mental propõe (…) factores de suporte ou de equilíbrio para que se mantenha de ponto de vista psicológico. Estas condições são de natureza física-biológica, psicossocial e sociocultural e, que, o desenvolvimento saudável da personalidade exige um equilíbrio qualitativo entre elas.
1. Factores biológicos de equilíbrio – incluem o equipamento genético, a reactividade do sistema nervoso vegetativo e os mecanismos bioquímicos. Relacionam-se ainda com as condições de higiene antes e depois do nascimento, com os traumatismos e com as condições de nutrição, habitação, estimulação sensorial e física.
2. Factores psicossociais – visam a estimulação do desenvolvimento cognitivo afectivo, através da interacção pessoal ao nível do grupo familiar, do grupo de pares e de pessoas mais velhas. Manifestam-se essencialmente em três áreas: a área de satisfação e trocas afectivas; a área da vontade, ou seja a necessidade de limites e controlo que permite o equilíbrio entre o prazer e o desprazer, entre a satisfação e a frustração; e o domínio da participação em actividades conjuntas ao nível da comunicação.
3. Os factores socioculturais – dizem essencialmente respeito à estabilidade social (a insegurança e a instabilidade são factores de risco), à espectativa por parte dos outros em relação ao comportamento do indivíduo e aos valores da sociedade que irão, em larga medida, fixar o seu lugar, o seu valor e a sua vida na estrutura social. Assim, se uma pessoa pertence a uma minoria ou vive numa sociedade instável pode ver a sua oportunidade de evolução bloqueada e ter a sua saúde mental em risco. (Dias Cordeiro 2002)
Para concluir, a formação e o desenvolvimento da personalidade depende do equilíbrio dinâmico entre os factores hereditários, os do meio social e os factores relativos às experiencias pessoais. A concepção de uma personalidade saudável pressupõe a capacidade de adaptação às solicitações que surgem nas relações intra e interpessoais, isto é, nas relações que o individuo estabelece consigo mesmo e com os outros, e do contexto socioeconómico e cultural em que se encontra.

III. TEORIAS DA PERSONALIDADE

A teoria psicanalítica de Freud

A psicanálise é um método terapêutico das perturbações da personalidade e um corpo teórico explicativo da estrutura psíquico, da vida mental e afectiva. Esta teoria centra a explicação do comportamento em factores energéticos inatos e internos a própria pessoa, apresentando assim uma perspectiva intrapsíquica. A personalidade é orientada por forças pulsionais de origem inconsciente e marcadas pelas experiencias relacionais com as pessoas, significativas sobre tudo durante a infância. A experiencia clinica de Freud fê-lo valorizar os primeiros anos de vida na organização da personalidade e compreender o acesso ao mundo inconsciente das pulsões, dos desejos e dos conteúdos reprimidos, que explicam as perturbações neuróticas.
A formação da personalidade é, na perspectiva de Freud, marcada pelo desenvolvimento psicossexual ao longo das fases oral, anal, fálica e genital . Cada estádio constitui um patamar estrutural do psiquismo e do carácter do individuo, decorrente da estimulação da zona erógena em causa e da forma relacional particular que a criança estabelece com outro. Entra também em jogo a identificação que, na teoria psicanalítica, é um processo central na formação da personalidade, através do qual:
O sujeito se constitui e se transforma, assimilando ou apropriando-se, em momentos-chave da sua evolução, dos aspectos, atributos ou traços dos seres humanos que o rodeiam.
A abordagem psicanalítica de Freud procura compreender a organização e o desenvolvimento da personalidade, segundo uma dinâmica interna entre a vida pulsional e as exigências de adaptação ao mundo exterior, marcada pelas relações que, desde a primeira infância, o individuo estabelece com os outros.
Os aspectos da personalidade como a dependência, a baixa tolerância a frustração e a angústia de separação e de abandono, remetem para uma fixação ou para uma regressão a momentos mas precoces do desenvolvimento. Nesta fase, a relação com a figura materna (ou seu substituto) é determinante e organiza condições fundamentais para formação da personalidade, como a autoconfiança, a auto-estima e a capacidade de estar só.
Em conclusão, a personalidade forma-se e desenvolve-se a partir de disposições inatas do individuo, das relações e identificações as pessoas significativas, da forma como o ego gere os conflitos intrapsíquico e dos mecanismos de defesa que se desenvolve e privilegia.

A Teoria Psicossocial de Erikson

Erikson (1902 – 1994), era um psicanalista e a sua abordagem sobre o desenvolvimento da personalidade, entendida por conceito de identidade, é representada por três fases. Erikson começou os seus trabalhos como clínico durante a II Guerra Mundial, ocasião em que utilizou pela primeira vez a expressão Crise da Identidade. Tal expressão surge a partir de observação de pacientes que tinha perdido a noção de Identidade Pessoal e em grande parte o controlo sobre si mesmo.
Erikosn defende que a identidade começa a construir-se desde o nacimento e vai evoluindo até à morte, numa interacção recíproca entre o indivíduo e o ambiente imediato e as influências históricas e culturais. No entanto, a adolescência constitui um momento crucial, em que se verificam importantes modificações, tanto na personalidade do adolescente como na expectativa da sociedade. (PESSANHA, 2012: 217).
Segundo Erikson citado pro Pessanha, (2012), uma personalidade saudável é concebida pela capacidade do indivíduo dominar activamente o seu meio, pela posse de uma certa unidade de personalidade e pela capacidade de perceber correctamente o mundo e a si próprio. O desenvolvimento da personalidade depende muito da interacção com o meio.

Cada estatuto da identidade representa estilo diferente de lidar com as tarefas psicossociais:

1. Difusão da identidade
• O indivíduo não realiza qualquer investimento activo ou exploração. Se as questões foram levantadas, foram também abandonadas pela incapacidade de se resolver.
• Mostra padrões emocionais que vão desde a passividade e apatia à agressividade não focalizada.
• A resposta às pressões externas surge pela aceitação ou rejeição das normas sociais convencionais, sem apresentar formas alternativas.
2. Identidade outorgada
• Os indivíduos não passaram nem estão a passar por um período de exploração.
• Os investimentos são normalmente o reflexo de escolhas e projecto de outras figuras significativas ou de autoridade.
• A procura de alternativas é rejeitada, pois cria um conflito com as figuras de identificação e o indivíduo escolhe a segurança do não confronto.
• A sua identidade é como que outorgada pelas pessoas significativas.
• São indivíduos descritos como imperturbáveis, dogmáticos, autoritários e rígidos em relação às suas atitudes e intolerantes face às posições dos outros.
3. Moratória
• Os indivíduos estão a vivenciar um período de exploração de alternativas para tomar decisões.
• São descritos como sensíveis, ansiosos, flexíveis, vacilantes e emocionalmente instáveis.
• Respondem alternadamente com optimismo e pessimismo; evidenciam frustração e incerteza, manifestando grande necessidade de ultrapassar a situação moratória.
4. Identidade pessoal construída
• Os indivíduos passam por um período de exploração e realizam investimentos relativamente firmes.
• A identidade pessoal foi construída e reflecte sentimentos de confiança, estabilidade, optimismo em relação ao futuro e consciência das dificuldades de implementação dos elementos de identidade escolhidos.
Os estudos da identidade referem-se quer ao resultado na definição de si próprio, quer aos processos seguidos pelos sujeitos face a essa tarefa. Dizem, portanto, respeito ao modo de funcionar do Eu.
Uma identidade difusa organiza-se num indivíduo que não explora nem investe, permanecendo numa situação difusa face à sua existência; a identidade outorgada resulta da dificuldade em realizar um questionamento crítico dos projectos que lhe são atribuídos pelos outros e um trabalho de criação de projectos pessoais; permanecer na moratória consiste em questionar e explorar várias hipóteses para si mas sem nunca realizar uma escolha e um verdadeiro investimento; finamente, com uma identidade construída, o sujeito investe em projectos de permanente construção e de uma profunda capacidade para tomar decisões. As escolhas são acompanhadas por compromisso, isto é o indivíduo empenha-se em utilizar todos os seus recursos psicológicos no sentido de estimular os objectivos pretendidos.

A Teoria da aprendizagem social de Albert Bandura

Bandura (1925 – 1998) apresentou uma análise teórica da personalidade dentro da tradição das teorias da aprendizagem. Focou, particularmente, as variáveis cognitivas, considerando que a capacidade humana de pensar é central para a construção da personalidade.
Bandura, na sua teoria sobre a aprendizagem social, postula duas aprendizagens, a aprendizagem por observação e a modelagem, sendo a primeira resultante da interacção e da imitação social e a segunda resultante através de um modelo que serve de inspiração para a criança.
A teoria da aprendizagem social reconhece, na formação da personalidade, a importância do contexto social e das variáveis de natureza pessoal, como as espectativas, os valores, as competências, as aptidões, os hábitos culturais, etc..
Bandura defende a existência de um determinismo recíproco entre o ambiente, o comportamento e os factores pessoais (cognitivos, emocionais, etc.). Afirma que os comportamentos dependiam dos ambientes e das condições pessoais. Estas, por sua vez, dependiam dos próprios comportamentos e dos contextos ambientais, que se viam afectados pelos outros dois factores. A influência de cada factor era relativa, variando em função do indivíduo e da situação.
Bandura estabelece alguns factores pessoais que mais contribuíam para a auto-regulação do comportamento, sugerindo que a conduta humana era marcada pela intencionalidade e pelo reflexo:
1. Capacidade de representação simbólica (organização interna dos acontecimentos e sua relações em termo de representações abstractas);
2. Capacidade de previsão (capacidade de interpretar as situações e de agir em função do se julga que vai acontecer);
3. Capacidade vicariante (capacidade de aprender através da observação e da modelagem);
4. Capacidade de auto-regulação (capacidade para regular a conduta através do auto-reforço e da auto-avaliação);
5. Capacidade de auto-reflexão (diz respeito ao pensamento e a regulação cognitiva da acção).
Bandura considera que as pessoas têm um controlo significativo sobre o próprio comportamento, mas variam quanto à eficiência com que exercem esse controlo; umas exploram ao máximo o seu potencial, procurando circunstâncias de realização e de êxito, quanto outras realizam acções que dificultam o próprio sucesso. (PESSANHA: 2010).
Um conceito importante na teoria de Bandura é o sentimento de auto-eficácia; este sentimento pode ser diferente para domínios particulares do comportamento. Uma pessoa pode ter um sentimento de auto-eficácia elevada para um comportamento e baixa para outro.
O sentimento de auto-eficácia regula o comportamento do indivíduo, pois tem um papel importante na escolha das tarefas e nos esforço persistência na sua realização: determina se o comportamento será iniciado ou não, a quantidade de esforço despendido e permite prever a persistência d indivíduo face aos obstáculos e circunstâncias adversas.
Para terminar, Bandura afirma que a personalidade não é inata nem apenas determinada pelo meio, mas resulta do jogo de interacções e influências reciprocas entre o ambiente, o comportamento e os factores pessoais.

IV. A PERSPECTIVA HUMANISTA

A perspectiva humanista nas teorias da personalidade representa, segundo Maslow (1968, citado por Cloninger, 2003) , a terceira força determinada em lutar contra as disposições deterministas e segmentadas da Psicanálise e do comportamento.
O movimento humanista começou com um grupo informal de psicólogos, liderados por Abraham Maslow, fundador da Associação de Psicologia Humanista, em 1961. Entre os seus primeiros membros constam Carl Rogers e Hewnry Murray, autores cujas perspectivas serão abordadas de seguida.
Os princípios gerais da psicologia humanista, que de seguida se listam, decorrem do seu compromisso com a valorização do crescimento pessoal:
1. Salientam que cada pessoa é responsável pelo que ocorre na sua vida. Recusam a ideia de que as condições passadas determinam o presente.
2. Enfatizam o presente em detrimento do passado e do futuro.
3. Defendem os aspectos mais desenvolvidos e saudáveis da experiência humana, nomeadamente a criatividade e a tolerância, e do seu fomento.
4. Valorizam a experiencias subjectiva do sujeito. Por isso, esta perpectiva é, por vezes, denominada de fenomenológica.
5. Procuram mobilizar as suas descobertas para melhorar a condição humana.
O ser humano é, segundo esta perspectiva, considerado intrinsecamente bom, único e capaz de desenvolver as suas potencialidades.

A teoria centrada na pessoa de

Carl Rogers (1902-1987) foi uma das principais vozes do movimento humanista no domínio da psicologia. Ele acreditava que o ser humano, naturalmente bom, essencialmente motivado por um processo voltado para o crescimento que designava tendência para a realização.
Ao contrário do que defendia a psicanálise ele acreditava que o nosso comportamento numerosamente racional, avançando com uma complexidade subtil e ordenada rumo aos objectivos que o organismo esta empenhado em alcançar ( Rogers 1983 citado por Cloninger 2003: 461). Ou seja, os seres humanos são autónomos e capazes de se desenvolverem, de se afirmarem, de se diferenciarem, de se autodirigirem, de se responsabilizarem e de desfrutarem de um sentencial de crescimento pessoal e de uma orientação positiva.
Perspectivando a personalidade como sendo positiva, racional e realista, o autor concebeu uma teoria da personalidade assente numa racionalidade centrada na pessoa no seu potencial de crescimento.
Descreveu as características da pessoa com saúde mental, que ele designava de pessoa em pleno funcionamento esta pessoa:
1. Está aberta à experiencia receptiva aos acontecimentos subjectivos e objectivos da vida.
2. Revela uma tendência progressiva para viver cada momento com plenitude.
3. Tem confiança organísmica, isto é, confiança na experiencia interna para orientar a sua conduta.
4. Vivencia continuamente a liberdade de escolha.
5. Vive criativamente, isto é, não esta presta a padrões rígidos não adaptativos, mas encontra novas formas de viver de acordo com as situações e os momentos.
Uma pessoa em pleno funcionamento é capaz de se conhecer de se acreditar e de se transformar o que lhe permite resolver os problemas, avaliar-se a si próprio e as situações e orientar racionalmente a sua vida.
Baseando-se na sua experiencia clinica Rogers advogou três condições essências para o processo e o sucesso terapêutico:
1. Aceitação incondicional. A maioria das pessoas vivem contextos onde são impostas condições e aceites apenas determinados comportamentos, isto é, vivem contextos em que existe numa consideração positiva condicional. Na terapia pelo contrário aceitação e valorização da pessoa devem ser incondicionais. Esta atitude interpessoal, ao eliminar ameaça ao comportamento congruente promove a tendência para auto realização.
2. Genuinidade. É fundamentalmente que a terapia haja com congruência na interacção, isto é, deve ser autêntico. A congruência é contagiosa.
3. Empatia. O terapeuta deve ser capaz de compreender a experiencia do outro. Havendo empatia, o terapeuta compreende a situação do cliente, de modo que ele próprio é capaz de verbalizar sentimentos que a pessoa não for capaz de expressar. Sentimentos não reconhecidos ou escondidos podem, então, ser simbolizados.
Rogers defendia que sempre que é criado um clima terapêutico em que estas três condições estão presentes, pode se observar um resultado terapêutico positivo.

A teoria da auto-realização de Abraham Maslow

Maslow (1908-1970) censurava a psicologia pela sua concepção pessimista, negativista e limitada do ser humano ( in Hall et al., 2000). N sua perspectiva a psicologia detivera-se mais nas fragilidade do que na potencialidades humanas pretendendo, então, suprir estas lacunas, Maslow procurou investigar, pela positiva, as sua pessoas que se distinguiram pela auto-realização, em vez de estudar aquelas que não são preenchiam os seus requisitos.
Para este autor, é a hierarquia das necessidades- conhecida por pirâmide de Maslow- que esta na base da sua teoria da personalidade.
Maslow propôs, então, cinco níveis numa hierarquia de necessidades:
1. A fisiológica.
2. Segurança.
3. Amor e pertença.
4. Estima.
5. Auto-realização.
Cada necessidade deve ser minimamente satisfeita para que o individuo possa mover-se em direcção a uma necessidade superior.
Maslow observou e entrevistou amigos, colegas e estudantes universitários e analizou biografias de figuras proeminentes, como Abraham Lincoln e Albert Einstein, que considerava serem auto-realizadas. Atraves desses processos construiu uma lista com as principais qualidades das pessoas auto-realizadas (in Monteiro & Santos, 2001):
1. São criativos.
2. Possuem uma percepção ajustada da realidade.
3. Aceitem-se a si próprio, aos outros e ao mundo.
4. São espontâneos e despretensiosos.
5. Preocupam-se com os problemas do que consigo próprio.
6. Valorizam a solidão e a privacidade.
7. São autónomos.
8. Reagem com respeito aos mistérios da vida.
9. Vivenciam experiências supremas.
10. Identificam-se com a humanidade.
11. Têm relativamente poucos amigos, mas as suas realizações são profundas.
12. Partilham valores democráticos.
13. Têm um forte sentido ético.
14. Têm sentido de humor sem hostilidade.
15. Resistem à aculturação.
Embora potencialmente todos indivíduos possam aceder ao último nível, tal acontece raramente. Maslow atribuiu esta situação as más opções efectuadas pela maioria dos indivíduos.

INFLUÊNCIA DOS FACTORES SOCIAIS NA FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE

Nossa personalidade é resultado de factores fisiológicos e sociais. Os factores sociais mais importantes na formação da personalidade são: a família e a escola.

(1) A FAMÍLIA

Os pais e as condições do lar são determinantes na formação da personalidade do individuo nos primeiros anos de vida.
Nota-se os efeitos sobre as crianças pelo facto de terem crescido em ambiente de harmonia de conflitos e ainda em lares desfeitos a morte ou ausência de um dos pais influencia na distorção da personalidade da criança.
Por outro, a criança esta emocionalmente ligada a cada um dos pais, razão pela qual desavenças entre eles causam sérios conflitos em sua personalidade, pode apresentar comportamento anormal ou anti-social.
As crianças cujos lares são marcados por tensão e conflitos entre os pais, mostram-se emocionalmente inseguras, ciumentas, medrosas, choronas nervosas e incapazes de cooperar. Ao passo que as crianças criadas em lares calmos e felizes, mostram bom ajustamento emocional e comportamento de cooperação.

1.1-Relação entre pais e filhos

O modo como os pais tratam os filhos tem efeito sobre a personalidade destes. Muitos psicólogos consideram como factores importantes a superprotecção e a rejeição pelos pais.
A superprotecção manifesta-se pela aceitação da criança da criança acompanhada de intensas demostrações de amor e cuidado exagerado para com ela.
A superprotecção pode ser indulgente e dominante.
A indulgente – consiste na aprovação de todos os actos da criança, ela percebe que pode fazer o que quiser, pois está protegida.
A dominante-visa em dar assistência constante á criança, em todos os seus actos, não deixando que faça nada sozinha. Mesmo quando é maior não lhe é permitido tomar qualquer iniciativa. Os pais tomam todas decisões escolhem suas actividades, sem companheiros, suas roupas, querem que o comportamento de seu filhos seja perfeito por isso exercem controlo excessivo sobre ele.
Quando a criança sorte superprotecção indulgente, poderá tornar-se irreverente, teimosa e hostil mas ao mesmo tempo independente e dotada de muita iniciativa. Se for tratada com superprotecção dominante, se tornará polida leal dependente e dócil, porém acanhada e sem iniciativa.
A rejeição pode manifestar-se em diferentes intensidades: falta de atenção para com a criança, negligência no tratamento, escorraçamento físico e moral.
A delinquência resulta principalmente dos pais rejeitarem a criança e não do amor excessivo, que apenas encoraja a infantilidade e a imaturidade.
Punição excessiva quase sempre leva a revolta e possivelmente a delinquência, podendo também conduzir a submissão e ao retraimento acentuado por desvaneio e outros meios de fuga. Todas essas consequência são prejudicais ao desenvolvimento da personalidade.
Afectividade, apoio e cuidados dos pais são antecedentes decisivos para maturidade, a independência a competência a auto confiança e a responsabilidade das crianças. O amor e o apoio não são suficientes para assegurar o desenvolvimento de tais características impõem-se outros requisitos: comunicação adequada entre pais e filhos; uso da razão e não do castigo para conseguir obediência; respeito dos pais pela autonomia das crianças; estimulo a independência, individualidade e responsabilidade, controle relativamente firme e elevadas exigências para comportamento maduro. Interacções severas, mas não a disciplina cega e autoritária, facilitam o desenvolvimento pessoal e social, maduro (Paulo H. Mussem, citado por Célia Silva Guimaraes Barros).

(2)-Influência da escola

A escola desempenha um papel secundário que o do lar na formação da personalidade da criança. A escola que elas frequentam e o tipo de professores que têm, influenciam consideravelmente no seu crescimento intelectual, emocional social.

Os professores têm a difícil tarefa de enfrentar os problemas de personalidade e de conduta dos alunos, infelizmente a maioria dos adultos não está preparada para enfrentar essa tarefa.
Luton Ackerson, citado por Célia Barros, chama de problemas de conduta, aqueles que prejudicam o grupo social, como a agressividade, o furto, as ofensas sexuais, etc. As crianças que apresentam problemas deste género, se não forem convenientemente tratadas, poderão tornar-se adultos delinquentes. Ele chama de problemas de personalidade aqueles que embora possam não perturbar os outros prejudicam muito a própria pessoa, como a ansiedade, o ciúme, os sentimentos de inferioridade a timidez o isolamento o desvaneio excessivo. Essas crianças se não forem bem orientadas poderão tornar-se doentes mentais alienadas e entregues ao mundo fantasia.
Geralmente os professores consideram como problemas mais graves de conduta ao passo que não dão atenção ao aos de personalidade, chegando a considerar as crianças que o apresentam como “boazinhas”. Diversos psicólogos clínicos acreditam que o isolamento e a fuga da realidade são os mais sérios sintomas de desajustamento (Cecília S. G. Barros, Pontos de psicologia do desenvolvimento, p. 60)
Uma criança de inteligência lenta sofrerá muito não tentar atingir os padrões escolares. Se não receber atenção pessoal ou não for colocada numa classe especial, provavelmente reagira a sua incapacidade por meio de rebeldia ou pelo desvaneio, nestes casos sua personalidade será prejudicada.
Virgínia Leone Bicudo, citado por Célia Barros, diz que a escola deve orientar-se no sentido de cultivar no aluno a segurança interna, as expressões de afecto, iniciativas, interesses, senso de responsabilidade de cooperação. O professor deve ter consciência de que assume um papel importante na vida emocional do aluno. A principal missão da escola deve concentrar-se na educação e não apenas na transmissão de conhecimentos no ensino. A escola precisa ajudar o aluno a vencer suas dificuldades. Não deverá simplesmente eliminar os maus elementos pois a socialização destes também compete a ela.

BIBLIOGRAFIA

PINTO, Amâncio da Costa. Psicologia Geral. Universidade Aberta: (2001).
PESSANHA,M. BARROS, S. SAMPAIO, R. SERRÃO, C. VEIGA, S. e ARAÚGIO, Sérgio Costa. Psicologia da Educação. Segunda Edição. Plural Editora: 2012.
MESQUITA, Raul e Fernanda Duarte. Psicologia Geral e Aplicada 12º ano. Plátano Editora.

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PRINCÍPIO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

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 INTRODUAÇÃO

 O trabalho que aqui apresentamos versa sobre os Princípios do Desenvolvimento Humano. Falar do desenvolvimento Humano obriga-nos, portanto, definir em primeiro lugar a Psicologia do Desenvolvimento, sendo o ramo da psicologia que estuda o desenvolvimento humano como tal.

A Psicologia do Desenvolvimento é o ramo da psicologia que se ocupa do estudo dos processos de modificação psicológica que ocorrem ao longo da vida humana[1]. As modificações que interessam aos psicólogos do desenvolvimento dos indivíduos e com as suas experiências de vida significativas.  

Em termos globais podemos analisar que as modificações, que são alvo deste ramo da Psicologia, se encontram relacionadas com três grandes factores: (1) a etapa da vida em que o individuo se encontra; (2) as circunstâncias culturais, históricas e sociais em que a sua experiência decorre; e (3) as experiências particulares de cada um e que não são generalizados a outros indivíduos.

Em linhas gerais, o trabalho que aqui apresentamos, trata dos Princípios do desenvolvimento humano, as suas etapas desde as influências pré e perinatais[2], as diversas etapas do desenvolvimento psicológico e falaremos também de alguns factores que influencia no desenvolvimento humano.

 1.0.          PRINCÍPIOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO Imagem

Para o estudo do princípio do desenvolvimento humano é de fundamental importância para o psicólogo, ter noções como ocorre o processo de fecundação e crescimento da criança no útero materno porque muitos problemas de comportamento, deformidades físicas e distúrbios de personalidade têm origem nesta fase. A vida quotidiana de uma gestante influencia significativamente parte a vida futura do ser humano.

Define-se por desenvolvimento o resultado de uma dialéctica entre a maturação biológica e a aprendizagem, processo em que o meio juntamente com o próprio organismo, joga um papel importante. (Raul MESQUITA e Fernanda DUARTE, Psicologia geral e aplicada, p. 82).

O desenvolvimento pode ser ainda definido, como o amadurecimento das características gerais (físicas, motoras e cognitivas), que explicam os fundamentos teóricos desenvolvimento da pessoa humana. (Célia S. GUIMARÃES, Pontos de Psicologia do Desenvolvimento, p. 62).

1.1.          Princípio Epigenético

Este princípio afirma que tudo o que cresce tem um plano básico e é a partir desse plano básico que se erguem as partes ou peças componentes, tendo cada uma dela o seu tempo de ascensão especial, até que todas tenham sido levantadas para formar então um todo em funcionamento.

O princípio Epigenético pressupõe, portanto, um plano do desenvolvimento do ser vivo – um plano de construção que precede o ser vivo, mas que é cumprido poer este mesmo sem “ser conhecido”, de modo que cada parte surge no momento oportuno, até emergir a totalidade viva.  (Maria C. GRIFFA e José E.MORENO, Chaves para a psicologia do desenvolvimento, p. 9 e10).

Sendo assim, ao falarmos do desenvolvimento humano, é imprescindível lembrar daquilo que é o início da vida, ou seja, a vida intra-uterina. De lembrar que, a vida quotidiana de uma gestante influencia significativamente parte a vida futura do ser humano; se a gestante ao longo do período pré-natal enveredar em práticas que possam afectar positiva ou negativamente, poderá o feto, apresentar características de acordo a estas práticas. Exemplos:

1)     Drogas –Quandoingeridas no estágio de formação podem provocar deformações físicas e mentais diferentes, conforme a quantidade ingerida e a etapa da gravidez.

2)     Doenças infecciosas – Sífilis, rubéola e caxumba podem produzir abortos (fetos de má-formação) ou anomalias físicas (cegueira, surdez, deformidades nos membros) ou mentais

3)     Dieta – está actualmente comprovado que uma dieta pobre predispõe a maiores complicações durante a gestação e o parto, prematuridades, maior vulnerabilidade do bebé a certas doenças e mesmo atraso no desenvolvimento físico e mental. (Clara Regina RAPPAPORTE, Psicologia do Desenvolvimento, A Infância Inicial: O Bebé e a Sua Mãe, V.2, p. 01).

          

1.2.          O recém-nascido

Existem grandes variações no tamanho e no peso dos bebés, bem como no seu ritmo de crescimento. Um bebé pesa em média ao nascer, entre 3 a 3,5 kg, e tem aproximadamente 50 cm de altura, sendo os bebés masculinos ligeiramente maiores e mais pesados dos que os femininos. Os recém-nascidos de mães carentes do ponto de vista nutritivo podem apresentar peso mais baixo. (Ibid. p. 24).  Neste sentido, podemos afirmar que do desenvolvimento físico é altamente dependente da maturação[3], embora possa ser influenciado positiva ou negativamente por factores ambientais.  

1.3.          Fases do Desenvolvimento Humano

Vários tratados de Biologia como de psicologia dividem a evolução do ser humano em 9 fases fundamentais:

  • Período pré-natal;
  • Período do recém-nascido;
  • Primeira infância
  • Segunda infância
  • Meninice
  • Puberdade
  • Adolescência
  • Maturidade (vida adulta)
  • Senilidade ou velhice

 

  • Período pré-natal

Este período tem início no momento da concepção e termina com o nascimento. Tem a duração aproximada de nove meses.

  • Período do recém-nascido

Inicia-se no instante do nascimento e termina com a queda do coto umbilical. Tem a duração em média de sete dias.

  • Primeira infância

A primeira infância inicia-se na queda do coto umbilical e termina quando a criança consegue falar e andar. Piaget chama nos seus estudos sobre o desenvolvimento intelectual, considera esta etapa como a fase sensório-motor, pois que o bebé recebe pelos seus órgãos sensoriais, as estimulações do ambiente, e vai agindo sobre ele.

  • Segunda infância

Tem início com a aquisição da linguagem e da locomoção e com o aparecimento dos primeiros dentes e, termina com o ingresso no ensino primário. Nesta fase segundo PIAGET, citado por Célia S. GUIMARÃES, a criança é capaz de fazer representação mental de objectos, o que lhe possibilita iniciar a utilização de símbolos. Nesta fase também se regista o desenvolvimento gradual da linguagem e o aperfeiçoamento do vocabulário.

  • Meninice

Este período começa com a entrada na escola do ensino primário e termina com o início da puberdade. Segundo ERIKSON, citado por Célia S. GUIMARÃES, nesta fase a criança começa a ter desejos de sentir-se competente na aprendizagem e na realização de inúmeras habilidades e competências. E se ela não tiver oportunidade de se envolver em tarefas nas quais possa sentir-se competente, virá o sentimento de inferioridade; o que ele chamou de (idade da competência e inferioridade).

  • Puberdade

É a etapa a seguir a meninice. Caracteriza-se pelo aparecimento dos caracteres sexuais secundários e inicia-se aproximadamente aos 12 anos de idade para as meninas e aos 14 anos para os meninos. Sua duração é de cerca de 2 anos e nele notamos preferências afectivas por uma pessoa do mesmo sexo e de idade aproximada. Assim a menina tem a sua amiga predilecta, companheira inseparável e que dedica grande afeição. Os meninos têm seu companheiro e confidente.

  • Adolescência

É na adolescência que começamos a perceber bem o significado da lealdade, a capacidade de ser fiel. É também nesta altura que o adolescente se vê a si próprio como um ser único integrado na sociedade. Pelo contrário, a crise poderá levar a que o jovem não entenda bem que papel deverá desempenhar, isto é, não sabia como agir porque “não sabe exactamente quem é”. (Raul MESQUITA e Fernanda DUARTE, Psicologia geral e aplicada, p. 99).

  • A velhice

A pessoa desta idade avançada pode tornar-se sábia: deixa de preocupar-se ansiosamente com a vida porque descobriu o seu sentido e a da dignidade da sua vida; haverá a aceitação da morte. Se não tingir esta sabedoria (isto acontece se olhar para trás se verifica que não se fez nada que valesse apena), haverá um sentimento de desgosto perante a vida e de desespero perante a morte. (Raul MESQUITA e Fernanda DUARTE, Psicologia geral e aplicada, p. 99).

1.4.          O desenvolvimento Motor na Infância

O conhecimento do desenvolvimento motor na infância é de vital importância para o psicólogo. Este deve ter noções básicas sobre o tamanho, peso, capacidades sensoriais e motoras de cada faixa etária. Isto porque obviamente o comportamento será sempre decorrente das capacidades desenvolvidas pelo organismo, principalmente nos primeiros anos de vida. Assim na infância inicial, dos (0 aos 18 meses), o próprio desenvolvimento intelectual estará directamente ligado à maturação do sistema nervoso central, a capacidade de receber e aprender impressões sensoriais, de executar movimentos, etc. (Rosângela Pires dos SANTOS, Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, p. 4).

O desenvolvimento das habilidades motoras é um dos mais visíveis da infância. As crianças possuem um padrão definido para o desenvolvimento motor: sustentam a cabeça antes de poderem sentar-se sozinhas, sentam-se antes de poderem engatinhar, e engatinham antes de andar.

Este padrão do desenvolvimento é quase o mesmo para todos os bebés, mas existem grandes diferenças individuais na velocidade da maturação. A ordem em que as crianças passam de um estágio de desenvolvimento motor a outro é semelhante, mas a idade em que atingem os diferentes estágios varia grandemente. Por exemplo: algumas crianças são capazes de ficar em pé sozinhas aos 8 meses e meio, enquanto outras não o fazem antes dos 13 meses de idade.

1.4.1.        Tendências do Desenvolvimento motor

Como já nos referimos, o ser humano, no seu processo de desenvolvimento, apesar das diferenças individuais, segue algumas tendências ou direcção que são encontradas em todas as pessoas:

  • Direcção céfalo-caudal – o desenvolvimento processa-se da cabeça para os pés. Primeiro desenvolve-se a cabeça e o que lhe fica mais próximo; por último pernas e pés. No bebé a progressão do controlo motor também segue a direcção céfalo-caudal: primeiro ele consegue controlar os movimentos da cabeça, depois os dos braços e mais tarde os das pernas.
  • Direcção próximo-distal – o desenvolvimento próximo-distal é o controlo da musculatura do centro do corpo às suas extremidades. Isto acontece em relação aos processos de crescimento do corpo e nos ganhos de habilidades motoras. Nesta fase do desenvolvimento, os movimento do tronco e dos ombros ocorrem m ais cedo que os movimentos dos braços, vindo por último o controlo das mãos e dos dedos. (Célia S. GUIMARÃES, Pontos de Psicologia do Desenvolvimento, p. 41).
  • O desenvolvimento humano é um processo ordenado e contínuo, dividido em quatro fases principais: infância, adolescência, idade adulta e senescência (velhice);
  • Cada indivíduo se desenvolve de acordo com um ritmo próprio que tende a permanecer constante segundo seus padrões de hereditariedade, se não for perturbado por influências externas, como má alimentação; ou internas, como doenças;
  • Todos os aspectos do desenvolvimento humano são inter-relacionados, não podendo ser avaliados sem levar em conta essas mútuas interferências. (Rosângela Pires dos SANTOS, Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, p. 11).

 1.5.          Aspectos do desenvolvimento humano

O desenvolvimento deve ser entendido como uma globalidade; mas, em razão de sua riqueza e diversidade, é abordado, para efeito de estudo, a partir de quatro aspectos básicos:

  • Aspecto físico-motor – Refere-se ao crescimento orgânico, à maturação neuro-fisiológica, à capacidade de manipulação de objectos e de exercício do próprio corpo.
  • Aspecto intelectual – Inclui os aspectos de desenvolvimento ligados as capacidades cognitivas do indivíduo em todas as suas fases. Como quando, por exemplo, a criança de 2 anos puxa um brinquedo de baixo dos móveis.
  • Aspecto afectivo emocional – É a capacidade do indivíduo de integrar suas experiências. São os sentimentos quotidianos que formam nossa estrutura emocional. (Rosângela Pires dos SANTOS, Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, p. 4).

 2.0.          Princípios do desenvolvimento da Aprendizagem

Aprendizagem é um processo inseparável do ser humano e ocorre quando há uma modificação no comportamento, mediante a experiência ou a prática, que não podem ser atribuídas à maturação, lesões ou alterações fisiológicas do organismo.

A aprendizagem compreende a descoberta de leis e princípios e a análise dos factores e processos próprios dos diversos actos de aprender. A aprendizagem está involuída em qualquer área do conhecimento e comportamento; ao longo da vida uma pessoa aprende conhecimentos factuais, habilidades motoras, expressões emocionais, regras sociais, valores morais e até mesmo aprende a morrer com dignidade. (Amâncio da C. PINTO, psicologia geral, P. 53).    

Do ponto de vista funcional é a modificação sistemática do comportamento em caso de repetição da mesma situação estimulante ou na dependência da experiência anterior com dada situação.

De acordo com as proposições das teorias gestaltistas é um processo perceptivo, em que se dá uma mudança na estrutura cognitiva.

A aprendizagem de uma determinada tarefa, só se processa, quando o organismo atingir o desenvolvimento apropriado para a sua realização. A aprendizagem processa-se do mais simples ao mais complexo, do conhecido ao desconhecido. (Célia S. Guimarães BARROS, pontos de psicologia do desenvolvimento, p. 41).

Para que haja a aprendizagem são necessárias determinadas condições:

  • Factores Fisiológicos – maturação dos órgãos dos sentidos, do sistema nervoso central, dos músculos, glândulas etc.;
  • Factores Psicológicos – motivação adequada, autoconceito positiva, confiança em sua capacidade de aprender, ausência de conflitos emocionais perturbadores, etc.;
  • Experiências Anteriores – qualquer aprendizagem depende de informações, habilidades e conceitos aprendidos anteriormente.

2.1.          Aspectos afectivo-emocional

Piaget  defendeu o desenvolvimento psicológico como único em suas dimensões activas e cognitivas, pois para ele durante toda a vida de um individuo existe uma equivalência entre as construções afectivas e cognitivas. Ele articulou em relação á psicologia afectiva da criança e o estudo da inteligência os aspectos afectivos e intelectuais infantis ao julgamento moral, as reações rebeldes, a obediência e aos sentimentos de carinho e temor.

Para o autor a afectividade não se restringe somente as emoções e sentimentos, pois engloba também as tendências e as vontades da criança, ou seja, a afetividade assim como toda conduta visa a adaptação, pois o desequilíbrio reflecte em uma impressão afectiva particular e a consciência de uma necessidade.

Para ele as noções de equilíbrio e desequilíbrio têm um significado essencial no ponto de vista afectivo e cognitivo, levando Piaget a reflectir sobre os processos de assimilação e acomodação afetivas. Tendo a assimilação o interesse principal no “eu” e a compreensão do objeto como tal, e a acomodação é o interesse relativo e o ajuste dos esquemas do pensamento aos objetos.

Ressalta também, que a afectividade e a inteligência são de naturezas distintas, ou seja, a energética da conduta vem da afetividade e as estruturas vêm das funções cognitivas, e assim o campo total junta ao mesmo tempo o sujeito, as relações e os objetos, todos sendo fundamentais para que ocorram as condutas e as interações entre sujeitos e objetos.

Piaget defende a importância de diferenciar a predominância dos aspectos afectivos, ou seja, os interesses, dos aspectos negativos nos meios, as estruturas.  Ele se opõe a dicotomia feita entre ação primaria e ação secundária, pois para ele as duas possuem aspectos afectivos e cognitivos.

Utilizou-se do termo esquemas afectivos para designar as construções equivalentes sobre os sentimentos iniciais da criança, diretamente ligados as satisfações de suas necessidades. Encontrou no conceito de “força vontade” uma função reguladora exposta para a construção do pensamento lógico.

A criança dos 2 aos 12 anos sofrem várias modificações no que diz respeito aos seus domínios de afectividade em conformidade com o desenvolvimento de sua cognição, ou seja, os valores os sentimento pessoais e inter-pessoais e as brincadeiras.

Por sua vez, até os 2 anos aproximadamente, todas as emoções e sentimentos do bebê são gerados em seu contato com a mãe e centrados no corpo da criança, e assim a medida que o corpo infantil se separa do corpo das outras pessoas a vida afectiva do bebê vai se descentralizando e se transferindo para os outros.

Portanto, o sentimento amor-afectividade construído primeiramente entre mãe e filho vai se generalizando aos outros, como ao pai, ao irmão e aos companheiros, havendo assim uma modificação ou acomodação aos factos e situações passadas carregadas de emoções.

O processo de formação e enriquecimento acfetivo da criança nos faz perceber que esse processo afectivo é continuo e inovador, onde a formação de sentimentos esta diretamente ligada aos valores e evolução da sociedade, ou seja, os sentimentos inter-individuais são construídos com a cooperação do outro e os intra-individuais são elaborados com a ajuda do outro.

2.2.          Princípios do desenvolvimento da linguagem

Algumas capacidades, como por exemplo a linguagem, o processo é mais complexo. A linguagem depende da maturação biológica, pois não há processo de estimulação que faça um bebé de 6 meses falar. Mas se uma criança tiver maturação biológica e não receber estimulação ambiental (cognitiva, afectiva e social), poderá apresentar retardamento na aquisição da linguagem ou vários tipos de perturbações, como gagueiras, dislalia[4], etc.

O desenvolvimento da linguagem também depende de estímulos ambientais – da possibilidade de a criança ouvir a língua faladas pelos outros, mas depende em grande parte, da maturação física, – de a criança articular movimentos da língua, dos lábios, do aparelho respiratório e dos maxilares.  

Segundo Lev Vygotski, o desenvolvimento da linguagem não dependeria apenas da maturação. Apesar de ter condições na maturação, Vygotski exemplifica que, uma criança só falará se participar ao longo de sua vida do processo cultural de um grupo, ou seja, se tiver contacto com uma comunidade de falantes.

Assim sendo, é preciso ficar claro que o desenvolvimento físico e motor na primeira infância é altamente dependente da maturação biológica, mas é também susceptível a actuação ambiental. (Clara Regina RAPPAPORTE, Psicologia do Desenvolvimento, A Infância Inicial: O Bebé e a Sua Mãe, V.2, p. 23).

3.0.          Princípio do desenvolvimento Cognitivo

O problema da mensuração da inteligência foi resolvido adequadamente, pela primeira vez, pelos psicólogos franceses Binet e Simon. Em 1904, estes psicólogos foram encarregados pelo governo francês para auxiliarem a resolver o problema do baixo rendimento escolar, de grande número de reprovações nas escolas primárias francesas. Binet atribuiu o problema ao facto das classes serem heterogéneas, isto é, em uma única classe havia alunos bem dotados e pouco dotados intelectualmente. Assim, procurou-se seleccionar as crianças pelo grau de inteligência, para formar classes homogéneas. (Rosângela Pires dos SANTOS, Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, p. 24).

A inteligência é a capacidade de nos adaptarmos a novas situações e de resolver problemas em sentido lato. (Raul MESQUITA e Fernanda DUARTE, psicologia geral e aplicada, p. 238).

(Binet) define inteligência como o processo de adaptação do meio; (Wechsler) Uma capacidade para pensar racionalmente; (Heim) Uma habilidade para captar o essencial de uma situação. (Amâncio da C. PINTO, psicologia geral, P. 167).

Para responder à questão, Binet e Simon desenvolveram uma grande variedade de tarefas que enfatizavam diferentes aspectos como julgamento, compreensão, raciocínio, atenção, memória e outros.

Piaget acredita que existem, no desenvolvimento humano, diferentes momentos: um pensamento, uma maneira de calcular, uma certa conclusão, podem parecer absolutamente correctos em um determinado período de desenvolvimento e absurdos em um outro.

Para Piaget, a forma de raciocinar e de aprender da criança passa por estágios. Por volta dos dois anos, ela evolui do estágio sensório motor, em que a acção envolve os órgãos sensoriais e os reflexos neurológicos básicos – como sugar o seio materno – e o pensamento se dá somente sobre as coisas presentes na acção que desenvolve, para o pré-operatório. Nessa etapa, a criança se torna capaz de fazer uma coisa e imaginar outra. Ela faz isso, por exemplo, quando brinca de boneca e representa situações vividas em dias anteriores.

Para Lev Vygotski, o indivíduo não nasce pronto nem é cópia do ambiente externo. Em sua evolução intelectual há uma interacção constante ininterrupta entre processos internos e influências do mundo social.

Vygotski em um posicionamento que se contrapunha ao pensamento inatista, segundo a qual as pessoas já nascem com características, como inteligência e estados emocionais, pré-determinados. Da mesma forma, enfrentou o empirismo, corrente que defende que as pessoas nascem como um folha de papel em branco e que são formadas de acordo com as experiências às quais são submetidas.

Vygotski, no entanto, entende que o desenvolvimento do conhecimento é fruto de uma grande influência das experiências do indivíduo. Mas que cada um proporciona um significado particular a essas vivências. A apreensão do mundo seria obra do próprio indivíduo. Para ele, desenvolvimento e aprendizado estão intimamente ligados: nós só nos desenvolvemos se e quando aprendemos.

CONCLUSÃO

Após serem lidas determinadas bibliografias refentes ao princípio do desenvolvimento humano, podemos concluir que, o desenvolvimento humano tem início na gestação, onde se desenvolvem diferentes etapas desde, a formação do ovo, até se completar todo o período fetal.

Podemos com isso concluir que, a vida intra-uterina é bastante importante na formação do carácter e da personalidade humana, sendo no entanto, uma fase crucial para a vida futura do homem.

O processo do desenvolvimento humano obedece várias etapas sendo cada uma delas bastante importante, desde o período pré-natal, período do recém-nascido, primeira infância, segunda infância, meninice, puberdade, a adolescência, até a velhice.    

Após uma breve análise sobres os princípios do desenvolvimento humano, podemos concluir que não obstante as dificuldades encaradas sobretudos na recolha da bibliografia que nos pudesse proporcionar uma abordagem com mais abrangência ao tema que a nós foi proposto, acreditamos mostrar aqui os aspectos fulcral respeitante aos princípios do desenvolvimento humano.

Todavia, podemos também afirmar que o tema por nós abordado é imensamente extenso, tendo em conte a tamanha importância e por consequente a sua complexidade, sendo no entanto, diminuto o tempo, para se fazer uma dissertação com maior abrangência e a uma escala superior.

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

BARROS, Célia Silva Guimarães: Pontos de Psicologia do desenvolvimento. São Paulo: Cortez Editora, 2003.

GRIFFA, Maria C. e MORENO, José Eduardo: Chaves para a psicologia do desenvolvimento, Tomo, 01 & 02,  São Paulo: Ed. Paulinas, 2011 e 2012. MESQUITA, Raul e DUARTE, Fernanda: Psicologia geral e aplicada, Portugal: Plátano Editora, 2000.

PINTO, Amâncio da Costa: Psicologia Geral. Portugal: Universidade Aberta, 2001.

RAPPAPORT, Clara Regina, FIORI, Wagner da Rocha e HERZBERG, Eliana: Psicologia do Desenvolvimento, Vol. 02 e 03,  São Paulo: EPU, 2010 e 2011.

PESSANHA, Manuel, BARROS, Silva, SAMPAIO, R., SERRÃO, C., VEIGA, S., e ARAÚJO, S.C.: Psicologia da educação. Portugal: Plural Editores, 2010.

SANTOS, Rosângela Pires: Psicologia do desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: IE Editora, 2011.

  

 

[1] Palacios, citado por Manuela PESSANHA, Plural Editora, 2012

[2] Perinatal, decorre entre as 22 semanas (154 dias da gravidez humana).

[3] Maturação – refere-se as forças biológicas geneticamente programadas que direccionam o crescimento em tamanho, a emergência e o controlo de movimentos, a integração das impressões sensoriais, a possibilidade de executar correctamente determinadas tarefas etc.(Clara Regina RAPPAPORTE, Psicologia do Desenvolvimento, A Infância Inicial: O Bebé e a Sua Mãe, V.2, p. 01).    

[4] Dislalia – dificuldades no falar.