HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO – MANACORDA resumo

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Capítulo I

Sociedade e Educação no Antigo Egipto

Do Egipto nos chegaram testemunhos mais antigos e talvez mais ricos sobre todos os aspectos da civilização e, em particular, sobre a educação. Embora a pesquisa arqueológica a cada ano venha descobrindo provas de outras civilizações até mais antigas, ainda assim, para os povos que reconhecem sua origem histórica na antiguidade clássica greco-romana e nas posteriores manifestações cristãs que introduziram nela muitos elementos do Oriente Próximo, o Egipto está no início da sua história.

Platão, expressando uma opinião comum a outros escritores gregos manifestava sua admiração pela antiga sabedoria egípcia, quando reconhecia no deus egípcio Thoth.

“O inventor dos números, do cálculo, da geometria e da astronomia, sem falar do jogo de tabuleiros e dos dados e, enfim, das letras do alfabeto”

Ao estudarmos este capítulo, é importante saber primeiro, das diferentes etapas que caracterizaram a educação esta sociedade.

Assim começaremos por falar do Antigo Império.

  1. 1.       Antigo Império: A Literatura Sapiencial como Instituto Oratório.    

Como se sabe, a literatura sapiencial deste povo, era baseada de “ensinamentos” morais e comportamentais, que como podemos ver, similar a outras culturas do Oriente Próximo.

Os ensinamentos mais antigos, remontam ao período arcaico, anterior ao antigo reino de Mênfis para ser mais exacto, o primeiro destes data da 3ª dinastia i.e., no século XXVII a.C.

  • Contêm preceitos morais e comportamentais rigorosamente harmonizados com as estruturas e as conveniências sociais, ou mais directamente com modo de viver beneficiante as castas dominantes.
  • Os conhecimentos são sempre passados em forma de conselhos i.e. dirigidas de pai para o filho ou do mestre escriba para o discípulo insistindo na interrupta continuidade transmissão da educação de geração em geração.

Destacam-se como sábios desta etapa: Kares, Hergedef (Gedefor), Kheity, Neferty, Ptahemgiehuti, Ptahhotep, Khakheper-ra-seneb e Impotep. São os sábios que prediziam o futuro, pois o que saía das suas bocas se realizava.

Podemos observar qui o primeiro cronologicamente é o ensinamento para Kaghemni, escrito pelo pai, presumivelmente Kares, Vizir do rei Uni, da 3ª dinastia, entre 2654 e 2600 a.C.

O vizir então reúne seus filhos e diz-lhes que:

Tuto aquilo que escrevi neste livro, ouçam-no assim como o falei. Não negligenciem nada daquilo que foi ordenado. Então eles num sentido de respeito, prostram-se com o ventre no chão e recitaram em voz alta o que no livro estava escrito, e isto foi agradável aos olhos do pai.

  • Aqui temos a imagem de uma educação pedagógica dentro de uma educação mnemónica, baseada na escrita e transmitida autoritariamente de pai para o filho.

Muitos dos ensinamentos eram passadas de forma paradigmática:

“Se tu estiveres com um glutão começa a comer quando a vontade dele tiver passado. Se bebes com um beberrão, bebe só quando o coração dele está saciado.”

Ou ainda:

“Não te envaideças em teu coração pela tua força quando estás entre teus colegas. Cuidado para não ser desafiado!”

Em fim a moral geral:

                            “É impossível saber o que pode acontecer, e o que Deus faz quando castiga”

São como se vê, conselhos de sabedoria prática que, nas suas infinitas variações de acordo com situações particulares, podemos encontrar em outros ensinamentos.

Ainda podemos ver i. é. Na transmissão de valores de pai para filho, Hergedef (Gedefor), um príncipe régio, filho do rei Quéops II da 4ª dinastia 2600-2480 a.C.

“Emenda-te perante teus olhos. Cuida para que outros não te corrijam… Cria um lar: casa com uma mulher forte, dela nascerá para ti um filho macho. Constrói pra o teu filho uma casa. Torna sua morada ilustre na necrópole. Procure adquirir uma propriedade de campos que recebam a inundação.

Mais do que consciência interior, a moralidade parece dirigida às relações interpessoais.

Podemos ver também os ensinamentos de Ptahhotep, quando se dirige ao Faraó para pedir segundo os rituais da corte, que lhe ordene falar para deixar um ensinamento ao filho:

“Então disse o faraó ao Ptahhotep! Ensina-o antes de tudo a falar, de modo que possa valer de exemplo para os filhos dos nobres. Entra nele a obediência e toda rectidão de quem se fala.”

Note-se, porém, que este ensinamento do antigo Ptahhotep visa propriamente falar bem, e de modo algum escrever bem, embora a escrita já fosse instrumento essencial de cultura e já estivesse presente na perspectiva do ensinamento de Kaghemni. Mas a razão é esta:

O escrever é uma técnica material, instrumento de registro dos actos oficiais usado por peritos não necessariamente governantes; Ora, o falar se identifica com a arte do governo, que consiste em intervir nos conselhos restritos do poder e discursar às multidões para aplaca-las.

Vimos com isso, a intenção de Ptahhotep, em querer educar o futuro político ou, dentro da situação do antigo reino egípcio, o homem do Palácio.

Ante a educação de falar bem, é importante salientarmos a necessidade da obediência, no contexto social, visto que o obedecer está indissociavelmente ligado ao comandar. Aqui emerge a obediência:

“Se és um homem de qualidade, forma um filho que seja sempre a favor do rei…curvo as costas perante o teu superior, o teu superintendente no palácio real.

Num reino autocrático, a arte do comando é também, e antes de tudo, arte da obediência. A subordinação é uma das constantes milenares desta inculturação da qual, portanto, faz parte integrante o castigo e o rigor.

“Pune duramente e educa duramente!”

  1. A idade feudal: “os novos Charlatões” 

 

Também o 1º período intermediário, ou Idade Feudal, com suas quatro dinastias (7ª-10ª, de 2190 a 2040 a. C), mostrou-nos quer a continuidade quer algumas inovações peculiares da educação.

Portanto, neste período, verificamos a presença de indivíduos bem esclarecidos do ponto de vista académico, que emergem nesta idade com objectivos de assaltar o poder que a princípio não lhes diz respeito. Como sabemos, o poder no Egipto, era passado entre famílias nobres.

Nesta altura, verifica-se:

  • A independência dos senhores locais do poder régio;  
  • Institucionalização da educação tanto intelectual (o falar bem) como física (a natação) que tem a sua sede na corte ou palácio e é reservada aos príncipes régios e a outros jovens nobres.
  • Criação no palácio, de uma escola o “Kap” ou esconderijo, destinada para os não nobres e não destinados aos cargos políticos;
  • Apropriação da arte da palavra ou arte política, por parte das novas classes sociais não pertencentes a classes dominantes que foram denominados Demagogos ou ainda Charlatões.
  1. 3.       O Médio Império: o Escriba e os outros ofícios 

Aparecem nesta época, os escribas pessoas cujo principal ofício era a escrita. O Império Médio, começa no período tebano (11ª e 12ª dinastias, cerca de 2133-1786 a.C.). Neste período verifica-se portanto a valorização do livro de texto cujo uso torna cada vez mais frequente e generalizado.

  • Valoriza-se assim o uso da letra em detrimento da palavra, como vimos nos ensinamentos de Ptahhotep;

Como podemos ver numa das considerações: “ é Escriba aquele que lê as escrituras antigas que escreve os rolos de papiro na casa do rei, que, seguindo os ensinamentos do rei, instrui seus colegas e guia seus superiores, ou que é mestre das crianças mestre dos filhos de rei, que conhece o cerimonial do palácio e é introduzido na doutrina do rei faraó.”

  • Regista-se uma progressiva transformação da sabedoria em cultura, isto é, em conhecimento erudito e em assimilação da tradição com seus rituais.

O ofício do Escriba, consiste portanto, essencialmente em dar ordens e também em ser enviado como mensageiro, o que em geral significa transmitir ordens. Uma função de evidente prestígio e autoridade.

  1. 4.       O segundo período intermediário e o treinamento do guerreiro

 

Neste período intermediário – a época dos hicsos, da 13ª a 17ª dinastia (cerca de 1785 a 1580 a. C.), verifica-se a manutenção da tradição educativa e a apresentação de novos temas.

  • Manutenção da tradição educativa e a valorização dos livros como meio de aquisição da cultura e assimilação da sabedoria dos antigos e, como meio de instrução. 
  • Dá-se cada vez mais importância a escrita, aos livros, as bibliotecas ou casas de escritos e da escola ou casa da vida.
  • A preparação física se torna uma prioridade com vista a preparar-se para guerra.
  • A preparação de guerreiros é feita separadamente aos adolescentes.
  • A dança, a música e o desporto, aparecem como uma actividade física.
  1. 5.       O novo Império: generalização e consolidação da escola

 

Do novo Império nos vieram testemunhos não somente sobre a educação físico-militar, mas também sobre a instrução intelectual. Podemos considerar esta época como a da generalização da escola, pois nos fornecem uma quantidade das chamadas colectâneas escolares, isto é, textos e cadernos de exercícios, contendo hinos, orações, sentenças morais além de sátiras de ofícios e exaltações dos antigos escribas e do ofício de escriba. A tradição literária aparece como o grande património a ser assimilado e com que se identificar.

  • Neste período, como vimos, valoriza-se a educação físico-militar e a instrução escolar.
  • Atribui-se maior importância na escrita e nos livros, como podemos ver em algumas citações:

“O ensinamento é bom e não cansa”. Sê escriba: esse ofício salva da fadiga e te protege contra qualquer tipo de trabalho. Por ele evitas carregar enxada e a marra e dirigir um carro.”

Assim sendo, e tendo em conta a tamanha importância que o ofício do escriba tinha, eram punidos, ou seja castigados todos os que refutassem da ideia de estudar. Citamos:

“Não passes o dia na ociosidade, ou será surrado. As orelhas da criança fica nas suas costas e ela presta atenção quando é surrada.

“Disseram-me que abandonaste a escritura e ficas andando a toa. Deixaste a escritura e transformaste teus pés num par de cavalos …teu ouvido é surrado e tornaste como um asno que precisa ser punido.”

  • Também regista-se a Valorização do ensino da matemática e da geometria.
  1. 6.       O período demótico: testemunhos egípcios e gregos 

Neste período que remonta (1069-333 a.C.), verifica-se o início do ensinamento de vida, das lições de saúde… – já define o objectivo do ensino de maneira um tanto quanto diferente do antigo Ptahhotep, que não é mais o bem falar, isto é, a oratória política praticada activamente nos conselhos e nas assembleias, mas sim, todas as regras de tratar com os grandes e as normas das pessoas da corte. Trata-se não tanto de um manual político, mas de um manual de cortesia, para o uso de um jovem que, proveniente de classes subalternas deve assimilar os costumes dos grandes e preparar-se para a subalternação.

Vimos aqui a recomendação permanente de os da classe subalterna a serem submissos aos da classe da corte.

  • A utilização dos jogos infantis com o objectivo de aprender a matemática.
  • Os sacerdotes instruem os filhos também nas letras sagradas e em outras coisas que concernem os conhecimentos comuns, cuidando especialmente o estudo da geometria e da matemática.
  • O resto da multidão egípcia aprende dos pais e dos parentes, desde a idade infantil, os ofícios que exercerá na sua vida. Ensinam a ler e a escrever um pouquinho, não a todos, mas aqueles que se dedicam a um ofício.  

Capítulo II

Educação na Grécia.

Na Grécia encontramos, embora com características diferentes, aspectos da educação ligados ao Egipto, que nos foram transmitidos e interpretados pelos autores gregos como Platão, Heródoto, Diodoro de Sicília. Encontraremos antes de tudo, a separação dos processos educativos segundo as classes sociais, porém menos rígida e com um evidente desenvolvimento para formas de democracia educativa. Para as classes governantes uma escola, isto é, um processo de educação separado, visando preparar para as tarefas do poder, que são o “pensar” ou “falar” isto é, (a política) e o “fazer” a esta inerente (isto é, as armas); para os produtores governados, nenhuma escola inicialmente, mas só um treinamento no trabalho, cujas modalidades, que foram mostradas por Platão, são destinadas a permanecer imutáveis durante milénios: observar e imitar a actividade dos adultos no trabalho, vivendo com eles. E para as classes excluídas e oprimidas, sem arte nem parte, nenhuma escola e nenhum treinamento mas, em modo e em graus diferentes, a mesma aculturação que descende do alto para as classes subalternas.

A respeito, convém lembrar que a distinção de dominantes e dominados, passada em seguida para a nossa cultura, tem sua origem na escola pitagórica. Arquitas de Taranto escreve: “toda a sociedade é formada de dominantes e dominados: por isto, como terceiro elemento intervém a lei”. 

  1. 1.       As duas educações arcaicas

A educação homérica

 

Homero (em grego: Ὅμηρος, transl.Hómēros) foi um poeta épico da Grécia Antiga, ao qual tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada e Odisseia.

  • Aristocracia guerreira
  • Ideal de educação: formação
  • Cortês do nobre
  • Virtudes do guerreiro bom e belo
  • Ideal cavalheiresco = criança nobre (7 anos enviada ao palácio ou preceptores).
  • Os indivíduos das classes dominantes são guerreiros na juventude e políticos na velhice.
  • Exclusão dos dominados da arte política, que para já, considerada arte dos dominantes;
  • Combate aos “Tersites”, comparados a “charlatões” na civilização egípcia.

b) A educação hesiódica

Hesíodo (em grego: Ἡσίοδος, transl. Hēsíodos) foi um poeta oral grego da Antiguidade, geralmente tido como tendo estado em actividade entre 750 e 650 a.C., por volta do mesmo período que Homero. Sua poesia é a primeira feita na Europa na qual o poeta vê a si mesmo como um tópico, um indivíduo com um papel distinto a desempenhar. Autores antigos creditavam a ele e a Homero a instituição dos costumes religiosos gregos, e os académicos modernos referem-se a ele como uma das principais fontes para a religião grega, as técnicas de agriculturas, o pensamento económico (chegou a ser referido, por vezes, como o primeiro economista), a astronomia grega arcaica e o estudo do tempo.

  • Ensinamentos baseados em património de sabedoria e de moralidade camponesa, correspondente aos ensinamentos egípcios, mesopotâmicos ou hebraicos.

Os seus poemas “os trabalhos e os dias” constituem um testemunho excepcional de uma moral do trabalho, contra os poderosos e os prepotentes. Citamos:

“Quem vive sem fazer nada, deuses e homens o rejeitam como cólera. Ele assemelha-se, no seu comportamento, aos zangões que sem trabalhar consomem o fruto do fatigante trabalho das abelhas”. (Hesíodo)

  • Aquisição das técnicas, sobretudo as do governar mas também aso produzir.
  1. A educação no período clássico: ginástica e música

Na música e na ginástica está baseada, também no período clássico, a educação dos cidadãos em Creta e Esparta, consideradas durante muito tempo modelo de política e de educação por todos os conservadores gregos.

  • Educação = tarefa precípua do estado, confiada a um magistrado o “Pedónomo” ou legislador para a infância, realizada colectivamente;
  • Preparação dos adolescentes para as tarefas da vida adulta do cidadão, através da iniciação coral.
  • Aparição da escola de Pitágoras. Educação baseada em quatro graus: os acústicos – que tinham acesso a educação musical, com mitos, cultos e cantos religiosos, memorização de poesias, instrumentos musicais, dança e ginástica (desta educação faziam parte também Hesíodo e Homero), os matemáticos – que estudavam aritmética, geometria, astrologia e música; os físicos – que estudavam a natureza ou filosofia e; os sebásticos – eu eram introduzidos na ciência sagrada e esotérica.
  • Estabelecimento de certas leis, que responsabiliza-se os pais não só a ensinarem os seus filhos a ler e a nadar, mas também, a aprendizagem de um ofício para os pobres, e, para os ricos a aprendizagem da música e da equitação, além de praticar os ginásios, a caça e a filosofia.
  • Atenas – educação baseada na música com o mestre de cítara (kitharistés) e de flauta (haulétes), e na ginástica com o (paidotríbes).
  • Existência de escolas aberta ao público mas com educadores privados e não funcionários estatais.
  • Existência de pedagogos, cuja função, é, acompanhar as crianças à escola e em parte exercer a função de mestre, ou de repetidor para elas. O mestre é um escravo e em geral um estrangeiro. (século IV a.C.).
  1. 3.       A escola do alfabeto 
  • Permanência firme dos conteúdos e os fins da educação (musica, ginástica, não apenas os poucos dominantes, mas agora para todos os cidadãos livres). = Democracia.
  • Aparição de novas escolas; as escolas de escritas que se abrem tendencialmente aos cidadãos.
  • Surgimento entre os mestres de ginástica e de música, de um novo mestre, o das letras do alfabeto (o grammatistés), mas com menor autoridade, comparado ao escriba no Egipto, embora tendo exercido uma importante função social.
  1. 4.       A carreira Educativa e a Didáctica

Podemos agora acompanhar toda a carreira educativa da criança grega a partir da família, entrar em seguida numa escola e ver mais de perto seus ensinamentos.

Encontraremos com isso a participação activa da nutris, que, em substituição do nutridor masculino, se encontra na família não só para servir mas também para ajudar na educação dos filhos do patrão. Então Platão nos mostra:

  • Educações das crianças = a partir da tenra idade durante toda vida, os pais ensinam e admoestam seus meninos. Logo que a criança começa a entender, nutriz, mãe, pedagogo e o próprio pai, fazem de tudo para que ele se torne o quanto mais possível óptimo. Perante qualquer coisa que ele faça ou diga, a ensinam mostrando-lhe: este é justo e aquele é injusto; este é bonito e aquele e feio; este é santo e aquele é ímpio; isto se deve fazer e aquilo é proibido. Se ela obedece de boa mente, tudo bem; se não obedece, é endireitada com ameaças e pancadas, como se fosse um lenho curvo e retorcido.
  • Em seguida, entregam-na aos mestres, recomendando-lhes que cuidem do bom comportamento da criança mais do que do ensino das letras e da crítica. E quando as crianças já começas a entender as letras, faladas primeiro e de seguida as letras escritas, são colocadas na frente, sobre um acento para que eles leiam os versos do melhores poetas.
  • As crianças são enviadas também ao mestre da ginástica, para que, sendo seus corpos fortes, obedeçam melhor, como a voz dos remadores, às boas disposições da inteligência e não se tornem fatalmente covardes, quer em guerra quer em outras acções, pela fraqueza de seu corpo.
  • Depois terem deixado os mestres, a cidade os obriga a aprender as leis e a viver segundo seu modelo, para que não se comportem segundo seus caprichos.

Resumindo a educação da criança se processava de seguinte modo:

  1. Primeiro, pais, nutriz e pedagogo;
  2. De seguida, a figura do gramático (o homem que se responsabilizava na instrução das letras);
  3. A seguir os gramáticos, o citarista e o pedotriba, em escolas privadas abertas ao público;
  4. E finalmente, aos cuidados da cidade, a aprendizagem das leis, isto é, dos direitos e deveres do cidadão. Esta é a carreira educativa nas escolas de Atenas em particular e, presumivelmente, também nas outras cidades. (Testemunho de Platão)
  1. 5.       Os conteúdos e fins educativos.        
  • Molo principal do ensino – baseado no (“dizer” = discurso ou oratória), no (“fazer”= as obras e os ofícios) e no (“pensar”= o conhecimento das coisa).
  • Quanto aos fins desta educação, digamos que, visava criar um homem capaz de responder as próprias necessidades, a necessidades da boa cidadania, a criação de um homem politicamente esclarecido e em fim de um homem que tenha as capacidades de pensar, fazer, e dominar.
  1. 6.       Os docentes: grammatistés (letras), grammaticós (gramática), rhétor (oratória)

Voltamos a problemática da escola e dos seus personagens, onde encontramos dentre os vários protagonistas desta educação começamos pelo menos ilustre e mais característico, o grammatistés, o mestre do bê-á-bá.

Aqui podemos encontrar a figura do mestre como pessoa decaída, como mendigo sem salário nem condições dignas.

  • Os gramáticos e os pedagogos eram tidos como homens assalariados, obrigados, na sua escravidão voluntária a se submeterem a todas as humilhações e vexames por parte dos patrões.
  • O pagamento do salário do pedagogo, dependia do encarregado de educação, neste caso, o patrão, que muitas vezes não pagava quando este notasse que as progressões não são as esperadas por parte do filho.
  • Ensinar não pela arte, mas sim pela educação. – Talvez sejam estes os motivos que levaram os patrões a não pagarem os grammatistés e os pedagogos.
  1. 7.       A difusão da escola e do ginásio
  • Evolução da escola graças a contribuição financeira de particulares, de cidades ou de soberanos e, a sua transformação em escola do estado.
  • Discussão em torno da educação (instrução) sobre a possibilidade de ser tarefa do estado (séc. V).
  • A instrução se torna tarefa do estado, e são beneficiadas não só as crianças livres, mas também as meninas, os pobres até os escravos. (Atesta Plutacro, no de liberas educandis (8 c) e Ateneu (262 b).
  • Mesmo com a escola sob tutela do estado, continuará a miséria dos mestres e a renitência em pagá-los. Libânio
  • Na ginástica – realização das olimpíadas juvenis.
  1. 8.       A aprendizagem.

A aprendizagem e a arte do trabalho se constituem como o terceiro aspecto da formação do homem.

  • Valorização das artes manuais-produtivas como valor de sua aprendizagem.
  • Dá-se primazia a instrução profissional, antes considerada arte servil.

Para se ter entender o quanto a formação profissional era tão importante, vejamos algumas declarações de Plutacro na “Vida de Marcelo”:

“Considerarei como meu pai aquele que me iniciou e foi meu mestre nesta arte…

Considerarei como meus irmãos os seus filhos… e farei partícipe dos meus ensinamentos tanto os meus filhos como os filhos do meu mestre”.  

 

Resumo Final da educação na Grécia

 

Educação Grega

  • Contexto Histórico:
  • Origem: civilização que se desenvolveu no início do 2º milénio a. C., formada por diferentes povos.
  •  Não formava unidade política = regiões autónomas = cidades-estado = ainda assim civilização!
  • Se diferenciam dos povos bárbaros = chamavam sua pátria de Hélade e a si mesmos de helenos (Hélade = pátria; Helenos = povo).
  • Se estabelece, primeiro, em regime de comunidade primitiva
  • Depois, formam uma aristocracia militar = figura do guerreiro é muito importante
  • Séc. VIII – VI a. C. = grandes transformações sociopolíticas com as cidades-estado (escrita, moeda, lei, Pólis).

 

 

Período Helenístico:

 

Séc. III – II a.C. = decadência política (conquistada, levando à fusão das culturas = cultura helenística).

A educação homérica

 

  • Aristocracia guerreira
  • Ideal de educação: formação da cortês do nobre
  • Virtudes do guerreiro bom e belo
  • Ideal cavalheiresco = criança nobre
    • (7 anos enviada aos palácios ou preceptores).

A educação espartana

  • Valorização das actividades guerreiras.
  • Educação: severa para formação militar; corpo valorizado
  • Criança até os 7 anos = família
  • Após 7 anos = Estado (educação pública e obrigatória)
  • Até 12 anos = actividades lúdicas
  • Jovens = verdadeiro treino militar com educação moral

A educação ateniense

 

  • Atenas = centro de cultura!
  • Concepção diferente de Esparta.
  • Educação: formar o cidadão da Pólis (educação física + formação intelectual)
  • Ensino – iniciativa particular
  • Meninas: permanecem no lar
  • Meninos: educação física, musical, alfabetização = formação integral
  • Pedagogo (‘aquele que conduz a criança’) levava a criança à prática de exercícios físicos.

A educação no período helenístico

 

  •  Decadência das cidades-estado (fim do séc. IV a.C.).
  •  Cultura helénica se funde à cultura das civilizações dominantes, formando o helenismo.
  •  Educação geral/ enciclopédica.
  •  Sete artes liberais: gramática, retórica, dialéctica (humanísticas) e aritmética, música, geometria, astronomia (científicas).

Capitulo III

Educação em Roma

 

Em Roma a educação moral, cívica e religiosa, aquela que chamamos de inculturação às tradições práticas, tem uma história com características próprias, ao passo que a instrução escolar no sentido técnico, especialmente das letras e quase totalmente grega. Com as palavras de Cícero podemos dizer que:

As virtudes (virtutes) têm sua origem nos romanos, enquanto que a cultura (dotrinae) nos gregos.

Isto significa dizer que, a cultura romana foi uma cultura importada.

  1. 1.       Educação na família 
  • A criança recebe a sua primeira educação na família com a mãe, isto é, dos 0 aos 06 anos, e por sua vez, após completar os seus 07 anos, o pai dá sequência treinando-o especialmente nos exercícios físico-militares.
  • A educação tinha três finalidades: a actividade militar, a jurisprudência, e a eloquência. Ao longo da educação da criança e, de acordo a inclinação que cada um apresentava ou manifestava, eram encaminhadas para então serem educadas de acordo a esta característica.
  • O estado romano havia confiado a educação infantil aos pais, onde desde o aleitamento até aos 06 anos, a criança recebia educação da mãe e, a posterior a responsabilidade do pai, onde aprendia o saber e as tradições familiares e da pátria, e especialmente treinadas nos exercícios físico-militares.
  • Participação activa dos gregos na educação das famílias romanas.
  • Resistência romana a educação grega, com objectivo de salvaguardar a sua cultura, pois que os gregos eram portadores de uma cultura que para os romanos era considerada estranha, o ensino era diferente ao de Roma, e ainda pelo facto de os gregos serem escravos (orgulho).
  • Estabelecimento de normas para a literatura. Os escravos (estrangeiros) gregos são proibidos a escreverem textos em forma de prosa, e aos romanos proibidos de escrever poesia, pois que para eles a poesia era actividade dos escravos, que, a usaram para revindicarem. Ao estrangeiro não seria permitido escrever sobre história e direito ou texto que falassem sobre a política. “A arte poética não era honrada”.
  • Os níveis escolares eram organizados em três níveis, chamados pelo Apuleio de “Taça das Musas”: a primeira taça é a que era ministrada pelo mestre onde era ensinado o bê-á-bá, que era considerado como o primeiro paço, que tinha como objectivo de liberar o indivíduo do analfabetismo; A segunda taça, era ministrada pelo gramático, que fornecia a instrução; e a terceira taça era ministrada pelo retor, que dava as práticas da eloquência.
  • A figura do mestre era vista com desprezo, sendo mesmo considerada como a mais miserável profissão que existia na altura. Vimos por exemplo Floro no II d. C., vive tais situações, quando num dos seus passeios, encontra-se com um dos seus admiradores, que lhe pergunta, de que vivia, tendo ele respondido que, vivia ensinando as letras do alfabeto. O interlocutor exclama: Ho coisa indigna! E com que ânimo consegues suportar sentar na escola e ensinar as crianças? Mas também é importante realçar que estes mesmos mestres com a profissão mísera, eram os mesmos que também tinham a condição de rei.
  • Relação entre a escola e o estado. – Quanto a isso, partimos do ponto de vista de que a escola tanto de gramática como de retórica, era para as classes privilegiadas, afectos ao estado. Por esta característica de ser uma escola para as calasses dominantes, ela torna-se de interesse público, conseguindo assim o apoio direito do poder político (estado).
  • A educação física era considerada como o mais importante aspecto da formação do homem. Tinha como principal finalidade, preparar o futuro cidadão para o uso das armas na defesa da pátria. Também servia de preparação dos jovens a vida militar.

Resumo final

Contexto histórico:

  • Remonta segundo milénio a.C., povoada por povos chamados de itálicos.
  • Ocupam as colinas do Lácio, onde mais tarde é fundada a cidade de Roma.
  • República (509 – 27 a.C.): Luta entre patrícios e plebeus; Camadas da plebe enriquecem (comércio) – direitos; Nova aristocracia: não mais de nascimento mas pela riqueza);
  • Plebeus pobres continuam à margem do processo político;
  • Grande expansionismo militar;
  • Transformação da cultura devido à influência do helenismo;
  • Expansão do comércio / enorme máquina burocrática – Direito Romano;
  • Surgimento do cristianismo;
  • Decadência do Império (séc. II d.C.);
  • Onda de invasões – Guerreiros bárbaros;
  • Em 395 é dividido em Império Ocidental (Roma) e Império Oriental (Constantinopla).

Educação heroico-patrícia

  • Educação visava perpetuar valores da nobreza de sangue e cultuar os ancestrais familiares.
  • Meninas (7 anos): com as mães – aprendem serviços domésticos
  • Meninos (7 anos): assumido pelo pai – educação – consciência histórica e patriotismo;
  • Cuidar da terra; ler, escrever e contar;
  • Manejo das armas, luta; preparação do guerreiro.
  • 15 Anos – assuntos públicos e privados – praça central – civismo;
  • 16 Anos – função militar ou política – carácter moral e menos intelectual.

Educação cosmopolita

 

  • Na República – outro tipo de educação
  • Escolas elementares particulares: ler, contar e escrever; mestres mal pagos
  • Séc. III e II aC – aprendizagem do grego; educação bilingue; escolas dos gramáticos (12-16a); clássicos gregos e disciplinas reais (geografia, aritmética, geometria, astronomia) – educação enciclopédica.
  • Escola do retor: retórica – discursa (política, direito e filosofia) – educação aristocrática.

Educação dos plebeus e patrícios

  • Os cidadãos livres se dividiam em patrícios e plebeus.
  • Patrícios eram os descendentes das famílias dos antigos chefes tribais. No início da República, eles constituíam a classe dirigente = aristocratas de nascimento – sangue nobre.
  • Plebeus não tinham linhagem aristocrática e não possuíam direitos políticos = não tinham linhagem nobre.
  • No século III a.C., após as guerras, surgem novas camadas sociais: plebeus enriquecidos (comércio).
  • A organização social já não se estabelecia em função do nascimento, mas sim da riqueza.

Plebeus começam a exigir a educação aristocrática dos patrícios.

 

Pedagogia Romana

 

  • Modelo = papel de romanização e unificação atribuído à escola = classes dirigentes
  • Perpetuam Roma enquanto império – desenvolvem concepção de império
  • Período de decadência: educação cristã – teólogos adaptam textos clássicos à ‘verdade’

Capítulo IV

A Educação na Alta Idade Média

No início do século VI, verificam-se fenómenos políticos significativos. Verifica-se no entanto, a implantação firme de alguns reinos romano-bárbaros em territórios do império do Ocidente, onde a única autoridade política autenticamente romana é a Igreja e especialmente o Papado.

Do outro lado, o império Oriental conserva ainda a sua unidade e a sua força, o que lhe permitirá tentar a reconquista do Ocidente. Nesta idade, regista-se três centros de poder (o poder Ocidental, Religioso (igreja católica – Papa) e o poder Oriental, tão diferentes entre si, que se enfrentarão numa complexa luta ideológica e militar.

 

 

 

 

 

  1. 1.    DECADÊNCIA DA CULTURA CLÁSSICA

 

– A INSTRUNÇÃO

No que concerne ao campo da instrução, verificam-se dois processos paralelos: O gradual desaparecimento da Escola Clássica e a formação da Escola Cristã na sua dupla forma de escola Episcopal (do clero secular) nas cidades, e de escolas cenobítica (do clero regular) nos campos. Nesta altura regista-se o decréscimo a nível cultural, quer por parte dos Bárbaros, quer entre os homens da Igreja, como entre os representantes do Império.

Não obstante a isso, é importante aqui realçar que, o costume bárbaro resistira aos atractivos da cultura romana, exaltando em contrapartida, tradicionais virtudes militares.

Na idade média, a preocupação do conhecimento das letras era evidente. Com isso, no Concílio de Cartago (400 d.C.), sãos proibidos os analfabetos a aspirarem às ordens sagradas. Trinta anos mais tarde, o papa Gelásio I voltou a decretar que não “seja admitido ao sacerdócio quem não conheça as letras ou tenha algum defeito físico”. 

E quanto aos monges, São Ferréolo admoestará: quem quiser entrar na vida monástica, terá que conhecer as letras. Apresar desta preocupação de se conhecer as letras, Cassiodoro afirma que no sínodo romano de 499, havia bispos que não sabiam assinar até o seu próprio nome.

Pra se assinar um documento, foi criado um instrumento num pedaço de madeira gravadas a forma de quatro letras que em latim significam tenho lido (LEGI), em seguida, molhando em tinta a pena com que os soberanos costumavam escrever, colocavam-na na mão do imperador onde pressionado o pedaço de madeira no papel guiavam-na ao redor da marca das letras fazendo passar a pena a todos os entalhes da madeira.

  • As escolas de artes liberais tiveram, pelo menos na Itália, os seus últimos esplendores sob Teodorico, que interviera em seu favor;
  1. 2.         A escola cristã

No dualismo Estado e Igreja, o poder imperial e os seus cuidados pelas escolas ficaram enfraquecidas, mas os aspectos administrativo-culturais do domínio ficaram em parte nas mãos de romanos, organizados em sua igreja. E é justamente por obra da igreja, como parte de suas actividades específicas, que cultura e escola se reorganizam.

  1. 3.         As escolas nos bispados e nos papados 
  • Os concílios de Toledo – Espanha, e Vasin – França, sugerem que os adolescentes, atingida a idade de dezoito anos, tenham liberdade de optar entre o matrimónio e o sacerdócio.
  • Distinção de quatro espécies de monges, no início de Prólogo por Bento: os cenobitas, que vivem em comum sob a mesma regra; os anacoretas, qua o cenóbio enfrentam a experiência da solidão; os sarabaitas, que viviam sem regras, sozinhos ou em pequenos grupos; e os errantes que andam procurando hospitalidade por alguns dias nos mosteiros, sempre andando e nunca e nunca se fixando num lugar.
  • Regista-se bastante rigidez na educação das crianças, ao que se chamou de “sadismo pedagógico” motivado pela influência do cristianismo, no temor ao pecado. Ao canto das orações, nenhum adulto poderia errar. Citamos: se um adulto, ao recitar o salmo, responsório, antífona ou lição, errar e não se humilhar, ali mesmo diante de todos, com uma penitência seja submetido a uma pena mais severa, porque não quis corrigir-se humildemente do erro.
  • Valorização do trabalho de leitura;
  1. 4.    A nova cultura escolástica

 

Pode-se dizer, consideradas as iniciativas educativas do clero secular e do clero, que mudaram os conteúdos, e que dos clássicos da tradição helenístico-romana passou-se para os clássicos da tradição bíblico-evangélica.

A cultura que os cenóbios ofereciam aos oblatos e aos monges, e que os bispados e as paróquias ofereciam aos clérigos, era bem pouca cisa, embora edificante, em confronto com a antiga cultura clássica: salmos e Sagradas Escrituras, a lei eclesiástica e alguma lendária vida de santo. No entanto, esta nova “instrução concreta” não podia prescindir de uma preparação formal no ler, escrever, e contar, embora em um nível muito baixo do tradicional.

Os demais reinos romano-bárbaros ou bárbaros, passam por um processo de acomodação e ajustamentos com várias consequências culturais, desde o renascimento clássico na Espanha até uma nova cultura cristã-bárbara, com quase nada helénico-romano, na Inglaterra; finalmente, o avanço árabe no Mediterrâneo assinala um ponto irreversível e um desenvolvimento totalmente diferente de povos e culturas. A Itália, cuja população terrivelmente reduzida se empobreceu e barbarizou, não será mais, por quase dois séculos, nem mesmo para a sua parte romano-bizantino, um centro sobrevivente da cultura antiga e nova.

  1. 5.    As Escolas canónicas urbanas 

 

Ao lado desta reelaboração cultural, está se efectuando uma outra revolução através da abertura de uma nova cultura a crianças de classes sociais subalternas, anteriormente segregadas.

  • Dá-se com isso, oportunidade às crianças de origem humilde, frequentemente escravos, de ultramar resgatadas pelos conventos;
  • A instrução de novos membros que saibam dirigir as igrejas a eles confiadas;
  • Criação de novos mosteiros e a sua difusão por todo ocidente;
  • Predomina-se o ensino baseado em interesses religiosos;
  • Dá-se muita atenção a comportamentos morais e a instrução;
  1. 6.    A época carolíngia: a escola entre papado e império

No final do século assistimos a uma consolidação das sociedades que surgiram do encontro de romanos e bárbaros germânicos e também a um grande despertar no campo da cultura e da escoa. Centro deste processo, que acelera e amadurece uma evolução já em acto, é a dinastia carolíngia do reino franco, protagonista daquela renovação que repõe os territórios de cultura latina como potência euro-mediterrânea ao lado do império romano-bizantino e dos árabes.

  • Verificam-se grandes intelectuais, alguns italianos (ou melhor, lombardos e latinos) como Pedro de Pisa, Paulo Diácono, Paulino de Aquileia outros da periferia norte-ocidental de onde vieram Colombano e Beda, entre os quais o inglês Alcuíno, discípulo de Beda;
  • O poder estatal assume a instrução em geral e a formação do clero em particular como actividade de sua responsabilidade;
  • Revalorização da cultura literária descendente da cultura clássica;
  • A igreja continua com a função de formação e instrução dos leigos, construindo-se escolas com características das estatais;
  1. 7.    Experiência de vida numa escola cenobial 

Quanto a disciplina e ao conteúdo dos estudos nestas escolas falaram-nos Chrodegango e Paulo Diáccono. Dá-se maior atenção a aprendizagem de salmos, música, canto, cálculo, gramática, letras (ler e escrever) as artes liberais do trívio e do quadrívio e dos dogmas sagrados.

  • Dá-se valor na especialização dos alunos onde eram separados em grupos, isto e, os que lêem os livros, os que executam o canto, e os que estudam a escritura. Tinham mestre especializado para cada um destes grupos.
  • O ensino aparece mais do tipo global, sem particularidades, usando as técnicas catequéticas, onde o mestre controlava o desenvolvimento do seu discípulo.
  1. A educação física e guerreira

Na alta idade média, a educação física e guerreira aparece com como sempre foi no Egipto, na Grécia e na Roma, uma actividade imperial para a formação educativa da sua sociedade.

  • Aparecem escolas onde que os jovens são educados nas artes militares e na disciplina da corte, formando no dizer e no fazer do domínio.
  • Educação particular em que predominavam a caça, a equitação e o conhecimento das regras da corte e das leis do estado que, por isso era realizada colegialmente no corpo dos fiéis ao rei.
  1. A preparação para os ofícios artesanais

 

A decadência das capacidades produtivas na sociedade romana é incontestável; mas é também evidente que não desapareceram totalmente as habilidades próprias dos vários ofícios, pelo menos dos principais: cultivar a terra, construir casas, trabalhar o ferro a madeira, a madeira e assim por diante.

  • Dá-se prosseguimento as diversas artes; desde a agricultura até o artesanato.
  • Existência de negociadores ou artífices: ourives, pintores, caldeireiros, alfaiates, saboeiros, artífices do cobre, além dos mestres famosos na história da arte. Estes artífices aparecem divididos em mestres e discípulos.

A educação na idade média

 

  • A Idade Média teve início na Europa com as invasões germânicas – bárbaras, no século V, sobre o Império Romano.
  • Essa época estende-se até o século XV, com a retomada comercial e o renascimento urbano.
  • Caracteriza-se pela economia ruralizada, enfraquecimento comercial, supremacia da Igreja Católica, sistema de produção feudal e sociedade hierarquizada.
  • Prevaleceu na Idade Média as relações de vassalagem e suserania.
  • Todos os poderes jurídicos, económicos e políticos concentravam-se nas mãos dos senhores feudais, donos de lotes de terras (feudos).
  • A nobreza feudal era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses. O clero tinha um grande poder.
  • A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura.
  • As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia feudal.
  • O feudo era a base económica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder.

Capítulo V

A educação na Baixa Idade Média

 

  • Pressão de Roma por bárbaro, húngaros e eslavos a leste e por Árabes ao sul e por consequente a descentralização do poder e desagregação do domínio territoriais;
  • A igreja romana perde parcialmente a sua autoridade, mas permanece como principal fonte de instrução;
  1. 1.       A Igreja

 

  • Desaparecimento total das escolas régias instituídas por Lotário na Itália e exigidas pelos bispos na frança;
  • As escolas paroquiais, cenobiais e episcopais sobrevivem não obstante a letargia;
  • Nas escolas do clero, regista-se a transferência das tarefas de mestre dos bispos e párocos para a escolástica (scholasticus) ou magischolas;
  • Aos magischolas se dá o poder de formarem os seus substitutos a que se chamou de proscholus,. Regista-se a simonia por parte dos magischolas que vendiam o saber aos proscholaus; 
  • Em 1079, Gregório VII reconfirmava aos bispos de fazer ensinar em suas igrejas, as artes liberais.
  • Nas igrejas catedrais, os mestres são obrigados a ensinar gratuitamente. Citação a igreja como piedosa mãe, tem a obrigação de prover a educação dos pobres, que não podem ter o apoio dos pais, para que não sejam privados da oportunidade de ler e progredir no estudo. Esta escola seja também nas demais igrejas e mosteiros. Para a licença de ensinar, não se exija nenhum pagamento; nem os que ensinam devem exigir remuneração a quem ele está ensinando.

Trinta anos mais tarde, isto é, em 1215, o novo consílio Lateranense, convocado pelo Papa Inocêncio III, confirma este compromisso: dispõe que a eleição do magischola seja feita pelo bispo e seu cabido, e que o ensino seja obrigatoriamente gratuito.

  1. 2.       Mestres livres e universidades

 

Paralelamente ao surgimento da economia mercantil das cidades e a sua organização em comunas, um novo processo se introduz na instrução com o aparecimento dos mestres livres que, sendo clérigo ou leigo, ensinam também os leigos. Munidos da licentiadocendo (licença docente) concedida pelo magischola, ensinando fora das escolas episcopais e frequentemente, para evitar concorrência, fora dos muros da cidade, eles satisfazem a exigências culturais das novas classes sociais. A Itália parece ser o centro deste desenvolvimento. Na Germânia, já em 1041, Wippone exortava o imperador Conrado a seguir o exemplo da Itália, onde – dizia – todos os jovens são mandados a suar nas escolas.

  • Os mestres livres aparecem exercendo a função de ensinar sem pedir quais quer quantia monetária.
  • Os mestres livres ensinam especialmente as artes liberais do trívio e do quadrívio. Mas por outros lugares, aparecem escolas livres de outras disciplinas.
  • No seculo XIII as universidades se consolidam e se difundem por toda europa. Nesta altura, os Dominicanos dicam-se particularmente a teologia, criando centros de estudo em conflito com os públicos; e os franciscanos, destacam-se particularmente nas artes liberais.
  1. 3.       Clérigos vagantes e goliardos(frequentadores de taberna)

Os estudantes ou clérigos, novos e diferentes herdeiros dos gyrovai, condenados por são Bento, não deviam ser hóspedes. O nome que merecem – goliardos (talvez de Golias, o gigante filisteu, símbolo de satanás), – mostra quanto, pelo menus alguns deles, dedicaram seus anos universitários mais a divertimentos licenciosos do que aos estudos sérios, aproveitando a licença, obtida ou arrancada, para afastar-se de seus mosteiros.

Estes clérigos constituem associações, societatesscholarium, que, em seguida, tornaram-se universidades, isto é, a semelhança de outras corporações de artes e ofícios, associações juridicamente reconhecidas.

Nas relações com os seus mestres, os alunos tinham fortes poderes: de facto, eram os próprios estudantes, através de seus representantes encarregados das escolas, que os pagavam.

  • Vagantes honestos ou goliardos, encontram apoio no imperador Frederico I barba-roxa em 1158.
  • Características específicas – vagabundos, mendigos e ociosos (preguiçosos)
  • Em função do interesse imperial, um ano depois, isto é, em 1159, o papa Alexandre III, através de uma carta ao abade de são Remy, apressa-se em reconhecer os direitos adquiridos pelos escolares.
  • São privados de todos os privilégios sacerdotais.
  • Aos reitores deu-se a responsabilidade de governar as universidades e de fiscalizar a qualidade de livros e a sua venda.
  1. 4.       A universidade e a escola vista por dentro

 

Os estudos universitários, consideram-se contudo, o apogeu de qualquer estudante. Vimos no entanto Odofredo, a dar seu testemunho sobre o valor de terminar uma universidade.

Mas também vimos o mesmo Odofredo em pensar no futuro não dar aulas extraordinárias em função da fraca remuneração por parte dos estudantes.

Os estudos universitários não obstante ser autónomo a igreja, continuará ser a igreja o principal fiscalizador, tendo assim a grande responsabilidade na examinação dos alunos.

Nas escolas medievais de nível inferior:

  • As crianças inicialmente aprendiam o a,b,c, em seguida a pronunciar as silabas e a ler e, em fim, a entender o sentido de cada parte do discurso.
  • Grande parte do ensino se efectuava em forma catequética, isto é, em forma de diálogo entre mestre e o discípulo (naturalmente em latim).
  1. 5.       Utopias escolares – a era da imaginação

 

As escolas conhecem nessa altura os momentos imaginários. Os momentos em que as pessoas começaram a sonhar com escolas mais organizadas e bem estruturadas com relação as existentes.

Vimos com isso Ugo de são Vitor no séc. XII, que sonhava ver uma escola de pessoas que realmente pudessem realmente estudar; Ver uma multidão de pessoas de diversas idades – crianças, adolescentes, jovens, anciões – e de diversas ocupações a estudar.

Vimos também Boncompagno de Signa mestre de Arsdictandi, sonha com um edifício escolástico, que nunca existiu, mas espera que um dia venha a existir.

Um edifício para a instrução escolar seja construído em lugar livre de ao puro.

  1. 6.       A educação cavaleiresca.

Nesta época, a antiga educação guerreira torna-se educação cavaleiresca, isto é, assume também aspectos intelectuais naturalmente diferentes da ciência dos clerici, embora fazendo parte da mesma cultura – e reveste de gentileza seus costumes. 

  • Aculturação espontânea e também institucionalizada ao modo de vida dos castelos e das cortes.
  • Preparação para as técnicas de guerra e da política segundo as tradições, onde após os primeiros cuidados da mãe e da nutriz, passa sob tutela de um adulto, onde os meninos dos nobres eram agrupadas e treinadas em jogos de valentia (com bolas ou varas, arremesso de pedras, manejo de armas e o cavalgar).
  • 15 Anos depois, o adolescente tornava-se pajeum ou escudeiro junto a algum cavaleiro experiente, que se seguia como mestre. Aos 20 anos, terminada a sua educação, era proclamado cavaleiro numa cerimónia solene em que recebia, junto com uma ofensa física ou pancada de que não devia se vingar, as armas para o uso da sua vida de milícia.

 

  1. 7.       Aprendizagem nas corporações

Os séculos depois do ano 1000, são aqueles que estudados do ponto de vista educacional, viram surgir os mestres livres e as universidades e, do ponto de vista mais geral da história económica e social, são os seculos do nascimento das comunas e das corporações de artes e ofícios: os séculos em suma, do primeiro desenvolvimento de uma burguesia urbana.

  • Surgimento de novos modos de produção, entre a ciência e a operação manual.
  • É exigida a formação da mão-de-obra tanto nos ofícios manuais como nos ofícios intelectuais.
  • Os campos perdem os ofícios remanescentes antes exercidos pelos prebendeiros das cortes senhoriais.

 

 

Quanto a aprendizagem:

Fala-se quanto a aprendizagem que, cada mestre podia assumir para além dos componentes da família, um aprendiz (para os mestres ourives, os fabricantes de corda, de pregos, etc.), dois (para os fabricantes de facas e para os lavadores, etc.) e sem limite (para os ferreiros).

A duração do contrato de aprendizagem ficava a critério do mestre, ou variava de quatro a dez anos, e podia ser prolongado se o aprendiz não pagasse. De facto o aprendiz para além do rendimento progressivo do seu trabalho, devia pagar pelos ensinamentos que recebia.

Quanto a idade para início – variava a idade para início de uma aprendizagem. Com base ao contrato, o aprendiz tornava-se uma espécie de propriedade temporária do mestre, que podia vende-lo para outros mestres, mas só por motivos de força maior.

Para o aprendiz que tenha desistido por três vezes, (por falta de vontade, por indisciplina ou outro motivo não aceitável), o mestre não podia assumi-lo mais, nem outro mestre do mesmo ofício, nem como aprendiz nem como ajudante.

O mestre também, tinha a obrigação de tratar o aprendiz como um filho de pessoa de bem, de vesti-lo e calça-lo, de dar-lhe de comer de beber e as demais coisas, a cada quinzena. Se este mestre não atender, procurar-se-á para o aprendiz, um outro mestre.

Entre várias artes apenas só duas tornara-se ciência – a “cirurgia” médica e a “cirurgia” arquitectónica, ou seja, a medicina e a arquitectura.   

 

Capítulo VI

 

A Educação nos Trezentos e Quatrocentos

 

Vimos a escola e a instrução entre o papado e o império, lembrando as escolas paroquiais, episcopais e as universidades; encontramos também o primeiro mestre livre, aos quais, aliais, se deve em grande parte remontar a origem das universidades, mesmo com sua subordinação ao antigo e novo direito eclesiástico e imperial.

  • Vão surgindo cidades organizadas em comunas e como expansão cultural mais característica e visivelmente o surgimento de nova literatura. O nascimento destas literaturas é o sinal de um novo mundo moderno.
  • Introdução de novos conteúdos e formas na literatura, nos quais se reflectem as necessidades e os interesses das novas classes emergentes.

Os protagonistas desta nova literatura, da cultura e dos novos modos de instrução não são mais os antigos clérigos, homens do clero regular ou secular, mas os novos “clérigos” por força dos quais esta mesma palavra que os define perde o seu velho significado de homem de igreja e assume o de intelectual.

  • Principais classes dominantes da sociedade Medieval: – o clero e os nobres – e o surgimento de uma nova classe a burguesia, que pode ser considerada o terceiro estado.
  1. 1.       A instrução do terceiro estado

 

Os mestres livres soa os protagonistas da nova escola do terceiro estado: com eles, tanto o conteúdo de ensino como o que podemos chamar de sua instrução jurídica e social vão mudando. Em vez de novamente reportarem os éditos imperiais, bulas papais ou outros documentos solenes, recitam documentos de particulares como: Contractos, memórias e testamentos.

  • Aqui os pais entregam os seus filhos não num convento para serem monges mas, a um livre profissional, a fim de que o eduque para uma profissão mundana.
  • Valorização do cálculo mas exactamente a aritmética comercial (em função da presença dos burgueses – comerciantes) e a contabilidade (para trabalhadores bancários – caixas).
  • Para além da aritmética comercial e da contabilidade, junta-se a elas a filosofia moral, a física e a teologia – espírito do humanismo.
  1. Os novos mestres

Nesta etapa, se regista o surgimento de várias profissões em Milão cuja sua população se calculava em cerca de 200 mil habitantes.

Quanto a instrução, os professores haviam sido divididos em três grupos fundamentais na altura:

  • Os professores de gramatica – que explicavam a gramática;
  • Os mestres elementares – que ensinavam os alunos ler e a escrever;
  • O copistas – que passavam o dia a copiar livros, ganhando dessa forma a vida.
  • O pagamento destes mestres livres era da responsabilidade dos escolares
  •  (através das cotas) e das comunas (das administrações neste caso).
  • Nas grandes cidades como Florença, Génova e Milão, criam-se corporações de mestres.

Nesta ordem, podemos identificar como eram divididos os mestres no Quatrocentos:

Mestres autónomos, mestres com escolas, mestres associados em cooperativas, mestres capitalistas que assalariam outos mestres, mestres pagos por corporações e mestres pagos pelas comunas.

Para além destes mestres existiam ainda os preceptores da casa, o instrutor privado das famílias dos grandes ricos e dos senhores.

  • Intelectualização dos serviços mercantis.
  1. 1.       O humanismo: senhorias, preceptores, académicos.

O humanismo é caracterizado pela descoberta do valor autónomo das humanaelitterae – literatura humana, em relação às litteraedivinae – literatura divina e, portanto pela volta a leitura dos clássicos latinos e gregos, considerados, durante a Idade Média, como simples paradigmas gramaticais e estilísticos e úteis só mente para a compreensão de uma verdade predeterminada.

Capítulo VI resume final

 

Com o surgimento de uma nova classe, a dos artesãos e comerciantes, a educação também se modificou, por esse motivo deve ser estudada mais de perto.

Os clérigos passam de homens da Igreja e tornam-se intelectuais.

Mesmo com toda a mudança na educação o ensino da arte cavaleiresca continua, o cavaleiro agora com a denominação de miles.

O papel do clérigo ainda é o de amar as Sagradas Escrituras e o do leigo amar os livros e preparar-se para as profissões liberais.

Os mestres também modificam-se, são mestres livres os protagonistas da nova educação, com eles surge um novo tipo de contrato, semelhante aquele que era escrito ao dar as crianças para serem educadas nos conventos, com uma diferença, agora o pai dá as crianças para serem educadas por um mestre livre, mas os paga para que fiquem com seus filhos, para que os mestres livres os ensinem uma profissão mundana. Ou seja, o pai queria que o filho se tornasse um bom comerciante, pois para essa classe social “emergente”, esse era o principal motivo da educação, e mesmo a educação escolástica era voltada para o comércio. Agora a educação tinha um fim comercial, e para isso ensinavam os cálculos e o ábaco, que tinham um valor prático muito maior que o da gramática. Era a aritmética comercial que deveria ser ensinada.

Com a formação escolástica profissional, aos dez anos o menino era capaz de estar no caixa e depois de “algum tempo” d manter os livros contábeis.

Há também o surgimento de novos mestres, que ensinavam em novos tipos de escolas, com eles surgem os monitores, que eram os protagonistas de uma nova forma de ensinar, pois com ele a escola pôde ficar um pouco mais organizada. No começo, os mestres ensinavam para as profissões, mas pouco a pouco puderam invadir o campo dos clérigos, e alguns mestres tornaram-se merecidamente famosos.

Assim, a educação começa a ser melhor comercializada, surgem as escolas que tinham seus mestres pagos por esses, surgem o que hoje denominaríamos como “cooperativas escolares e consumo”.

Outra forma de educação vinha com o preceptor familiar, este que educava no seio das famílias dos grandes ricos senhores.

Foi dessas transformações que surgiu o humanismo, caracterizado como a volta ao clássico, surge aristocrático, e com ele vem toda uma aversão a forma tradicional de educação. Para os humanistas, a função do pedagogo deveria ser exercida por pessoas que não tivessem dom para mais nada, para pessoas que não soubessem fazer algo melhor das suas vidas. E com esse argumento contra os pedagogos levava as pessoas a não ensinarem outras a dedicarem-se á literatura. Vai vir do humanismo uma busca por uma nova educação, pois eram contra a obsessiva repetição e a disciplina sadicamente severa.

A pedagogia humanística era voltada para que a criança pudesse ir á favor de sua natureza, segundo os humanistas, cada criança deveria ser educada de acorda com sua índole. Os castigos físicos deveriam ser abolidos. Diversão, jogos e brincadeiras deveriam ser absorvidos á esse novo tipo de educação, pois o respeito aos adolescentes deveriam vir em primeiro lugar, para que fossem instigados a pensar e a aprender.

Segundo os humanistas, a pedagogia deveria ser mais serena e rejeitar ameaças e pancadas.

Mas, em meio a tudo isso ainda existiam pessoas que achavam que as letras eram falsas e inúteis, e defendiam o carácter mecânico de todo o saber e o fazer.

O Humanismo deixa de ser somente italiano e torna-se europeu, os europeus que também fazem uma crítica á educação empregada até o momento. De acordo com os humanistas europeus, a escola deveria ser um local onde os educandos deveriam ir com prazer, se nas aulas acertassem algo, deveriam ser elogiados, e a conversação deveria ser incentivada.

A educação deveria ter uma função civil, deveria formar o cidadão. Ainda há um desprezo para com as pessoas que querem dedicar-se aos estudos.

A mercancia é o modo de ser contra o humanismo, a mercancia é uma actividade que vai contra as letras e as artes liberais, contra as disciplinas teóricas que segundo os que a praticam, ocupam apenas com conhecimento do espírito e da alma.

Nessa época também existe certa exigência de uma renovação cultural anti humanística, que propunha uma cultura voltada para a prática e para as ciências.

A educação cavaleiresca ainda existe, e da mesma forma prepara para o exercício do poder, ainda é o fazer da classe dominante, e prepara para a guerra, agora, além da summa de habilidades, que eram sete, ensina-se aos cavaleiros esgrimir, disparar com arma de fogo, pular, lutar, lançar dardos. Ensinam-se também as boas maneiras, pois os cavaleiros são nobres e gravitam em torno das cortes.

“A aprendizagem da arte da guerra terá suas manifestações nos torneios cavaleirescos até 1559, quando há um acidente e Henrique II de Valores morre, pondo fim á educação cavaleiresca, não só pela morte, mas como também por outros factores, tal como a invenção das armas de fogo.

 

Capítulo VII – A Educação no Quinhentos e no Seiscentos

No Quinhentos e no Seiscentos muitas transformações ocorrem no mundo, tais como o Renascimento, a Reforma, a Contra Reforma, a Utopia, a Revolução.

Volta o problema, como e quando instruir? Quem deverá ser instruído? Instruído para o quê? A pobreza também é um empecilho para a educação.

Começa, então a instrução do povo, com um sistema de instrução popular.

 

  1. 1.       A Reforma e a Escola

 A Reforma trouxe consigo a ideia de que deveriam existir mais cidadãos cultos, instruídos e bem-educados. Com Lutero veio a ideia de que deveriam existir escolas não apenas destinadas a meninos que iriam continuar os estudos, mas àqueles que iriam destinar-se ao trabalho.

Para os reformistas era importante que meninos e meninas fossem instruídos desde a infância. A escola deveria formar homens capazes de governar um Estado, o projecto da escola nova baseava-se em educar em três anos, o que nas escolas antigas demoraria uma vida inteira.

Segundo essas novas ideias, ensinar era um trabalho muito cansativo e ninguém deveria fazer isso por mais de dez anos. De acordo com Lutero, todos deveriam ser instruídos, para que pudessem interpretar as Sagradas Escrituras e para que fosse possível uma maior participação na vida política.

Para os reformadores, as escolas seriam o princípio de tudo, já que acreditavam que todas as pessoas nasciam más e que a qualquer momento poderiam ser influenciadas pela sociedade, para eles a escola ensinaria como controlar a si próprio, acreditavam também que sem a devida instrução ninguém conseguiria governar. Para eles, todos poderiam ser não apenas governados, mas governantes.

Os reformistas, tal como os humanistas queriam aproximar as escolas da cidade, também queriam uma pedagogia mais serena.

  1. 2.       A contra reforma e a escola

A Contra Reforma foi contra a extensão da instrução para as classes populares e contra toda a inovação cultural. Esta contra reforma foi criada pelos conservadores da cultura medieval, que com o medo de perderem toda a cultura por eles defendida, em função das mudanças proposta pelos reformistas, criam elementos de barreira para inibir a prática reformadora.

Na Contra Reforma os livros eram proibidos. As escolas também foram reorganizadas com a Contra Reforma, evocando explicitamente as antigas tradições, o ensino da Gramática foi regulamentado, como o das Sagradas Escrituras e da Teologia, tudo era fiscalizado pelos Bispos. Toda a Educação tinha um objectivo religioso.

  1. 3.       A Sátira.

Como vimos na Roma Antiga, onde os escravos utilizaram a poesia para expressarem o seu descontentamento ou ainda para reclamarem de alguns direitos, O Ensino foi satirizado em comédias, onde mostra os mestres indo à caça de seus discípulos, ou mesmo, um mestre ensinando o alfabeto repetidamente para seu discípulo que já o sabia até de trás para frente.

No Seiscentos há uma crise cultural, uma visível decadência da universidade como centro de cultura e a iminente explosão da querelledesancienset desmodernes.

  1. 4.       A utopia

Entre meio a todas as transformações surgem as utopias escolásticas, que visavam a educação para todos. Segundo essa utopia, todas as crianças deveriam ser instruídas e aos adultos deveria sobrar tempo para se dedicarem ás letras, isso deveria ser ensinado na sua própria língua (polémica contra o latim). Aos cidadãos dever-se-ia permitir um tempo integral para se dedicarem aos estudos, aos que fossem muito bem, deveriam largar o trabalho e dedicar-se somente a isso. Fora dessas utopias, outras surgiram; muitos achavam ser o ensino da gramática e da lógica um ensino servil, então passaram a ensinar nas escolas suas ciências, geografias, costumes, história.

Bacon também é inovador, sua proposta é a criação de uma “casa de Salomão”, dedicada ao estudo e á observação das criaturas de Deus.

  1. 5.       A aliança pedagógica dos “sectários” e revolucionários

Essa é a imagem de uma sociedade revolucionada, por três grandes invenções: imprensa, bússola e pólvora para tiro, que condicionaram a difusão da cultura e a exploração e conquista da terra.

A reelaboração de toda a enciclopédia do saber e a sua adequação ás capacidades infantis, são o grande tema da pedagogia de Comenius, cria-se o Atlas Científico Ilustrado, para que as imagens chegassem até as crianças e cria-se um texto que utiliza a dramatização, que faz com que as crianças recitem activamente as passagens da história. (sistematização definitiva do saber).

Muito dedicaram-se a reforma e a modernização da escola, criaram escolas que preparavam para uma profissão, outras que se inspiravam numa “nova filosofia experimental”, e ainda outras que relacionavam a educação com as actividades fundamentais de um país.

A Educação passa a visar não a variedade dos conhecimentos, mas a liberdade de pensamento.


Capítulo VIII – A Educação no Setecentos

 

O fim dos Seiscentos e o início dos Setecentos, outros temas de reflexão e outras tentativas de acção alem daquelas que vimos no esforço de Comenius para uma sistematização definitiva do saber a ser transmitidos com oportunos métodos didácticos às crianças através do velho instrumento da língua latina, e nas iniciativas realizadas na republica inglesa puritana, de escolas caracterizada pela modernização da instrução considerada como conteúdo real e “mecânico”, isto é, científico-técnico, em vista de actividades trabalhistas ligadas às mudanças que vinham acontecendo nos modos de produção.

  1. 1.       “Escolas cristãs”, católicas e reformadas.

 

Começam a surgir as pequenas escolas, que não visam apenas ensinar, mas aperfeiçoar a razão e formar o juízo.

Surgem as primeiras escolas técnico-profissionais e as primeiras escolas “normais” para leigos, as quais antes eram apenas para clérigos.

As novas escolas cristãs possuíam seus próprios meios de manter a ordem local, tudo começava com o horário e o planeamento das aulas, todas as lições eram divididas entre principiantes, médios e avançados. As crianças, primeiramente aprendiam as sílabas, deveriam apenas silabar e não lê-las, aprendiam a soletrar, depois aprendiam a ler por períodos, observando os pontos e as vírgulas, começando um pouco de gramática, aprendiam os números, franceses e romanos, aprendiam a ler o latim no Saltério, também por sílabas e por pausas.

Aprender a escrever levava tempo nas escolas cristãs, a criança deveria aprender a segurar a pena e a posicionar o corpo, para depois passar para as lições da escrita propriamente dita. Aprendiam o ábaco, logo depois de terem aprendido a ler e a escrever. A ortografia era basicamente aprender a escrita dos registros, ou seja, a escrita comercial.

Como pode-se observar, havia uma distinta separação didáctica entre o ler e o escrever, duas técnicas a coexistência de duas instruções diferentes: uma voltada para a religião e outra para a pré-aprendizagem das profissões mercantes, sendo esta a grande novidade das escolas cristãs.

Os castigos físicos voltaram a tona nesse período, como meios de estabelecer a ordem, mas eles não eram os meios principais, existiam também a vigilância constante, os sinais, os registros, as recompensas, as correcções ou punições, a pontualidade, as autorizações, os oficiais e a própria estrutura da escola e dos equipamentos.

Nessa época foi importante mostrar aos pais que eram artesãos a importância de seu filho saber ler e escrever, pois era preciso mostrar que sabendo isso ele seria capaz de tudo.

O latim deixa de ser utilizado como língua universal com a modernidade, a partir do momento que algumas línguas nacionais se consolidam e se impõe no uso internacional.

Educar de forma humana todos os homens é o grande objectivo da educação moderna, os reformadores e os revolucionários deste século tentam concretizar este ideal.

  1. 2.       As luzes e a Enciclopédia

 

A escola precisava se mudar, pois as críticas que recaíam sobre ela eram sempre as mesmas, porque ela na se modificara no decorrer dos anos. Nesse período a educação estava em alta, pois dela todos se ocupavam.

Começa aí a era da reescrita das enciclopédias, pois o mundo entrava na era das luzes. A redacção da grande Enciclopédia das ciências das artes e dos ofícios marca uma virada na história da cultura.

Há uma preocupação com as coisas que fizeram com que o mundo mudasse. Rousseau, no quadro da pedagogia também inova, observa a criança focalizando o sujeito, com uma abordagem centrada na reclassificação do saber e na sua transmissão à criança como todo já pronto. Estabelece uma relação entre sociedade e educação.

  1. 3.       Propostas e actuações de uma escola estatal

 

Surgem as escolas Estatais, mantidas pelo Estado, onde era ensinada a história as ciências naturais, visando a formação da inteligência. Pensava-se em uma passagem total da instrução da Igreja para o Estado, a qual a Igreja foi contra, mas não teve forças para reagir e a educação passou a ser assunto estatal.

As escolas estatais também foram subdivididas, em Trivial, com crianças de 6 a 12 anos, Escolas Principais, incluindo as escolas normais, Escolas Intermediárias e Universidades, já reorganizadas anteriormente.

Com a revolução Industrial, também houve uma modificação na instrução e o surgimento da moderna instituição escolar.

Fábricas e escolas nascem juntas. Agora são os políticos que lutam pela instrução, foi proposta uma escola selectiva, onde dos sete aos dez anos todos teriam direito de estudar, mas somente os melhores passariam para as escolas secundárias e os melhores destas escolas, para as universidades.

A instrução pública deveria instaurar uma igualdade de fato entre os cidadãos, e deveria dar a mesma importância para todas as matérias.

Surge o Conservatório de Artes e Ofícios, que se tornara uma alta escola de aplicação da ciência ao comércio e a indústria.

A Igreja ainda é contra as intervenções jurídicas do Estado e a difusão das novas filosofias. Com as novas escolas, os tradicionais chicotes e varas ficaram de fora, os castigos tornam-se mais amenos, colocando os alunos de joelhos num canto escuro da sala, ou colocando-o numa carteira separada das demais. Alunos mal-educados são suspensos e até expulsos das escolas.

Com todas essas mudanças surgem experiências que acabam dando certo, como o ensino mútuo onde monitores são instruídos pelos mestres e passam a ensinar outros adolescentes, esse tipo de ensino difunde-se rapidamente. Com essa técnica um número muito maior de alunos poderia ser instruído, o que causa um alvoroço nos conservadores, que sabem que o maior número de pessoas instruídas pode “perturbar o Estado”.

As lições são breves e fáceis, os alunos aprendem a desenhar as letras em tábuas com areia, para ler, os alunos agrupam-se em semicírculo na frente da lousa e tudo se desenvolve com disciplina.

A avaliação de cada aluno é feita individualmente, se por um acaso algum não estiver apto para aprender nessa sala, é transferido para a série anterior e senta-se na primeira carteira, ao aluno que está acompanhando todas as lições é dada a oportunidade de avançar para a série seguinte, sentando-se na última carteira da mesma. A competição é o princípio activo destas escolas, que solicitam a participação, embora extrínseca e não conhecem a punição física.

A experiência de J. P. Pestalozzi também foi válida, sua ambição foi juntar o que Rousseau separou, homem natural com a realidade histórica. Ele vê no amor materno um auxílio para a sua educação.

Segundo Pestalozzi, a natureza boa da criança deveria ser cultivada e a ruim exterminada. A criança deveria ser instigada a pensar, deveria ser encorajada. Segundo ele, as lições não deveriam começar de forma abstracta. A música deveria ser incorporada à educação, pois ela faz com que venha à tona o que a pessoa tem de melhor. Para ele, a educação não deve ser limitada “De facto, a inspiração e os métodos- o activismo e a benevolência, de um lado, e a rigorosa disciplina e o mecanicismo de outro- são totalmente antípodas. Ambas, porém, estão destinadas a inspirar grande parte das iniciativas pedagógicas da primeira metade do Oitocentos”.

Capitulo IX

 

A educação no Oitocentos – Idade Moderna

  1. I.                    A primeira metade do Século – XVII

Um dado muito importante deste período, foi a transição de uma pedagogia que se tornara no setecentos política, para uma pedagogia social.

  1. A revolução industrial e a instrução

Na idade moderna, o modo de produzir os bens materiais necessários para a vida da sociedade transformou-se profundamente. Após o prevalecimento da vida produção artesanal, (individual) passa-se a uma nova fase, a fase do mercador capitalista e a consequente industrialização de produtos.

Esse processo de transformação do trabalho humano desloca massas inteiras de população não somente das oficinas artesanais para as fábricas, mas dos campos para as cidades, provocando conflitos sociais, transformações culturais e revolução morais inauditas.

Em suma, a revolução industrial muda também as condições e as exigências da formação humana.

Assim surgem as escolas científicas, e profissionais.

  1. A utopia socialista

Como nos séculos precedentes, também nos oitocentos assistimos a uma nova onda de utopias estreitamente relacionadas com as revoluções industriais e políticas.

Começa-se a sonhar com uma humanidade perfeita ou pelo menos para um bom desenvolvimento das indústrias.

Esta tendência para a perfeição é mais explícita em Robert Owen, um filantropo. Ele pretende instituir um sistema de instrução e de organização do trabalho, viando restituir dignidade humana e cultura aos operários e seus filhos.

A procura desta superação caracterizará o socialismo não mais utópico mas científico de Marx.

  1. Restauração e novos fermentos

A instrução pública é o pensamento do século. Ela é a meta que canaliza todos os esforços e constitui o tema constante de todos os discursos.

A educação que antes era um privilégio de poucos, dos predilectos da fortuna, foi em fim reconhecida como um direito, uma necessidade, uma obrigação da humanidade.

Regista-se portanto uma batalha entre o estado e igreja na separação da educação do poder da igreja passando a ser responsabilidade do estado (educação laica e estatal).

Não obstante a laicidade da educação, a igreja não perde totalmente o controlo da educação, sendo com isso o principal detentor das instituições superior, onde exerce um poder efectivo. Vejamos alguns certificados exigidos para admissão na universidade em Génova:

  1. Certificado de nascimento e de baptismo;
  2. Certidão de boa conduta, fornecida pelo padre de minha paróquia;
  3. Certidão de assiduidade aos ofícios da minha paróquia todos os dias festivos durante os últimos seis meses;
  4. Certificado de confissão mensal durante os últimos seis meses anteriores;
  5. Certificado de confissão e comunhão pascais referentes à última solenidade de páscoa, conforme o mandamento da igreja;
  6. Certificado da polícia declarando não ter tido participação no movimento constitucional de 1821.

Como podemos ver, a igreja mantém a sua influência na educação que a muito se almeja ser laica.

O controlo rigoroso, visa a precaver-se de indivíduos que possam incentivar eventuais manifestações ou revoltas.

  1. A batalha pedagógica

Com a batalha política se entrelaça, embora nem sempre com o mesmos homens, a disputa mais propriamente didáctico-pedagógica entre fautores da conservação e fautores da mudança (conservadores e reformistas).

Podemos afirmar que a revolução industrial, sobretudo a invenção da imprensa e pela iniciativa dos reformados como Comenius, surge a difusão da instrução às classes populares, o nascimento da escola infantil, a difusão dos livros de textos e novas escolas para a formação dos professores.

  • Na Inglaterra nasce o ensino mútuo e as escolas infantis.
  • Surgem por quase toda a europa vários pensadores, se assim podemos considerar, como Rousseau, Pestalozzi, Felbiger, Humboldt e outros todos em torno de uma educação para todos.

a)       As escolas infantis

Constitui um facto novo neste século. Inicialmente a escola infantil de Aporti foi destinada a poucas crianças de famílias abastadas.

Métodos de ensino – indutivo ou demostrativo, a nomenclatura sistemática e o cálculo mental sobre objectos concretos.  

Uma opinião sobre “HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO – MANACORDA resumo

    Alice de Melo disse:
    25 de Abril de 2016 às 21:22

    Gostaria de saber o nome do autor desse resumo, pois irei usar fragmentos numa apresentação de seminário, no curso de pedagogia, e precisaria além do site, do nome de quem escreveu. Grata!

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