PERSONALIDADE

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I. A PERSONALIDADE

O conceito de personalidade é um conceito central da psicologia, enquanto ciência do comportamento. Em Psicopedagogia ou Psicologia da Educação, a personalidade constitui um factor fundamental naquilo que é o processo de ensino e aprendizagem, uma vez que esta ciência (a psicopedagogia) procura contribuir para a compreensão e melhoria do processo de educação e do ensino, oscilando entre posturas mais centradas nos processos psicológicos e nos comportamentos educativos.
A palavra personalidade vem do latim persona, que na antiguidade greco-romana significava máscara usada no palco pelos actores de teatro.
Segundo Cloniger citado por PESSANHA (2012: 208), a personalidade pode ser definida como o conjunto das causas subjacentes do comportamento e da experiencia individual que existem dentro da pessoa.
A personalidade refere-se ao papel de comportamentos, modos de pensar e de sentir que permite distinguir uma pessoa da outra e que apresenta uma certa estabilidade ao longo do tempo. (AMÂNCIO 2001: 273).
Para MONTEIRO e SANTOS (2001), a personalidade diz respeito à forma como o indivíduo pensa, sente, se comporta e se relaciona, reportando-se a forma como vai interagindo, representando e significando as suas experiências com a vida. A personalidade torna o indivíduo único e, o mesmo tempo, permite a sua diferenciação face aos outros; permite que o indivíduo se reconheça e seja reconhecido, sendo ele mesmo no desempenho dos diferentes papéis sociais.
Assim sendo, a personalidade e, pois, um conceito integrador da acção humana, que se define e redefine na interacção constante entre a realidade interna do sujeito e as suas circunstâncias de vida. Apesar de suportar-se nas noções de coerência interna e de estabilidade, desenvolve-se desde o nascimento até à more, no confronto com as diversas tarefas do desenvolvimento. A personalidade caminha, desejavelmente, no sentido de uma crescente maturidade que caracteriza o indivíduo adulto e as suas formas relacionais, em que se salientam aspectos como a autonomia, a capacidade de comunicação interpessoal, a expressão das ideias e dos afectos e a construção de projectos da vida. PESSANHA (2012: 208).
A personalidade forma-se na conjugação dinâmica de diferentes componentes que interagem na experiencia do passado e do presente: elementos hereditários e congénitos, as experiências de relação precoce e o progressivo alargamento aos contextos familiares, social e escolar e, ainda, com a influência menos directa, mas também importante, de toda a conjuntura sócio cultural e política mais alargada. (ibid.).

II. FACTORES GERAIS QUE INFLUENCIAM A PERSONALIDADE

O debate acerca dos factores que influencia m a personalidade, desde o nascimento da psicologia como ciência, centrou-se nas influências de factores biológicos e hereditários, por um lado, e por outro, na importância das experiências de relação e de aprendizagem.
Monteiro e Santos, citado por Pessanha (2012), salientam fundamentalmente três ordens de factores: os hereditários, os de meio social e as experiências pessoais, sendo que a personalidade é produto da sua organização dinâmica. As influências destes factores são diferente nos indivíduos e nas diversas fases do ciclo da vida. O património genético do indivíduo define-se na sua singularidade fisiológica e morfológica.
As primeiras teorias d personalidade, designadamente as teorias dos tipos, enfatizam o papel dos factores biológicos e da componente hereditariedade na estrutura da personalidade, subestimando o papel do e das experiencias pessoais.
Dias Cordeiro (2002), numa abordagem preventiva sobre a saúde mental propõe (…) factores de suporte ou de equilíbrio para que se mantenha de ponto de vista psicológico. Estas condições são de natureza física-biológica, psicossocial e sociocultural e, que, o desenvolvimento saudável da personalidade exige um equilíbrio qualitativo entre elas.
1. Factores biológicos de equilíbrio – incluem o equipamento genético, a reactividade do sistema nervoso vegetativo e os mecanismos bioquímicos. Relacionam-se ainda com as condições de higiene antes e depois do nascimento, com os traumatismos e com as condições de nutrição, habitação, estimulação sensorial e física.
2. Factores psicossociais – visam a estimulação do desenvolvimento cognitivo afectivo, através da interacção pessoal ao nível do grupo familiar, do grupo de pares e de pessoas mais velhas. Manifestam-se essencialmente em três áreas: a área de satisfação e trocas afectivas; a área da vontade, ou seja a necessidade de limites e controlo que permite o equilíbrio entre o prazer e o desprazer, entre a satisfação e a frustração; e o domínio da participação em actividades conjuntas ao nível da comunicação.
3. Os factores socioculturais – dizem essencialmente respeito à estabilidade social (a insegurança e a instabilidade são factores de risco), à espectativa por parte dos outros em relação ao comportamento do indivíduo e aos valores da sociedade que irão, em larga medida, fixar o seu lugar, o seu valor e a sua vida na estrutura social. Assim, se uma pessoa pertence a uma minoria ou vive numa sociedade instável pode ver a sua oportunidade de evolução bloqueada e ter a sua saúde mental em risco. (Dias Cordeiro 2002)
Para concluir, a formação e o desenvolvimento da personalidade depende do equilíbrio dinâmico entre os factores hereditários, os do meio social e os factores relativos às experiencias pessoais. A concepção de uma personalidade saudável pressupõe a capacidade de adaptação às solicitações que surgem nas relações intra e interpessoais, isto é, nas relações que o individuo estabelece consigo mesmo e com os outros, e do contexto socioeconómico e cultural em que se encontra.

III. TEORIAS DA PERSONALIDADE

A teoria psicanalítica de Freud

A psicanálise é um método terapêutico das perturbações da personalidade e um corpo teórico explicativo da estrutura psíquico, da vida mental e afectiva. Esta teoria centra a explicação do comportamento em factores energéticos inatos e internos a própria pessoa, apresentando assim uma perspectiva intrapsíquica. A personalidade é orientada por forças pulsionais de origem inconsciente e marcadas pelas experiencias relacionais com as pessoas, significativas sobre tudo durante a infância. A experiencia clinica de Freud fê-lo valorizar os primeiros anos de vida na organização da personalidade e compreender o acesso ao mundo inconsciente das pulsões, dos desejos e dos conteúdos reprimidos, que explicam as perturbações neuróticas.
A formação da personalidade é, na perspectiva de Freud, marcada pelo desenvolvimento psicossexual ao longo das fases oral, anal, fálica e genital . Cada estádio constitui um patamar estrutural do psiquismo e do carácter do individuo, decorrente da estimulação da zona erógena em causa e da forma relacional particular que a criança estabelece com outro. Entra também em jogo a identificação que, na teoria psicanalítica, é um processo central na formação da personalidade, através do qual:
O sujeito se constitui e se transforma, assimilando ou apropriando-se, em momentos-chave da sua evolução, dos aspectos, atributos ou traços dos seres humanos que o rodeiam.
A abordagem psicanalítica de Freud procura compreender a organização e o desenvolvimento da personalidade, segundo uma dinâmica interna entre a vida pulsional e as exigências de adaptação ao mundo exterior, marcada pelas relações que, desde a primeira infância, o individuo estabelece com os outros.
Os aspectos da personalidade como a dependência, a baixa tolerância a frustração e a angústia de separação e de abandono, remetem para uma fixação ou para uma regressão a momentos mas precoces do desenvolvimento. Nesta fase, a relação com a figura materna (ou seu substituto) é determinante e organiza condições fundamentais para formação da personalidade, como a autoconfiança, a auto-estima e a capacidade de estar só.
Em conclusão, a personalidade forma-se e desenvolve-se a partir de disposições inatas do individuo, das relações e identificações as pessoas significativas, da forma como o ego gere os conflitos intrapsíquico e dos mecanismos de defesa que se desenvolve e privilegia.

A Teoria Psicossocial de Erikson

Erikson (1902 – 1994), era um psicanalista e a sua abordagem sobre o desenvolvimento da personalidade, entendida por conceito de identidade, é representada por três fases. Erikson começou os seus trabalhos como clínico durante a II Guerra Mundial, ocasião em que utilizou pela primeira vez a expressão Crise da Identidade. Tal expressão surge a partir de observação de pacientes que tinha perdido a noção de Identidade Pessoal e em grande parte o controlo sobre si mesmo.
Erikosn defende que a identidade começa a construir-se desde o nacimento e vai evoluindo até à morte, numa interacção recíproca entre o indivíduo e o ambiente imediato e as influências históricas e culturais. No entanto, a adolescência constitui um momento crucial, em que se verificam importantes modificações, tanto na personalidade do adolescente como na expectativa da sociedade. (PESSANHA, 2012: 217).
Segundo Erikson citado pro Pessanha, (2012), uma personalidade saudável é concebida pela capacidade do indivíduo dominar activamente o seu meio, pela posse de uma certa unidade de personalidade e pela capacidade de perceber correctamente o mundo e a si próprio. O desenvolvimento da personalidade depende muito da interacção com o meio.

Cada estatuto da identidade representa estilo diferente de lidar com as tarefas psicossociais:

1. Difusão da identidade
• O indivíduo não realiza qualquer investimento activo ou exploração. Se as questões foram levantadas, foram também abandonadas pela incapacidade de se resolver.
• Mostra padrões emocionais que vão desde a passividade e apatia à agressividade não focalizada.
• A resposta às pressões externas surge pela aceitação ou rejeição das normas sociais convencionais, sem apresentar formas alternativas.
2. Identidade outorgada
• Os indivíduos não passaram nem estão a passar por um período de exploração.
• Os investimentos são normalmente o reflexo de escolhas e projecto de outras figuras significativas ou de autoridade.
• A procura de alternativas é rejeitada, pois cria um conflito com as figuras de identificação e o indivíduo escolhe a segurança do não confronto.
• A sua identidade é como que outorgada pelas pessoas significativas.
• São indivíduos descritos como imperturbáveis, dogmáticos, autoritários e rígidos em relação às suas atitudes e intolerantes face às posições dos outros.
3. Moratória
• Os indivíduos estão a vivenciar um período de exploração de alternativas para tomar decisões.
• São descritos como sensíveis, ansiosos, flexíveis, vacilantes e emocionalmente instáveis.
• Respondem alternadamente com optimismo e pessimismo; evidenciam frustração e incerteza, manifestando grande necessidade de ultrapassar a situação moratória.
4. Identidade pessoal construída
• Os indivíduos passam por um período de exploração e realizam investimentos relativamente firmes.
• A identidade pessoal foi construída e reflecte sentimentos de confiança, estabilidade, optimismo em relação ao futuro e consciência das dificuldades de implementação dos elementos de identidade escolhidos.
Os estudos da identidade referem-se quer ao resultado na definição de si próprio, quer aos processos seguidos pelos sujeitos face a essa tarefa. Dizem, portanto, respeito ao modo de funcionar do Eu.
Uma identidade difusa organiza-se num indivíduo que não explora nem investe, permanecendo numa situação difusa face à sua existência; a identidade outorgada resulta da dificuldade em realizar um questionamento crítico dos projectos que lhe são atribuídos pelos outros e um trabalho de criação de projectos pessoais; permanecer na moratória consiste em questionar e explorar várias hipóteses para si mas sem nunca realizar uma escolha e um verdadeiro investimento; finamente, com uma identidade construída, o sujeito investe em projectos de permanente construção e de uma profunda capacidade para tomar decisões. As escolhas são acompanhadas por compromisso, isto é o indivíduo empenha-se em utilizar todos os seus recursos psicológicos no sentido de estimular os objectivos pretendidos.

A Teoria da aprendizagem social de Albert Bandura

Bandura (1925 – 1998) apresentou uma análise teórica da personalidade dentro da tradição das teorias da aprendizagem. Focou, particularmente, as variáveis cognitivas, considerando que a capacidade humana de pensar é central para a construção da personalidade.
Bandura, na sua teoria sobre a aprendizagem social, postula duas aprendizagens, a aprendizagem por observação e a modelagem, sendo a primeira resultante da interacção e da imitação social e a segunda resultante através de um modelo que serve de inspiração para a criança.
A teoria da aprendizagem social reconhece, na formação da personalidade, a importância do contexto social e das variáveis de natureza pessoal, como as espectativas, os valores, as competências, as aptidões, os hábitos culturais, etc..
Bandura defende a existência de um determinismo recíproco entre o ambiente, o comportamento e os factores pessoais (cognitivos, emocionais, etc.). Afirma que os comportamentos dependiam dos ambientes e das condições pessoais. Estas, por sua vez, dependiam dos próprios comportamentos e dos contextos ambientais, que se viam afectados pelos outros dois factores. A influência de cada factor era relativa, variando em função do indivíduo e da situação.
Bandura estabelece alguns factores pessoais que mais contribuíam para a auto-regulação do comportamento, sugerindo que a conduta humana era marcada pela intencionalidade e pelo reflexo:
1. Capacidade de representação simbólica (organização interna dos acontecimentos e sua relações em termo de representações abstractas);
2. Capacidade de previsão (capacidade de interpretar as situações e de agir em função do se julga que vai acontecer);
3. Capacidade vicariante (capacidade de aprender através da observação e da modelagem);
4. Capacidade de auto-regulação (capacidade para regular a conduta através do auto-reforço e da auto-avaliação);
5. Capacidade de auto-reflexão (diz respeito ao pensamento e a regulação cognitiva da acção).
Bandura considera que as pessoas têm um controlo significativo sobre o próprio comportamento, mas variam quanto à eficiência com que exercem esse controlo; umas exploram ao máximo o seu potencial, procurando circunstâncias de realização e de êxito, quanto outras realizam acções que dificultam o próprio sucesso. (PESSANHA: 2010).
Um conceito importante na teoria de Bandura é o sentimento de auto-eficácia; este sentimento pode ser diferente para domínios particulares do comportamento. Uma pessoa pode ter um sentimento de auto-eficácia elevada para um comportamento e baixa para outro.
O sentimento de auto-eficácia regula o comportamento do indivíduo, pois tem um papel importante na escolha das tarefas e nos esforço persistência na sua realização: determina se o comportamento será iniciado ou não, a quantidade de esforço despendido e permite prever a persistência d indivíduo face aos obstáculos e circunstâncias adversas.
Para terminar, Bandura afirma que a personalidade não é inata nem apenas determinada pelo meio, mas resulta do jogo de interacções e influências reciprocas entre o ambiente, o comportamento e os factores pessoais.

IV. A PERSPECTIVA HUMANISTA

A perspectiva humanista nas teorias da personalidade representa, segundo Maslow (1968, citado por Cloninger, 2003) , a terceira força determinada em lutar contra as disposições deterministas e segmentadas da Psicanálise e do comportamento.
O movimento humanista começou com um grupo informal de psicólogos, liderados por Abraham Maslow, fundador da Associação de Psicologia Humanista, em 1961. Entre os seus primeiros membros constam Carl Rogers e Hewnry Murray, autores cujas perspectivas serão abordadas de seguida.
Os princípios gerais da psicologia humanista, que de seguida se listam, decorrem do seu compromisso com a valorização do crescimento pessoal:
1. Salientam que cada pessoa é responsável pelo que ocorre na sua vida. Recusam a ideia de que as condições passadas determinam o presente.
2. Enfatizam o presente em detrimento do passado e do futuro.
3. Defendem os aspectos mais desenvolvidos e saudáveis da experiência humana, nomeadamente a criatividade e a tolerância, e do seu fomento.
4. Valorizam a experiencias subjectiva do sujeito. Por isso, esta perpectiva é, por vezes, denominada de fenomenológica.
5. Procuram mobilizar as suas descobertas para melhorar a condição humana.
O ser humano é, segundo esta perspectiva, considerado intrinsecamente bom, único e capaz de desenvolver as suas potencialidades.

A teoria centrada na pessoa de

Carl Rogers (1902-1987) foi uma das principais vozes do movimento humanista no domínio da psicologia. Ele acreditava que o ser humano, naturalmente bom, essencialmente motivado por um processo voltado para o crescimento que designava tendência para a realização.
Ao contrário do que defendia a psicanálise ele acreditava que o nosso comportamento numerosamente racional, avançando com uma complexidade subtil e ordenada rumo aos objectivos que o organismo esta empenhado em alcançar ( Rogers 1983 citado por Cloninger 2003: 461). Ou seja, os seres humanos são autónomos e capazes de se desenvolverem, de se afirmarem, de se diferenciarem, de se autodirigirem, de se responsabilizarem e de desfrutarem de um sentencial de crescimento pessoal e de uma orientação positiva.
Perspectivando a personalidade como sendo positiva, racional e realista, o autor concebeu uma teoria da personalidade assente numa racionalidade centrada na pessoa no seu potencial de crescimento.
Descreveu as características da pessoa com saúde mental, que ele designava de pessoa em pleno funcionamento esta pessoa:
1. Está aberta à experiencia receptiva aos acontecimentos subjectivos e objectivos da vida.
2. Revela uma tendência progressiva para viver cada momento com plenitude.
3. Tem confiança organísmica, isto é, confiança na experiencia interna para orientar a sua conduta.
4. Vivencia continuamente a liberdade de escolha.
5. Vive criativamente, isto é, não esta presta a padrões rígidos não adaptativos, mas encontra novas formas de viver de acordo com as situações e os momentos.
Uma pessoa em pleno funcionamento é capaz de se conhecer de se acreditar e de se transformar o que lhe permite resolver os problemas, avaliar-se a si próprio e as situações e orientar racionalmente a sua vida.
Baseando-se na sua experiencia clinica Rogers advogou três condições essências para o processo e o sucesso terapêutico:
1. Aceitação incondicional. A maioria das pessoas vivem contextos onde são impostas condições e aceites apenas determinados comportamentos, isto é, vivem contextos em que existe numa consideração positiva condicional. Na terapia pelo contrário aceitação e valorização da pessoa devem ser incondicionais. Esta atitude interpessoal, ao eliminar ameaça ao comportamento congruente promove a tendência para auto realização.
2. Genuinidade. É fundamentalmente que a terapia haja com congruência na interacção, isto é, deve ser autêntico. A congruência é contagiosa.
3. Empatia. O terapeuta deve ser capaz de compreender a experiencia do outro. Havendo empatia, o terapeuta compreende a situação do cliente, de modo que ele próprio é capaz de verbalizar sentimentos que a pessoa não for capaz de expressar. Sentimentos não reconhecidos ou escondidos podem, então, ser simbolizados.
Rogers defendia que sempre que é criado um clima terapêutico em que estas três condições estão presentes, pode se observar um resultado terapêutico positivo.

A teoria da auto-realização de Abraham Maslow

Maslow (1908-1970) censurava a psicologia pela sua concepção pessimista, negativista e limitada do ser humano ( in Hall et al., 2000). N sua perspectiva a psicologia detivera-se mais nas fragilidade do que na potencialidades humanas pretendendo, então, suprir estas lacunas, Maslow procurou investigar, pela positiva, as sua pessoas que se distinguiram pela auto-realização, em vez de estudar aquelas que não são preenchiam os seus requisitos.
Para este autor, é a hierarquia das necessidades- conhecida por pirâmide de Maslow- que esta na base da sua teoria da personalidade.
Maslow propôs, então, cinco níveis numa hierarquia de necessidades:
1. A fisiológica.
2. Segurança.
3. Amor e pertença.
4. Estima.
5. Auto-realização.
Cada necessidade deve ser minimamente satisfeita para que o individuo possa mover-se em direcção a uma necessidade superior.
Maslow observou e entrevistou amigos, colegas e estudantes universitários e analizou biografias de figuras proeminentes, como Abraham Lincoln e Albert Einstein, que considerava serem auto-realizadas. Atraves desses processos construiu uma lista com as principais qualidades das pessoas auto-realizadas (in Monteiro & Santos, 2001):
1. São criativos.
2. Possuem uma percepção ajustada da realidade.
3. Aceitem-se a si próprio, aos outros e ao mundo.
4. São espontâneos e despretensiosos.
5. Preocupam-se com os problemas do que consigo próprio.
6. Valorizam a solidão e a privacidade.
7. São autónomos.
8. Reagem com respeito aos mistérios da vida.
9. Vivenciam experiências supremas.
10. Identificam-se com a humanidade.
11. Têm relativamente poucos amigos, mas as suas realizações são profundas.
12. Partilham valores democráticos.
13. Têm um forte sentido ético.
14. Têm sentido de humor sem hostilidade.
15. Resistem à aculturação.
Embora potencialmente todos indivíduos possam aceder ao último nível, tal acontece raramente. Maslow atribuiu esta situação as más opções efectuadas pela maioria dos indivíduos.

INFLUÊNCIA DOS FACTORES SOCIAIS NA FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE

Nossa personalidade é resultado de factores fisiológicos e sociais. Os factores sociais mais importantes na formação da personalidade são: a família e a escola.

(1) A FAMÍLIA

Os pais e as condições do lar são determinantes na formação da personalidade do individuo nos primeiros anos de vida.
Nota-se os efeitos sobre as crianças pelo facto de terem crescido em ambiente de harmonia de conflitos e ainda em lares desfeitos a morte ou ausência de um dos pais influencia na distorção da personalidade da criança.
Por outro, a criança esta emocionalmente ligada a cada um dos pais, razão pela qual desavenças entre eles causam sérios conflitos em sua personalidade, pode apresentar comportamento anormal ou anti-social.
As crianças cujos lares são marcados por tensão e conflitos entre os pais, mostram-se emocionalmente inseguras, ciumentas, medrosas, choronas nervosas e incapazes de cooperar. Ao passo que as crianças criadas em lares calmos e felizes, mostram bom ajustamento emocional e comportamento de cooperação.

1.1-Relação entre pais e filhos

O modo como os pais tratam os filhos tem efeito sobre a personalidade destes. Muitos psicólogos consideram como factores importantes a superprotecção e a rejeição pelos pais.
A superprotecção manifesta-se pela aceitação da criança da criança acompanhada de intensas demostrações de amor e cuidado exagerado para com ela.
A superprotecção pode ser indulgente e dominante.
A indulgente – consiste na aprovação de todos os actos da criança, ela percebe que pode fazer o que quiser, pois está protegida.
A dominante-visa em dar assistência constante á criança, em todos os seus actos, não deixando que faça nada sozinha. Mesmo quando é maior não lhe é permitido tomar qualquer iniciativa. Os pais tomam todas decisões escolhem suas actividades, sem companheiros, suas roupas, querem que o comportamento de seu filhos seja perfeito por isso exercem controlo excessivo sobre ele.
Quando a criança sorte superprotecção indulgente, poderá tornar-se irreverente, teimosa e hostil mas ao mesmo tempo independente e dotada de muita iniciativa. Se for tratada com superprotecção dominante, se tornará polida leal dependente e dócil, porém acanhada e sem iniciativa.
A rejeição pode manifestar-se em diferentes intensidades: falta de atenção para com a criança, negligência no tratamento, escorraçamento físico e moral.
A delinquência resulta principalmente dos pais rejeitarem a criança e não do amor excessivo, que apenas encoraja a infantilidade e a imaturidade.
Punição excessiva quase sempre leva a revolta e possivelmente a delinquência, podendo também conduzir a submissão e ao retraimento acentuado por desvaneio e outros meios de fuga. Todas essas consequência são prejudicais ao desenvolvimento da personalidade.
Afectividade, apoio e cuidados dos pais são antecedentes decisivos para maturidade, a independência a competência a auto confiança e a responsabilidade das crianças. O amor e o apoio não são suficientes para assegurar o desenvolvimento de tais características impõem-se outros requisitos: comunicação adequada entre pais e filhos; uso da razão e não do castigo para conseguir obediência; respeito dos pais pela autonomia das crianças; estimulo a independência, individualidade e responsabilidade, controle relativamente firme e elevadas exigências para comportamento maduro. Interacções severas, mas não a disciplina cega e autoritária, facilitam o desenvolvimento pessoal e social, maduro (Paulo H. Mussem, citado por Célia Silva Guimaraes Barros).

(2)-Influência da escola

A escola desempenha um papel secundário que o do lar na formação da personalidade da criança. A escola que elas frequentam e o tipo de professores que têm, influenciam consideravelmente no seu crescimento intelectual, emocional social.

Os professores têm a difícil tarefa de enfrentar os problemas de personalidade e de conduta dos alunos, infelizmente a maioria dos adultos não está preparada para enfrentar essa tarefa.
Luton Ackerson, citado por Célia Barros, chama de problemas de conduta, aqueles que prejudicam o grupo social, como a agressividade, o furto, as ofensas sexuais, etc. As crianças que apresentam problemas deste género, se não forem convenientemente tratadas, poderão tornar-se adultos delinquentes. Ele chama de problemas de personalidade aqueles que embora possam não perturbar os outros prejudicam muito a própria pessoa, como a ansiedade, o ciúme, os sentimentos de inferioridade a timidez o isolamento o desvaneio excessivo. Essas crianças se não forem bem orientadas poderão tornar-se doentes mentais alienadas e entregues ao mundo fantasia.
Geralmente os professores consideram como problemas mais graves de conduta ao passo que não dão atenção ao aos de personalidade, chegando a considerar as crianças que o apresentam como “boazinhas”. Diversos psicólogos clínicos acreditam que o isolamento e a fuga da realidade são os mais sérios sintomas de desajustamento (Cecília S. G. Barros, Pontos de psicologia do desenvolvimento, p. 60)
Uma criança de inteligência lenta sofrerá muito não tentar atingir os padrões escolares. Se não receber atenção pessoal ou não for colocada numa classe especial, provavelmente reagira a sua incapacidade por meio de rebeldia ou pelo desvaneio, nestes casos sua personalidade será prejudicada.
Virgínia Leone Bicudo, citado por Célia Barros, diz que a escola deve orientar-se no sentido de cultivar no aluno a segurança interna, as expressões de afecto, iniciativas, interesses, senso de responsabilidade de cooperação. O professor deve ter consciência de que assume um papel importante na vida emocional do aluno. A principal missão da escola deve concentrar-se na educação e não apenas na transmissão de conhecimentos no ensino. A escola precisa ajudar o aluno a vencer suas dificuldades. Não deverá simplesmente eliminar os maus elementos pois a socialização destes também compete a ela.

BIBLIOGRAFIA

PINTO, Amâncio da Costa. Psicologia Geral. Universidade Aberta: (2001).
PESSANHA,M. BARROS, S. SAMPAIO, R. SERRÃO, C. VEIGA, S. e ARAÚGIO, Sérgio Costa. Psicologia da Educação. Segunda Edição. Plural Editora: 2012.
MESQUITA, Raul e Fernanda Duarte. Psicologia Geral e Aplicada 12º ano. Plátano Editora.

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