CURRÍCULO E CONCEPÇÕES PEDAGÓGICA

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INTRODUÇÃO

Toda e qualquer ciência obedece, ou seja, obedeceu um período de desenvolvimento para a sua solidificação. O Desenvolvimento Curricular também trilhou os mesmos passos para que ela seja considerada hoje uma área do saber.

Hoje, o Desenvolvimento Curricular, a importância de todas as iniciativas que permitam continuar a desenvolver, nos profissionais da educação, um conjunto de competências-chave (de diagnóstico, de análise reflexiva, de resolução de problemas, de planificação e de acção.

Ao reunir, de forma logicamente organizada e sequenciada, um vasto conjunto de informação, o Desenvolvimento Curricular, aparece para facilitar a prática educativa, (neste caso), fornecendo métodos e técnicas que nos permite elaborar de uma maneira dosificada os conteúdos alvo de ministração na escolas.

O Desenvolvimento Curricular constitui-se, assim, como um precioso auxiliar, tanto para futuros professores, como para todos aqueles professores em exercício que queiram actualizar os seus conhecimentos e aprofundar a sua formação.

Nessa perspectiva, vamos apresentar ao longo desta nossa pequena abordagem, o Desenvolvimento Curricular nas suas diferentes concepções pedagógicas, desde aos modelos mais antigos aos actuais.

UM POUCO DE HISTÓRIA                                            

No século XIII, a educação foi fortemente influenciada pelas doutrinas do escolasticismo de São Tomas de Aquino. O currículo não existia numa forma organizada e oficializada.

Com o advento da Reforma, que foi representada por Martin Luther (na Alemanha) e John Calvin (na França), a educação foi submetida a mudanças curriculares

No final do século XIX e no início do século XX inicia-se efectivamente, nos Estados Unidos, o currículo como um campo sistemático de trabalho na educação.

Segundo Moreira (1990) e Kliebard (1995), este campo de actividade iniciou-se devido às mudanças sociais que emergiram com o advento da sociedade industrial e urbana da época.

Logo após a 2ª Guerra Mundial, o campo do currículo foi iluminado pelo trabalho de Ralph W. Tyler por meio de seu imortalizado livro Princípios Básicos de Currículo e Ensino, publicado em 1949 na cidade de Chicago. Esta publicação representou a produção teórica dominante mais usada em desenvolvimento de currículo nos Estados Unidos e em outros países (inclusive o Brasil), até a corrente data. Sua influência foi sentida nos currículos de campos diversos, atingindo uma variedade enorme de audiências. Sua simplicidade e concisão tem orientado educadores por meio do processo de organização e desenvolvimento do currículo e do ensino.

No final do século XIX e no início do século XX inicia-se efectivamente, nos Estados Unidos, o currículo como um campo sistemático de trabalho na educação. Segundo Moreira (1990) e Kliebard (1995), este campo de actividade iniciou-se devido às mudanças sociais que emergiram com o advento da sociedade industrial e urbana da época.

Segundo Schubert (1986), junto com estas forças e mudanças sociais, houve uma grande revolução da ciência. Exemplos disso se caracterizam pela teoria da evolução de Darwin, a teoria da relatividade de Eisntein, o movimento da eugenia de Galton e o Q. I. de Binet. Estes movimentos marcaram esse período e chamaram atenção crucial à batalha do currículo.

Neste amplo contexto de crescente industrialização e de vinda de imigrantes aos Estados Unidos, e com essa catalisadora revolução da ciência, dois movimentos foram extremamente significativos nesse território de lutas, embora em muito influenciados por outros movimentos menos expressivos naquele contexto. O primeiro deles se constitui pelo currículo tecnicista (social efficiency) de John Franklin Bobbit (1918) e o outro se configura pela educação progressiva de Dewey nos anos 20. Silva (1999) argumenta que esses movimentos provocaram uma grande ruptura com o então modelo curricular, o currículo humanista, que se centrava nos clássicos gregos e latinos que haviam dominado o ensino secundário desde a sua criação.

CURRÍCULO E CONCEPÇÕES PEDAGÓGICA

Antes de abordarmos sobre o currículo e a sua concepção nos diferentes modelos pedagógicos, é importante aqui definirmos o que é exactamente o currículo:

(Bobbit, 1922) cit. por Fernando Diogo, define currículo como um Conjunto ou série de coisas que as crianças e os jovens devem fazer e experimentar a fim de desenvolver habilidades que os capacitem a decidir assuntos da vida adulta.

Cardoso (1987) define currículo como “o esqueleto constituído pelas designações das disciplinas escolares ou áreas de ensino que preenchem o plano de estudos de um curso, um nível ou um ano de escolaridade” (p.222) e ainda como “as experiências (ou aprendizagens) do aluno planificadas pela escola” (p.223).

  1. MODELO PEDAGÓGICO TRADICIONAL

Neste modelo as matérias são estruturadas em forma de unidade de estudo. O conhecimento é enciclopédico que se atomiza segundo as capacidades cognitivas dos alunos, sempre na lógica de uma inteligência definida a prior e de modo limitado.

O currículo é totalmente centralizado, cuja concepção e administração compete a administração central; os professores têm pouca possibilidade de variação dos conteúdos programáticos. O controlo é feito através de exames nacionais e por um conjunto de provas de selecção entre diferentes níveis de ensino.

  1. MODELO PEDAGÓGICO ESCOLA-NOVA

O currículo é muito diversificado, contemplando todos os aspectos da formação integral de uma pessoa (físicos e intelectuais), organização e procedimentos de estudo, educação artística, estética e moral, educação social educação técnica e tecnológica, etc.

  1. MODELOS COM ENFOQUE TECNOLÓGICO.

Consideram-se entre eles os de R.W. Tyler e H. Taba, representantes da Pedagogia norte-americana, que tem tido uma ampla divulgação sobretudo em países latino americanos que tem servido de guia a alguns especialistas do continente para a realização de propostas curriculares.

Esta perspectiva teórica do currículo baseia-se na tecnologia educativa. Foi um modelo apoiado numa burocracia que organiza e controla o currículo. A preocupação pelos temas estritamente curriculares surge em grande parte das conveniências administrativas, em vez de uma necessidade intelectual.

Surgem com a intenção de organizar e gerir o currículo com esquemas próprios da burocracia moderna para racionalizar todo o sistema. A teoria do currículo assimilou modelos de gestão científica que, ao se tornarem independentes do quadro e do momento do qual surgem, se converteram em esquemas autónomos que propõem um tipo de racionalidade.

O currículo aparece assim como um conjunto de objectivos de aprendizagem seleccionados que devem dar lugar à criação de experiências apropriadas que tenham efeitos acumulativos avaliáveis, de modo que se possa manter o sistema numa revisão constante, para que nele se operem as oportunas reacomodações.

  • l Modelo de R. W. Tyler:

Este modelo apareceu depois da II Guerra Mundial, no ano 1949, desde a obra “Princípios Básicos do Currículo”, cuja base, desde o ponto de vista educativo está dada pela concepção que considera a educação como uma mudança de conduta. Na obra se expressam as seguintes perguntas que, segundo o autor, há que contestar antes de elaborar qualquer currículo e sistema de ensino:

1)        Que fins deseja alcançar a escola?

2)        De todas as experiências educativas que se podem oferecer, quais são as que oferecem maiores probabilidades de alcançar estes fins?

3)        Como se pode organizar de maneira eficaz essas experiências?

4)        Como podemos comprovar se se tem atingido os objectivos propostos ou não?

Nesse modelo põem-se de manifesto as fontes que originam os objectivos de aprendizagem: Aluno, Sociedade e especialistas, tendo em conta o papel da filosofia e a psicologia da aprendizagem (como filtros) na sua selecção. Segundo Tyler, há que escolher “… da lista original de objectivos, os que representam valores mais altos e coincidem com a filosofia da escola”.

O modelo pedagógico Tyleriano está fundamentado numa epistemologia funcionalista, dentro de uma linha de pensamento pragmático e utilitarista embora se lhe reconheca a perspectiva centrada no aluno, de acordo com a psicologia evolutiva da época. Quando no seu modelo fala de actividades de aprendizagem, centra o problema no aluno.

  • Modelo de Hilda Taba.

Concebe o programa escolar como um plano de aprendizagem que deve representar uma totalidade harmónica e não ter uma estrutura fragmentária.

Taba considera que a análise da cultura e a sociedade é um guia para determinar os principais objectivos da educação, para a selecção do conteúdo e para decidir sobre o que há de importante para se insistir nas actividades de aprendizagem. Esta autora considera sete passos, para realizar um juízo dado que permita a tomada de decisões em relação aos programas escolares que são:

  1. Diagnóstico de necessidades;
  2. Formulação de objectivos;
  3. Selecção de conteúdos;
  4. Organização de conteúdos;
  5. Selecção das actividades da aprendizagem;
  6. Organização das actividades de aprendizagem;
  7. Determinação do que se vai avaliar.

Como se pode apreciar, este modelo se baseia nas proposta de Tyler, embora o supera, já que considera como sustento principal para a elaboração do currículo, um diagnóstico de necessidades sociais que permite manter o currículo como necessidade da época (…) é         Essencialmente um processo de determinação de factos por ser tomado em conta no currículo.

  1. MODELOS COM ENFOQUE SISTÉMICO

O currículo como sisfema é ideia fundamental deste modelo. É o resultado da aplicação da teoria de sistema na educação. Desde esta perspectiva teórica a educação se caracteriza por:

  • Elementos constituintes;
  • Reflexões entre os elementos constituintes;
  • Existência de metas ate as quais apontam os elementos e relações.

 

  • Modelos de Mouritz Johnson

A sua proposta curricular pode considerar-se como uma continuação às ideias de Tyler e Taba, distinguindo-se no seu modelo o enfoque de sistema aplicada a educação. Destaca dois sistemas didácticos básicos: o sistema de instrução e o sistema de desenvolvimento do currículo.

A diferença com os seus antecessores está na consideração dos resultados da aprendizagem não apenas os objectivos instrutivos condutais observáveis, mas também a formação de valores expressos em normas e atitudes.

 

  1. MODELOS COM ENFOQUE CRÍTICO E SOCIO-POLÍTÍCO

Os modelos curriculares com um enfoque crítico e sociopolítico surgem como uma alternativa aos modelos conductistas cujo marco teórico e o enfoque metodológico estão fundamentados na tecnologia educativa.

Se caracterizam por uma crítica aos diferentes referentes teóricos (sociais, económicos e políticos) que sustentam os modelos tecnológicos. As suas propostas se baseiam em processos de socialização no trabalho colectivo na sala de aulas, na análise de problemas e busca de suas soluções por via investigativa.

Entre estes modelos destacam-se os de L. Stenhouse (1975), Schwab (cit.en F.Díaz Barriga, op. cif.) e Guevara Niebla (1976). Colocam-se na corrente humanista.

  • Modelo de J. Schwab

Schwab define na sua proposta a necessidade de se conceber o currículo a partir da experiência quotidiana dos alunos, pelo que não é necessário, segundo a sua opinião, pré estabelecer o currículo. O seu modelo responde em grande medida ao paradigma ecológico ou contextuai.

Modelo de Lawrense Stenhouse

  1. Stenhouse adopta a noção e enfoque de Schwab e a faz representar, já que diz que a profissão da educação deve organizar-se para as tarefas de investigação e desenvolvimento do currículo.

O professor não está sozinho na estruturação do currículo, estudando os processos mediante os quais se estruturam fora da escola. A profissão será assim, um elemento essencial para se alcançar uma plataforma crítica desde o que será possível reconstruir.

No seu modelo se presta uma atenção especial ao vínculo escola- sociedade, o que permite ir determinando os problemas e buscar soluções através das . O desenvolvimento curricular é visto como um processo através do qual o professor reflecte sobre a qualidade de sua própria prática e favorece a qualidade do processo que se dirige, convida os alunos a pensar por si mesmos e não a repetir o pensamento de seus professores. relações dialécticas complexas entre o professor e os alunos.

Trata-se do modelo do “professor como investigador”. Desenvolve esta noção em relação à profissionalização prolongada cujas características fundamentais são:

  • O compromisso para o questionamento sistemático do próprio ensino como base para o desenvolvimento.
  • O compromisso e as destrezas para estudar o próprio ensino.
  • O interesse para questionar e provar a teoria na prática mediante o uso dessas destrezas.
  • Modelo de Guevara Niebla.

No contexto latino-americano também surgiram propostas sobre esta perspectiva crítica e sociopolítica, distinguindo-se o modelo curricular modular por objectos de transformação, sendo um dos seus representantes Gilberto Guevara.

  1. Marco referencial: social, económico, político e científico;
  2. Caracterização da prática profissional;
  3. Estruturação curricular: Acção interdisciplinar sobre o objecto de transformação;
  4. Elaboração de modelos;
  5. Avaliação do plano
  1. MODELOS COM ENFOQUE CONSTRUTIVISTA
    • Modelo de César Coll

Como uma alternativa à teoria da aprendizagem condutista se tem elaborado nos últimos anos propostas curriculares de acordo com o paradigma cognitivo, centrando atenção à preocupação como aprende o aluno, considerando-se a aprendizagem como um processo construtivo. Se destaca entre as propostas elaboradas, o modelo de César Coll (1991), que se aplica no ensino geral básico obrigatório da Espanha na actualidade.

Este autor destaca, na sua concepção o currículo como “projecto que preside as actividades educativas escolares, que precisa as suas intenções e proporciona guias de acção adequadas e úteis para os professores que têm a responsabilidade directa da sua execução.

A sua estrutura possibilita derivar as intenções educativas em três níveis de concretização:

  • Primeiro nível: Compreende os objectivos gerais das Etapas (Pré- escolar, Educação Primária, Educação Secundária Obrigatória, Educação Secundário Pôs Obrigatória.)
  • Segundo nível: Estabelecimento das áreas curriculares com os seus objectivos terminais, blocos de conteúdos, orientações didácticas e critérios para desenvolver actividades de aprendizagem e avaliação.
  • Terceiro nível: Organização (sequenciação) dos blocos de conteúdos de acordo com o fundo de tempo dado e programações de unidades didácticas.

RESUMO

Modelos tecnológicos, baseiados na tecnologia educativa. Caracterizam-se pelo facto de que deles subjaz a ideia da aprendizagem como mudança de conduta. São seus principais representantes os norte americanos R.W. Tyler: H. Taba .

  • No modelo de Tyler, se põem de manifesto as fontes que originam os objectivos de aprendizagem: aluno, sociedade e especialistas, tendo em conta o papel da filosofia e da psicologia na aprendizagem como filtros na sua selecção. Está fundamentado numa epistemologia funcionalista, dentro duma linha de pensamento pragmático e utilitarista.
  • Modelo de H. Taba, baseia-se na proposta de Tyler, embora o supera, já que considera como sustento principal para a elaboração do currículo um diagnóstico de necessidades sociais que permite manter o currículo com as necessidades da época.

Modelo sistémico, modelo de M. Johnson. É uma continuação dos de Tyler e Taba, distinguindo-se neste caso o enfoque de sistema. À diferença dos seus antecessores considera como resultados da aprendizagem não apenas os objectivos instrutivos condutuais observáveis, mas também a formação de valores expressos em normas e atitudes.

Modelos com o enfoque crítico e sócio-polftico. (L. Stenhouse, Schwab Barriga e Guevara Niebla, entre outros). Estes modelos surgem como uma alternativa aos modelos conductistas cujo marco teórico e enfoque metodológico. Estão fundamentados na tecnologia educativa. Se caracterizam pela sua crítica aos diferentes referentes teóricos (sociais, económicos e políticos) que sustentam os modelos tecnológicos. As suas propostas se baseiam em processos de socialização, o trabalho colectivo na sala de aulas, a análise de problemas e a busca de sua solução por via investigativa.

Modelos com enfoque construtivista. (de César Coll). São uma proposta curricular de acordo com o paradigma cognitivo.

Centram a sua atenção em: como aprende o aluno, considerando a aprendizagem como um processo construtivo. O currículo é concebido como um “projecto que preside as actividades educativas, escolares, que precisa as suas intenções e proporciona guias de acção adequadas e úteis para os professores que têm a responsabilidade directa da sua execução.

COCLUSÃO

Embora que de uma forma sucinta, foi possível abordarmos sobre o currículo, e concepções pedagógico. Aqui pudemos nos realçar sobre currículo em diversos pontos de vistas desde aos modelos tradicional, escola-novista, Modelos com enfoques tecnicista até ao modelo construtivista.

Com estes modelos surgem com a intenção de organizar e gerir o currículo com esquemas próprios da burocracia moderna para racionalizar todo o sistema. A teoria do currículo assimilou modelos de gestão científica que, ao se tornarem independentes do quadro e do momento do qual surgem, se converteram em esquemas autónomos que propunham um tipo de racionalidade.

Frisamos aqui que cada modelo aqui apresentado obedeceu a um período diferente do outro com perspectivas educacionais especifica da época em vigorou estes modelos. Muitas destas concepções, continuam a ser usadas até então servindo de modelos para novas teorias que vão surgindo até aos nosso dias.

BIBLIOGRAFIA

  1. RSÁRIO, Fernando. 2008, Teoria e Desenvolvimento Curricular, ISCED – Luanda.
  2. VARELA, Bartolomeu Lopes. 2013, O Currículo e o Desenvolvimento Curricular: Concepção, Praxis e Tendências, Colecção Aula Magna, V. 1 – Universidade de Cabo-Verdes.
  3. DIOGO, Fernando. Desenvolvimento Curricular, Colecção Universidade, Tomo. 1, Plural editora.
  4. WALBERG, H.J. (2010). Escolha da Escola. Descobertas e Conclusões (Tradução  Nuno Lobo). Lisboa: Fundação Manuel Leão.

 

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