Pobreza em Angola

Introdução

 Presente dissertação aborda a temática do “Impacto da pobreza no bairro Nzinganguela”. Para o desenvolvimento deste árduo labor dividimo-lo em quatro capítulos:

No primeiro capítulo apresentamos a problemática da pobreza, como um problema que afecta algumas famílias residentes do bairro a que nos referimos. Dois objectivos impulsionarão a abordagem do presente trabalho:

-Ter uma visão abrangente sobre as condições físicas, ambientais e sociais de habitabilidade da população.

-Identificar as características actuais da economia angolana e o impacto da pobreza sobre as famílias como célula básica.

No segundo capitulo faremos o enquadramento teórico, por forma a sustentarmos o nosso tema. A centralidade deste capítulo consiste na apresentação de conceitos sobre pobreza e na representação de posições acerca da pobreza a este respeito várias obras nos serviram de apoio.

A pobreza refere-se a uma situação de privação de algumas dimensões do bem-estar de um indivíduo, como acesso limitado a serviços de saúde, baixo capital humano, habitação inadequada, má nutrição, falta de determinados bens e serviços, falta de capacidade para expressar pontos de vista políticos ou professar credos religiosos (INE, 2011: 165).

Particularizando a pobreza em Angola veremos que ela será um flagelo nacional e aparece associada ao desemprego, exclusão social, ao insucesso escolar e à destruição da célula familiar, manifestações estas que acabam por ser produto da ruptura dos elos sociais fundamentais (Rocha, 2004: 104).

             Relativamente aos factores da pobreza, entendemos que ela resulta da combinação de vários factores, nomeadamente de natureza politica, demográfica e socioeconómica, assim como: a guerra, o Desemprego, a Reprodução da pobreza, a Reprodução Demográfica e Politica económica. Duas hipóteses hão de der levantadas no nosso estudo

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No terceiro capítulo apresentaremos os aspetos metodológicos, achamos como melhor via a utilização do método qualitativo, através da utilização da técnica entrevista aprofundada.

O trabalho de campo foi realizado no período de 31 de  Maio a 2 de Junho de 2012 e teve a duração de dezasseis horas (16 h). As mesmas tiveram lugar no município de Belas, distrito da Samba, bairro Morro Bento II, numa área denominado Nzinganguela. Entrevistamos quatro (4) homens e seis (6) mulheres, todos em idade adulta e com responsabilidade de tomarem conta de suas famílias.

O trabalho de campo decorreu de forma amena e os entrevistados mostraram-se interessados em responderem as questões.

O quarto capítulo tratará do impacto da pobreza no bairro Nzinganguela, com este tema pretendemos analisar os problemas, os conflitos e as insatisfações dos munícipes.

No bairro Nzinganguela, em conversa com os entrevistados, percebemos que há reclamações de alimentação, de emprego, de saúde, de educação, de vestuário e de habitação digna.

               Na mesma esteira, verificamos que em cada esquina há uma pracinha, uma bancada na porta de uma casa ou a uma cantina em casa. Alguns munícipes ocupam o seu tempo como vendedores ambulantes, todas estas práticas são usadas pelas famílias como formas para minimizar a carência.

A respeito das condições de vida das famílias, todos quanto entrevistamos possuem más condições de vida.

CAPÍTULO I. O PROBLEMA

1.1 Formulação do Problema

Geograficamente, Nzinganguela está localizado, a Sul do centro da cidade de Luanda: é um bairro periférico, onde grande parte dele encontra-se privada de energia eléctrica, de água canalizada e de rede de esgoto. O nosso tema centra-se na escassez de bens. A pobreza é um problema que se figura nesta circunscrição, de acordo a nossa constatação.

            De um tempo a esta parte, tem sido notícia nos diferentes órgãos de informação nacionais e estrangeiras, da existência de insatisfação nos agregados familiares, devido o fenómeno acima referenciado.

            Em 2010 aprovou-se a Constituição da Republica de Angola, com clara evidência ficou legislado no seu artigo 21º  as Tarefas fundamentais do Estado, nas suas  alíneas: choque

            c) Criar progressivamente as condições necessárias para tornar efectivos os direitos económicos, sociais e culturais dos cidadãos;

            d) Promover o bem-estar, a solidariedade social e a elevação da qualidade de vida do povo angolano, designadamente dos grupos populacionais mais desfavorecidos.

            e) Promover a erradicação da pobreza (Constituição, 2010: 11).                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              Em Angola, particularmente, no bairro em questão, notamos muitas famílias a passarem por várias necessidades. Procuramos enumerar algumas dificuldades a que passam muitos destes nossos concidadãos como: a falta de transportes públicos, inundação no tempo chuvoso (muitas águas paradas) em algumas artérias desta urbe, falta de energia eléctrica de rede, de saneamento básico, de meios financeiros, dentre outras.

            Achamos que estes problemas podem revelar, por um lado, a pouca atenção do executivo angolano para com coisas públicas.

            Hoje se levanta inúmeras hipóteses sobre a origem deste mal; o IDR de 2000/2001 (Inquérito sobre Despesas e Receitas) aponta que a guerra que assolou o país durante vários anos é principal determinante pela grande miséria do povo e consequentemente pelo êxodo migratório para as zonas urbanas. Que se notabilizou fortemente nas periferias das cidades, pelo que tem sido complicado encontrar mecanismo para resolução dos muitos problemas existentes (Assunção, 2007: 31).

            O rosto da maioria dos munícipes do bairro figura pobreza, cada um tenta sobreviver pela forma que poder. Admitimos que grande parte dos jovens estão sem emprego condigno.

              Em conversa que fomos mantendo com determinadas famílias, percebemos que há sempre uma reclamação de alimentação, de emprego, de saúde, de educação, de vestuário e de habitação digna.

               Na mesma esteira, verificamos que em cada esquina há uma pracinha, uma bancada na porta de uma casa ou a uma cantina em casa. Alguns munícipes ocupam o seu tempo como vendedores ambulante, todas estas práticas são usadas pelas famílias como formas para minimizar a carência.

              Segundo Vletter (2002: 14) o sector informal é o único capaz de dar maior oportunidade de emprego e rendimentos à maior parte da população urbana. Contudo, a promoção do sector deve ser abordada com um certo cuidado – inicialmente como uma estratégia de curto médio prazo para melhorar as condições se vida dos pobres nas áreas urbanas.

              Por causa do custo de vida ser bastante alto, há famílias vêem o futuro dos seus filhos comprometidos, pelo facto de verem seus parentes em idade escolar fora do sistema do ensino e os outros acabam por perderem a vida por falta de assistência médica e medicamentosa.

              O desenvolvimento da pobreza numa sociedade transporta ou acarreta várias implicações como: a desintegração familiar, a violência, a fome, a doenças, a prostituição, o desemprego, a delinquência, o alcoolismo, as drogas,  a violação, etc.

               Perante este quadro endémico de pobreza apraz-nos colocar a seguinte pergunta de partida:

Qual é o impacto da pobreza na vida dos munícipes do Nziganguela ?

 1.2 Justificativa:

            O presente trabalho de investigação visa a dar um contributo na Sociologia. E como não bastasse, o elevado índice de casos de pobreza incentiva-nos a essa abordagem.

        As razões que nos levaram a pensar em abordar este tema foi o facto de saber que a pobreza é um fenómeno mundial. Por isso, julgamos ser relevante estudar o conceito de pobreza, suas causas e sua extensão como fenómeno social, porque ela existe tanto em países prósperos quanto em países pobres, razão pela qual julgamos pertinente a sua análise.Com isso, invocamos as seguintes razões:

  • Estudar a pobreza para sabermos a degradação social que esse fenómeno traz a sociedade.
  • Por razões académicas, porque pretendemos termos uma visão cientifica deste fenómeno e como os cientistas sociais respondem esta situação.

1.3 Objectivos

            1.3.1 Objectivos gerais:

            Ter uma visão abrangente sobre as condições físicas, ambientais e sociais de habitabilidade da população.

            Identificar as características actuais da economia angolana e o impacto da pobreza sobre as famílias como célula básica.

          1.3.2 Objectivos específicos:

            Identificar os esforços das famílias pobres do Nziganguela para o acesso a serviços essenciais de abastecimento de água, saneamento e fontes de energia e a posse de equipamentos e bens essenciais ao seu bem-estar.

CAPÍTULO II. ENQUADRAMENTO TEÓRICO

          2.1 O conceito de pobreza

A pobreza refere-se a uma situação de privação de algumas dimensões do bem-estar de um indivíduo, como acesso limitado a serviços de saúde, baixo capital humano, habitação inadequada, má nutrição, falta de determinados bens e serviços, falta de capacidade para expressar pontos de vista políticos ou professar credos religiosos, etc (INE, 2011: 165).

Towsend define a pobreza como a situação em que famílias e grupos da população se defrontam com a falta de recursos que lhes permitem ter o tipo de alimentação, participação nas actividades e condições de vida e conforto que são habituais, ou pelo menos amplamente encorajados ou aprovados, na sociedades a que pertencem (Apud Carvalho, 2008: 56).

O Relatório do Desenvolvimento Humano define a pobreza como uma condição caracterizada pela privação das necessidades básicas em termos de alimentação, água, saneamento básico, habitação e a falta de meios e oportunidades para satisfazer estas necessidades básicas (PNUDa, 1999: 28).

Segundo Capucha existe consenso quanto a considerar-se pobre aquele indivíduo que não consegue atingir determinado patamar, que lhe permita a subsistência, em termos biológicos, ou em termos de padrão de vida considerado aceitável (Apud, Carvalho, 2008: 57).

Para Paulo de Carvalho, o conceito de pobreza absoluta está enraizada na ideia de subsistência às condições básicas que permitem sustentar uma existência física saudável. A pessoa carece de requisitos fundamentais para a subsistência humana, tal como: comida suficiente, abrigo e roupa. Deste modo, o indivíduo vive em situação de pobreza. Nesta abordagem, percebemos que o conceito de pobreza é universalmente aplicável, por quanto existem padrões de subsistência humana que são mais ou menos os mesmos para as pessoas de idade e constituição física equivalentes, independentemente do local onde vivem. Pode-se afirmar que qualquer pessoa vive em situação de pobreza se estiver abaixo deste padrão universal. A pobreza absoluta remete-nos para o factor biológico, ou seja, para a subsistência do organismo humano. Neste caso, o pobre é todo aquele que não possui meios que lhe permitem sobreviver ao nível universalmente considerado aceitável, ou seja, não dispõe de recursos que lhe garantem a satisfação das necessidades básicas (Carvalho, 2008: 57).

Em A Catholic Response to Economic Globalization, os autores, a partir de uma perspectiva católica, abordam o problema da pobreza, diferenciando os conceitos de pobreza relativa e pobreza absoluta. Segundo estes autores, embora a pobreza relativa não deixe de constituir um problema, já que pode promover instabilidade social, na verdade é a pobreza absoluta que constitui o grande problema moral. Exortam a consciência moral cristã a concessão de prioridade absoluta a este tipo de pobreza, por outras palavras, a nossa preocupação moral primária não deve ser a comparação de altos níveis de rendimento com baixos níveis, mas com baixos níveis de rendimento que impossibilitam a realização da pessoa e da sua família (Carlos et al, 2002: 35).

2.2. A pobreza em Angola

            A pobreza em Angola é um flagelo nacional e aparece associada ao desemprego, exclusão social, ao insucesso escolar e à destruição da célula familiar, manifestações estas que acabam por ser produto da ruptura dos elos sociais fundamentais (Rocha, 2004: 104).

            A miséria em Angola contrasta com as potencialidades em recursos naturais que o país oferece e com as suas riquezas minerais. É o segundo maior produtor de petróleo na África Subsariana e o quarto maior produtor de diamantes do mundo. Para além dos recursos minerais, Angola beneficia de boa pluviosidade, terras aráveis, agua, florestas, pesca costeira e do interior, e uma rara riqueza de fauna e flora (MINPLAN, 2005: 14-15).

            Conforme o Relatório Social de Angola um dos grandes problemas da grande maioria das famílias angolanas é a pobreza. As mulheres e as crianças são as que mais sofrem os efeitos da pobreza no seio familiar, porque uma grande parte das famílias angolanas são chefiadas por mulheres (23%), apesar destas continuarem a ser discriminadas, sobretudo em relação à transmissão do património familiar por morte do cônjuge (UCAN, 2011: 44).

            Os indicadores de pobreza em Angola mantêm-se, no entanto, em níveis elevados, segundo o mais recente Inquérito Integrado Sobre o Bem-Estar da População, IBEP 2008-09, estabelece em 36,6% a incidência de pobreza, desigualmente repartida entre a cidade, em que 18,7% da população vive abaixo da linha de pobreza familiar, e o campo onde esse indicador se situa nos 58,3%. Dentre os factores geradores de pobreza destacam-se os deslocamentos populacionais compulsivos durante a guerra e as elevadas taxa de desemprego urbano, especialmente as mulheres e os jovens. Nas áreas urbanas, a pobreza está também associada ao agravamento da desigualdade social e a apropriação privada de riqueza gerada pelos grupos sociais dominantes (INE; 2011: 129).

             Entendemos que somente deve existir falha na capacidade nacional em traduzir os rendimentos económicos em politicas redistributivas dirigidas a melhoria do bem-estar das populações, o que têm provocados grandes problemas sociais nos sectores da educação, saúde, habitação, etc.

            Os níveis de escolarização são baixos devido a baixa oferta do serviço da Educação como falta de professores e infra – estrutura a baixa qualidade dos serviços e o acesso limitado a recursos financeiro por parte da população (MINPLAN, 2005: 14).

            Ainda nesta linha de pensamento, o INE (2006: 18) escreve que apesar de a frequência escolar ser relativamente generalizada entre os chefes de família, há uma maior proporção de chefes de família que não frequentaram a escola entre os mais pobres; por outro, percebe-se que os chefes de família que concluem o ensino médio e superior elevam a probabilidade de serem não pobres. Isso pode ser exemplificado com o caso de Luanda, onde o curso superior é mais frequente que nas outras províncias distingue claramente os pobres dos não pobres.

            A situação de saúde em Angola é relativamente débil e apresenta níveis de desigualdade graves. Para se ter uma visão do estado actual da saúde no país, importa conhecer o seu quadro epidemiológico:

            Dentre as doenças responsáveis pela maior parte das mortes no país se destacam a malária, as doenças respiratórias e diarreicas agudas que representam 91% do total de doenças notificadas, em 2009. Neste ano foram notificados cerca de 2,9 milhões de casos de malária e 8,9 mil óbitos registados. Relativamente as doenças respiratórias registou-se um total de 7,9 mil casos, com 1,6 mil óbitos e quanto as doenças diarreicas agudas registou-se 4,4 mil casos e com 1,2 óbitos (UCAN, 2011: 79).

            Cerca de 90,5% das mortes por diarreia aguda em países em desenvolvimento atinge a população com menos de 15 anos de idade. Em Angola, entre as principais causas de morbilidade e mortalidade encontram-se doenças derivadas do consumo de água de fontes inapropriada, que podem ser prevenidas com o recurso a regras básicas de higiene (INE, 2011: 39).

            O país debate-se para baixar os altos índices de mortalidade materna que registam a de 1400 mortes em 100 mil crianças nascidas vivas, em 2006, encontrando-se entre as taxas mais altas do mundo (UCAN, 2011: 93)

Os Factores da Pobreza

            De acordo com as nossas investigações, percebemos a pobreza é essencialmente resultado da combinação de vários factores, nomeadamente de natureza politica, demográfica e socioeconómica, assim como:

            A guerra

            O quadro de pobreza existente em Angola é consequência de um número complexo de factores, entre os quais se destaca a guerra civil. A guerra civil para além de destruir as infra-estruturas de transportes, ensino e saúde, também deslocou parte significativa dos recursos humanos para actividades não produtivas. A guerra levou ainda à ruptura do tecido social, pela distribuição dos valores morais e éticos tradicionais baseado na confiança e solidariedade comunitárias e fez emergir o fenómeno da exclusão e destruição social. Com a celebração da paz o governo concentrou esforço na extensão de soberania do estado em todo o território nacional (MINPLAN, 2005: 13).

            A este respeito, Lopes (2011: 46) fazendo um enquadramento político, económico e social, avança que a sociedade angolana sofreu vastas e profundas transformações após o processo de independência. Depois da fase de transição, o primeiro ciclo, que decorreu entre 1975 e 1992, foi politicamente caracterizado por um regime de partido único de orientação socialista. Em 1992, com a adopção da nova constituição iniciou-se a transição para o multipartidarismo. Entre 1975 e 2002 ocorreu uma guerra civil prolongada que produziu um forte impacto sobre as estruturas económicas e sociais. A circulação de bens e pessoas foi interrompida, em algumas áreas de forma quase total, e registou-se a destruição extensiva de infra-estruturas económicas e sociais. Para além dos efeitos directos reduzidos sobre o capital humano (perda de vidas e incapacitação), registou-se o deslocamento compulsivo das populações no interior do território angolano e aumento dos níveis de vulnerabilidade e de pobreza de parte significativa dos angolanos.

Podem ser apontadas como causas estruturais de degradação da qualidade de vida e do bem-estar social dos diversos segmentos da população angolana a guerra, a fome, a maneira como se elaboram e executam os programas económicos (crise económica e dinâmicas de fechamento social (Carvalho, 2004a: 53)

             Desemprego

Como se sabe não existem, praticamente desde a independência nacional, informações sobre o emprego / desemprego no país (UCAN, 2011: 74).

Segundo Sousa (1998), a débil situação económica aumentou o desafio do emprego que o país enfrenta. Como resultado, o sector informal tornou-se numa importante fonte de emprego, somente 12% da população economicamente activa (15-60 anos de idade) está formalmente empregada. O sector informal é o responsável pelos meios de subsistência da maioria da população do país. O peso deste sector, na cidade de Luanda, abrange 54% dos agregados familiares.

O governo destruiu o mercado informal Roque Santeiro. Roque Santeiro foi um mercado informal a céu aberto, onde estavam sub empregados milhares de cidadãos angolanos que não conseguiam emprego, sendo, de igual modo, a fonte de sustento de mais de metade das famílias de Luanda (Lopes, 2007: 163).

            O Relatório de Balanço do Programa do Governo de 2009 não apresenta uma taxa efectiva de desemprego, limitando-se a afirmar que o cumprimento da meta de criação de 320.000 postos de trabalho fixado no Plano Nacional de 2009 conduziria a uma taxa de desemprego de 20% (Governo de Angola, 2009: 26).

O país por força da pobreza, perde anualmente quase 400 milhões de dólares derivados do desemprego e praticamente 230 milhões por quebras de produtividade, ou seja 630 milhões de dólares, 10% do Produto Interno Bruto. Razões mais do que suficientes para se equacionar este fenómeno, enquanto elemento duma estratégia nacional de desenvolvimento (Rocha, 2006: 99).

            Reprodução da pobreza

            Os domicílios que possuem poucos membros com instrução, geralmente, são os mais pobres. Os mesmos são incapazes de obter um emprego bem remunerado por conta própria. Regista-se, pois, a reprodução da pobreza para as gerações seguintes, logo, a persistência e a transmissibilidade tendem a ser uma das principais características da pobreza. Quando o chefe do agregado familiar tem pouca instrução, a tendência é os filhos seguirem a situação dos seus educadores. Algumas das causas estruturais para a transmissão da pobreza são a propriedade no mundo de trabalho e os baixos níveis de rendimentos domiciliares (Garcia e Helena, 2000: 32).

            As diferenças no nível de escolaridade do chefe de família também influenciam substancialmente na capacidade do agregado de gerar receitas de fontes laborais. O rendimento médio total dos agregados aumenta consoante o nível de escolaridade do chefe de família. Os agregados cujo chefe possui o ensino secundário (ou mais alto) adquirem, em media, receitas mais de duas vezes superiores as de agregados em que o chefe de família tem menos do que o nível primário de escolaridade. A importância das receitas laborais por conta de outrem, relativamente ao total de receitas, cresce significativamente com o nível de escolaridade do chefe do agregado (INE, 2011: 118).

            Numa situação em que mais de dois terços das famílias vivem abaixo da linha de pobreza, não é de estranhar que seja bastante baixo o acesso à instrução em Angola (Carvalho, 2002: 133).

            A situação de pobreza conduz a que muitas crianças não tenham acesso à instrução em virtude das suas famílias não terem como pagar o que lhes é exigido para acesso à escola pública. E os que conseguem ingressar têm depois dificuldades para prosseguir, devido à falta de recursos na família ou ainda por razões de natureza cultural (Carvalho, 2002: 134).

                                    Na abordagem de Merton (1970: 209-210) “os pais servem de correia para a transmissão de valores e objectivos dos grupos as quais fazem parte, sobretudo os da sua classe social ou da classe com que se identificam. E a escola é, evidentemente, o organismo oficial para a transmissão dos valores predominantes, afirmando implicitamente, ou mesmo de modo explícito, que a educação conduz à inteligência e consequentemente o sucesso ao emprego e o êxito monetário”.

            Demográficas

            A alta taxa de natalidade, pode ser uma das causas do empobrecimento de muitas famílias. Pensamos que o governo, dentro das suas políticas, devia criar formas para controlar o crescimento da população ou como ficou evidenciado no Inquérito Sobre o Bem-Estar da População, realizado em 2008/2009 “a elevada taxa de crescimento da população é que esta deve ser acompanhada do crescimento simultâneo da oferta de serviços sociais, particularmente com respeito a educação, saúde, água potável, saneamento adequado, oportunidade de emprego e desenvolvimento de infra-estruturas de apoio aos meios de vida locais” (INE, 2011: 9).

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            Politica económica

            Uma outra causa do incremento da pobreza foi a forma como se conduziram as politicas económicas, reflectindo-se como inadequadas. A alteração brusca da economia centralizada para uma economia de mercado, sem ter em conta aspectos objectivos como a adopção de medidas institucionais, associada com as distorções das politicas económicas e má distribuição de serviços e recursos, teve um peso significativo no agravamento das condições de vida das populações, diminuindo o poder de aquisição de bens de primeira necessidade. Reflectiu-se ainda na produção de bens alimentares e noutras actividades como o comércio, os transportes e a indústria alimentar, levando o país a uma situação de crise social, cujo lado mais visível é a pobreza que afecta uma parcela significativa da população (PNUD, 1997: 17).

            Para implantação eficaz, o Governo da Republica de Angola tem-se confrontado com a falta de recursos humanos suficiente para a dimensão da operação de reconstrução e relançamento da economia angolana ((MINPLAN, 2005: 13).

            Do ponto de vista das politicas, Dollar e Kraay insistem em que, para melhorar, o comportamento da economia em geral e a condição dos pobres em particular, são mais significativos a eficiência (ausência de corrupção, diligencia, imparcialidade, ausência de burocracia) na aplicação da lei, o desenvolvimento do sector financeiro e a abertura da economia ao exterior. Estas politicam são uma componente incontornável em qualquer estratégia de redução de pobreza (Apud, Carlos e Helena, 2002: 19).

            Segundo Rocha (2007: 97) a pobreza combate-se, duma forma duradoura, com a política de desenvolvimento e não apenas com a política social.

2.4 Exclusão social e pobreza

 O termo exclusão social faz parte da tradição francesa de análises de pessoas e grupo sociais desfavorecidos, tendo sido empregue inicialmente com objectivo de referir o afastamento de rede de relações a que estão sujeitos indivíduos e grupos sociais (Carvalho, 2002: 119).

Segundo Garry Roger, a exclusão social está associada à ideia de insuficiente acesso a bens e serviços, à insegurança, à justiça, à cidadania. Este mesmo autor enumera vários níveis de exclusão, nomeadamente o desemprego de longo prazo (exclusão do mercado de trabalho), emprego precário (exclusão do trabalho regular), a falta de acesso a um posto de trabalho bem remunerado (exclusão dentro do mercado do trabalho), a falta de moradia decente e a serviços comunitários essenciais, impossibilidade de garantir de sobrevivência, falta de acesso à segurança e a exclusão dos direitos humanos (Apud, Carvalho, 2008:37).

            Segundo, Paulo de Carvalho, o baixo acesso a instrução formal, a assistência sanitária, a habitação condigna e um saneamento adequado. Conclui-se que a maioria dos angolanos não têm acesso aos direitos sociais de cidadania (Carvalho, 2008: 168).

Na visão de Heimer (2004: 3) a esmagadora maioria da população não tem, por conseguinte, um estatuto efectivo de cidadão, e a sua exclusão politica corresponde uma acentuada exclusão social.

A exclusão social pode ser entendida como a fase extrema do processo de marginalização, entendida este como um percurso descendente ao longo da qual se verificam sucessivas ruptura na relação do indivíduo com a sociedade (Costa, 1998: 19).

 Costa (1998) enumera as cinco dimensões da exclusão social. Por sua vez, Paulo de Carvalho (2008:38) acrescenta a dimensão politica:

             1º Exclusão do tipo económico que é caracterizada por uma situação de privação múltipla e por falta de recursos (pobreza).

             2º Exclusão do tipo social caracterizada pelo isolamento ou ausência de laços sociais.

             3º Exclusão do tipo cultural, que tem a ver com dificuldade de integração, em consequência de fenómenos como xenofobia (egoísmo).

            4º Exclusão de origem patológica, designadamente de natureza psicológica ou mental.

             5º Exclusão por comportamento auto-destrutivos,  como sejam os casos do alcoolismo, tóxico dependência e prostituição.

            6º Exclusão politica que tem a ver com o não exercício de direitos políticos, incluindo o direito de cidadania.

Pese embora ser um termo bastante utilizado no nosso dia-a-dia, como sendo termos sinónimos, na verdade são palavras distintas. Trata-se de dois problemas sociais cada um deles com a sua dimensão. Segundo Paulo de Carvalho, o conceito de exclusão social engloba a pobreza; mas o oposto não é valido, uma vez que todo o pobre está socialmente excluído, mas nem todo o excluído social é necessariamente pobre. A pobreza é a dimensão material de um fenómeno mais vasto que é a exclusão social (Carvalho, 2008: 55).

Há autores que consideram que, em determinadas sociedades, nem todos os pobres estão em situação de exclusão, em virtude de alguns deles poderem contribuir para coesão social (Capucha, 1998: 217).

De acordo com a definição de exclusão social que utilizamos, consideramos aqui que em Angola todo o pobre se encontra em situação de exclusão social. Ainda que uma pessoa pobre não se encontra socialmente excluída numa dimensão, enfrenta barreiras e está excluída na dimensão económica, resultando daí deficiente acesso aos bens socialmente desejados.

Para trazer os pobres e excluídos à condição de cidadãos, “não basta a quantidade de recursos colocados na área social, mas a quantidade dos programas e politicas sociais, isto é, seu conteúdo de educação para a cidadania” (Camarotti e Spink, 2000: 33).

            3. Formulação das hipóteses.

             H1 Entre os munícipes do Bairro Nzinganguela existe significativa pobreza devido a guerra, desemprego, politicas económicas inadequadas e alta taxa de natalidade.

        H2 Devido a pobreza no Bairro do Nzingaguela as pessoas têm tido dificuldades de acesso a instrução formal, aos serviços básicos de saúde, água potável, energia eléctrica de rede e a informação veiculada pelos médias.

CAPÍTULO III. METODOLOGIA

3.1 Técnica de recolha de dados

Para a verificação das hipóteses e em função dos objectivos do trabalho, achamos como melhor via a utilização do método qualitativo, através da utilização da técnica entrevista aprofundada.

A pesquisa qualitativa consiste na análise de dados descritivos, buscando identificar relações de causas, efeitos, consequências, opiniões significativas, categorias e outros aspectos considerados necessários à compreensão da realidade estudada e que, geralmente, envolve múltiplos aspectos (Vianna, 2001: 122).

Invocámos a entrevistas aprofundadas, porque esta técnica permite a compreensão do sujeito a um nível interior de significado, que é o nível do pensamento, das emoções e dos sentimentos, que geralmente costumam ser escondido do mundo exterior, deixando os nossos entrevistados a exprimirem-se livremente. Isto permitirá a obtenção de dados relevantes e significativos, que muitas vezes não encontramos nos documentos consultados (Ruiz, 2008: 51).

De acordo com o pensamento de Ruiz (2008: 51) para o bom sucesso da nossa pesquisa a que tomarmos em conta os seguintes aspectos:

- O entrevistador deve ser discreto, deve evitar ser incomodativo; precisa deixar muita à vontade o informante.

- O entrevistador deve falar pouco e ouvir muito.

- O entrevistador deve anotar cuidadosamente os informes colectados, registando-os sumariamente durante a entrevista e completando suas anotações imediatamente após a entrevista ou o mais breve possível.

Para a colecta dos dados teremos como instrumento de pesquisa um guião de entrevista que será formada por um conjunto de questões, de forma organizada e sistematizada tendo como objectivo alcançar determinadas informações. A nossa entrevista será dominada por perguntas abertas.

Como nos demonstra Martins e Theófilos (2009: 86) a entrevista é estruturada quando orientada por um roteiro previamente definido e aplicado por todos os entrevistados.

Relativamente as primazias desta técnica Martins e Theófilos (2009: 86) enumeram três vantagens. Por sua vez, Vianna (2001:123) acrescenta as duas últimas alíneas:

1º Permite a obtenção de informações detalhadas sobre um tema específico, a fim de levantar motivações, crenças, percepções e atitudes em relação a certa situação de investigação.

2º Permite-nos registar informações durante a entrevista.

3º Permite um contacto directo entre o pesquisador – pesquisado, que por sinal é o instrumento principal de pesquisa.

4º Permite o uso de um guião pré estabelecido e a selecção criteriosa dos informantes.

5º Permite a utilização de procedimentos descritivos, pois seus dados não são numéricos.

            No que concerne a desvantagem, Quivy e Campenhoudt (2008 :194)  apontam:

            1º Não há probabilidade de quantificar uma multiplicidade de dados e de proceder, por conseguinte, a numerosas análises de correlação.

            2º A própria flexibilidade do método pode intimidar aqueles que não consigam trabalhar com serenidades sem directivas técnicas precisas.

             As famílias pobres serão identificadas em função do reduzido número de compartimentos de suas residências e pelo excesso de agregados familiares. Por outro, reconheceremos as famílias carentes, por não terem as três refeições diárias. Estas famílias serão também confirmadas em função da falta de determinado bens e serviços básicos, como: a água, a luz eléctrica, as redes de esgoto e assistência de saúde condigna. A pobreza destas famílias será descortinada ainda tendo em conta as actividades profissionais dos nossos entrevistados.

             Os nossos entrevistados serão tanto do sexo masculino como do sexo feminino, residentes no Bairro Nzinganguela , no município de Belas, na cidade de Luanda (capital de Angola).

            Para a elaboração do nosso trabalho de campo teremos de recorrer a saturação teórica que se da quando se verifica que uma categoria está esgotada, sendo que novos depoimentos e observações já não acrescentam nada de novo. Nesta altura o investigador deverá por fim a exploração da categoria examinada neste processo de saturação. O principio de saturação aplica-se como critério para interromper a amostragem e angariação de mais informação , pois assume-se que quando se dá a saturação teórica de uma categoria  em questão (Corbin e Strauss, 2008 :34-35).

                 Pretendemos que todos os entrevistados sejam chefes de famílias, é de frisar que não usamos critérios rigorosos para a sua formulação, mas sim o modelo de saturação.

                Começaremos o nosso estudo com os homens, por serem  eles os que mais são denominados como chefes de família.

               A seguir estaremos a entrevistar as mulheres, aquelas  que nos dizeres da UCAN (2011 :44) são as que mais sofrem os efeitos da pobreza no seio familiar, porque uma grande parte das famílias angolanas são chefiadas por mulheres (23%), apesar destas continuarem a ser discriminadas, sobretudo em relação à transmissão do património familiar por morte do cônjuge.

               Procedermos a captação sonora das entrevistas por intermédio de um telemóvel, permitindo a sua fiel transcrição. Tiraremos igualmente fotografias, que fornecem ideia do dia a dia da nossa urbe.

3. 2. O trabalho de campo

As entrevistas foram realizadas no período de 31 de Maio a 2 de Junho de 2012 e teve a duração de dezasseis horas (16 h), as mesmas tiveram lugar no município de Belas, distrito da Samba, bairro Morro Bento II, numa área denominado Nzinganguela.

As entrevistas foram feitas em casa dos entrevistados que vivem em situação de pobreza.

Entrevistamos quatro (4) homens e seis (6) mulheres, todos em idade adulta e com responsabilidade de tomarem conta de suas famílias.

O trabalho de campo decorreu de forma amena e os entrevistados mostraram-se interessados em responderem as questões.

3. 3. Características dos entrevistados

            Quanto à instrução académica, ela vai desde o analfabetismo até a nona classe, tal como demonstra a tabela 1.

            Quanto à faixa etária, quatro (4) dos entrevistados encontra-se na faixa etária dos 20-29 anos de idade, dois (2) têm entre 30-39 anos de idade, um (1) tem entre 40-49 anos de idade e três (3) têm mais de 50 anos de idade.

            Quanto à formação académica dos indivíduos que estão entre 20 e 29 anos três (3) são analfabetos, um (1) tem a 6ª Classe; os que estão entre 30 e 39 anos dois (2) têm a 9ª Classe; o que esta entre os 40 e 49 anos um (1) tem a 6ª classe e o que está entre os 50 anos e mais, dois (2) são analfabetos e um (1) tem a 6ª classe, como se pode constatar na tabela seguinte:

            Tabela 1- Entrevistados segundo a faixa etária o grau de instrução

Faixa etária Analfabeto Até a 6ª Classe 7ª a 9ª  Classe Total
20-29      3           1         - 4
30-39      -           -         2 2
40-49      -           1          - 1
50+      2           1         - 3
Total      5           3         2 10

            Fonte: Elaborado pelo autor

            Quanto ao estado civil, quatro (4) indivíduos solteiros são do sexo masculino, dois (2) divorciados destes um (1) é do sexo masculino e uma (1) é do sexo feminino, três (3) indivíduos do sexo masculino vivem maritalmente e uma (1) é viúva.

Tabela 2 – Entrevistados segundo o Estado Civil

Estado civil Homem Mulher Total
Solteiro 4 - 4
Divorciado 1 1 2
Maritalmente - 3 3
Viúva - 1 1
Total 5 5 10

Fonte: Elaborado pelo autor

                        Em relação a proveniência dos entrevistados um (1) individuo do sexo masculino é do Uige, um (1) individuo do sexo Masculino é do Bié, dois (2) indivíduos são de Benguela, dos quais um (1) é do sexo masculino e uma (1) é do sexo feminino; um (1) individuo do sexo feminino é da Huíla, um (1) individuo do sexo feminino é do Huambo; um (1) individuo do sexo feminino é de Malange; dois (2) indivíduos são de Luanda, dos quais um (1) é do sexo masculino e uma (1) é do sexo feminino.

Tabela 3 – Entrevistados segundo a proveniência

Local de proveniência Homem Mulher Total
Uige 1 - 1
Bié 1 - 1
Benguela 1 1 2
Huíla - 1 1
Bengo - 1 1
Huambo - 1 1
 Malange - 1 1
Luanda 1 1 2

Fonte: Elaborado pelo autor

            Com base a tabela nº 3, podemos concluir que a maior parte dos habitantes da cidade de Luanda são indivíduos vindo do interior de Angola que se afixaram por mais diversas razões.

CAPÍTULO IV. O IMPACCTO DA POBREZA NAS FAMÍLIAS DO NZINGANGUELA

Nzinganguela é um bairro pobre, situa-se no distrito da Samba. O mesmo encontra-se privado de energia eléctrica de rede da EDEL (Empresa de Distribuição de Energia Eléctrica), de água canalizada e de rede de esgoto. Seus munícipes vivem esperançoso que o executivo cumpra com as suas obrigações plasmada na Constituição da Republica de Angola, no seu artigo 21º  as tarefas fundamentais do Estado, nas suas alíneas c), d) e e), a saber:

            c) Criar progressivamente as condições necessárias para tornar efectivos os direitos económicos, sociais e culturais dos cidadãos;

            d) Promover o bem-estar, a solidariedade social e a elevação da qualidade de vida do povo angolano, designadamente dos grupos populacionais mais desfavorecidos.

            e) Promover a erradicação da pobreza (Constituição, 2010: 11).

        Pudemos constatar que no rosto da maioria dos munícipes do bairro figura pobreza, cada um tenta sobreviver pela forma que poder; grande parte dos jovens está sem emprego condigno.

            Em conversa que fomos mantendo com determinadas famílias, percebemos que há sempre uma reclamação de alimentação, de emprego, de saúde, de educação, de vestuário e de habitação digna.

               Na mesma esteira, verificamos que em cada esquina há uma pracinha, uma bancada na porta de uma casa ou há uma cantina em casa. Alguns munícipes ocupam o seu tempo como vendedores ambulantes. Todas estas práticas são usadas pelas famílias como formas para minimizar as carências das famílias.

         De acordo as condições económicas dos munícipes, foi nossa intenção saber quem os ajudava quando necessitassem de algo:

            Oito (8) dos entrevistados apontaram as famílias comos os principais actores para prestação de ajuda; dois (2) últimos, um (1) disse que fazia kilápi nos vizinhos e um (1) falava em ajuda vindo de pessoas de boa-fé.

“Quando estou necessitado faço kilapi nos vizinhos ou vou a casa do meu irmão”. (E1)

“Quem me ajuda são os meus irmãos e o meu esposo”. (E10)

Um aspecto a destacar é que as famílias entrevistadas não dependem directamente de ajudas de instituições do estado. Vivem a base de solidariedade prestada por parentes, vizinhos ou ainda amigos.

 

4.1 As condições de vida das famílias

            No que se refere as condições de vida, a maior parte dos nossos entrevistados vivem em casa sem grandes condições de habitabilidade.

            Em relação ao número de filhos, ao número de residentes em casa e as subdivisões da casa, o primeiro entrevistado disse que tem sete (7) filhos, vive sozinho e numa casa de um (1) compartimento; o segundo entrevistado tem oito (8) filhos, vive numa casa com catorze (14) indivíduos e a casa é de quatro (4) compartimentos; o terceiro disse que tem três (3) filhos, reside em casa sete (7) indivíduos e que a casa tem seis (6) subdivisões; o quarto entrevistado disse que tem dez (10) filhos, reside em casa nove (9) indivíduos e que a casa tem três (3) subdivisões; o quinto disse que tem um (1) filho, reside em casa três (3) indivíduos e que a casa tem um (1) compartimento; o sexto disse que tem oito (8) filhos, reside em casa dez (10) indivíduos e que a casa tem três subdivisões; o sétimo disse que tem quatro (4) filhos, reside em casa oito (8) indivíduos

e que a casa tem três (3) subdivisões; o oitavo disse que tem três (3) filhos, reside em casa sete (7) indivíduos e que a casa tem seis (6) subdivisões; o nono disse que tem três (3) filhos, reside em casa seis (6) indivíduos e que a casa tem duas (2) subdivisões; o decimo disse que tem sete (7) filhos, reside em casa dez (10) indivíduos e que a casa tem três (3) subdivisões.

Tabela 3 – Segundo nºs filhos, nº de residentes em casa e subdivisões da casa.

Entrevistados Nº de filhos Nº de residentes em casa Subdivisões da casa
1 7 1 1
2 8 14 4
3 3 7 6
4 10 9 3
5 1 3 1
6 8 10 3
7 4 8 3
8 3 5 2
9 3 6 2
10 7 10 3
Total 54 71 28

Fonte: Elaborado pelo autor

              De acordo com os dados apresentados na tabela nº 3, o número de pessoas que constituem os residentes em casa, vai de um (1) a catorze (14) indivíduos por agregado, muitas vezes dividindo um domicílio com apenas uma divisão numa média de três a cinco pessoas por cada compartimento da casa. Isto, porque além dos filhos do cônjuge que fazem parte do agregado, na maior parte dos casos existem outros parentes a viver em casa (como é o caso de avós, sobrinhos, tios etc.). Todos sob responsabilidade do chefe da família que em alguns casos têm apenas como fonte de rendimento um pequeno negócio.

            De acordo com a conversa que fomos mantendo com os nossos entrevistado, tivemos interesse em saber se tinham alguma profissão.

            Quanto à actividade profissional em função do sexo, entrevistamos cinco (5) indivíduos do sexo feminino e cinco (5) indivíduos do sexo masculino. Dos cinco (5) indivíduos do sexo feminino, quatro (4) não têm profissão, um (1) não exerce a sua profissão. Os cinco (5) indivíduos do sexo masculino, um (1) não tem profissão, dois (2) não exercem a sua profissão e dois (2) exercem a profissão.

Tabela 4 – Actividade profissional em função do sexo

Actividade profissional Mulheres Homens Total
Não têm profissão 4 1 5
Não exercem a sua profissão 1 2 3
Exercem a profissão - 2 2
Total 5 5 10

Fonte: Elaborado pelo autor

Como podemos observar na tabela nº 4, alguns dos nossos entrevistados não têm uma profissão o que pode complicar o seu acesso ao mercado de emprego, a vida estável (economicamente), o acesso as condições sociais básicas e pode vir a ser um meio para a reprodução do desemprego que é uma das causas da pobreza.

Relativamente o não exercício da profissão na sua base pode estar a falta de oportunidade de emprego a que muitos indivíduos se encontram.

Os que exercem a profissão, estes já podem adquirir alguns bens essenciais para as suas vidas.

            Em relação as pessoas desempregadas em casa, oito (8) dos entrevistados responderam-nos que têm em casa indivíduos em situação de desempregados. Destes sete (7) disseram que estavam sem trabalho, enquanto que um (1) respondeu a pergunta sem qualquer nexo.

“Eu estou sozinho”. (E1)

“Somente, quatro deles estão mesmo sem nada fazem”. (E4)

De acordo com as entrevistas, concluímos que a proporção de pessoas desempregada atinge níveis elevados, porquanto em quase todas as famílias encontramos pessoas sem emprego, de certa forma, isto deve-se a escassez de postos de trabalho.

4.2.1 Acesso a serviços sociais básicos

Com as entrevistas que se seguem pretendemos ter uma visão abrangente sobre as condições físicas, ambientais e sociais de habitabilidade da população e identificar as características actuais da economia angolana e o impacto da pobreza sobre as famílias no bairro Nzinganguela.

            Nesta ordem de ideia, procuramos saber sobre o acesso a água canalizada, a resposta que obtivemos é que nenhuma família por nós entrevistada tem água canalizada em casa.

“Não temos água canalizada, porque o governo ainda não meteu”. (E4)

“Não! Porque o bairro não está organizado, há muitos becos; talvez, por isso, não colocam a água”. (E7)

            Quando procuramos saber como adquirem a água para o consumo, oito (8) dos entrevistados responderam dos tanques. Os outros dois (2) tiveram respostas diferentes, tendo um (1) referido que obtemos das cisternas e o outro disse que comprava a água, não dizendo exactamente onde comprava.

“Para o consumo a água adquirimos nos tanques a 100 kuanzas o bidon”. (E2)

“Normalmente, a bacia de água compramos. Quando se está na falta de água pagamos a 100 kuanzas”. (E6)

            Um país rico em recursos hídricos, com rios muito próximo de nós, não se percebe muito bem como os luandenses e de modo particular os munícipes do bairro Nzinganguela, se vem obrigados a comprarem de forma rotineira água em camião cisterna e revendido a preço de 100 kwanzas a bacia e por 80 kwanzas um bidon de 20 litros.

            O abastecimento de água em caminhos cisternas (não são muito higiénicas) e devido a forma como a água é conservada (em tanques) podem estar na base de surgimento de várias doenças correntes. Por outro lado, constatamos que a falta de água à população, aumenta consideravelmente as despesas destas famílias carentes.

            O problema da água potável no bairro em estudo pode ser relacionado com as estatísticas segundo o qual “Cerca de 90,5% das mortes por diarreia aguda em países em desenvolvimento atinge a população com menos de 15 anos de idade. Em Angola, entre as principais causas de morbilidade e mortalidade encontram-se doenças derivadas do consumo de água de fontes inapropriada, que podem ser prevenidas com o recurso a regras básicas de higiene (INE, 2011: 39)”.

            No que respeita a energia eléctrica de rede da EDEL, todos os entrevistados afirmaram não terem energia eléctrica de rede. Destes três (3) disseram que têm energia eléctrica a partir das puxadas de energias privadas.

“… A energia que cá temos é esta de puxa-puxa. Bem dizer, não temos, porque esta energia vem de vez em quando e quando vem é só para acender lâmpadas, tipo candeeiro” (E2).

“Em casa não temos luz,  porque o Petê é muito cara” (E4)

“… Energia aqui é de puxar. Se você não tem dinheiro para pagar nesses moços que puxa, você não tem luz. Desde que falhou, agora que veio estão a cobrar 3000 kz, por enquanto não tenho, vamos ficar mesmo assim” (E9).

            Os nossos entrevistados não têm contrato com a empresa que fornece energia eléctrica em Luanda, o que nos levou a constatar que essas famílias quando têm energia ou é por meios de energias privadas ou é através de puxadas que fazem de residências situadas nos arredores das suas casas, mas esta energia por passarem em várias moradias, chega-lhes com pouca intensidade, impossibilitando o uso adequado de electrodomésticos.

            Quanto às condições de saneamento cinco (5) dos nossos entrevistados responderam que depositam o lixo nos contentores, um (1) disse que deitava perto do contentor, quando cheio, um (1) afirmou que deitava ao lado da estrada; um (1) disse que o carro é que transporta; um (1) disse-nos que deitava no chão e um (1) disse que deitava na lixeira.

 “Se o contentor estiver cheio, colocamos perto do contentor”. (E2)

“Metemos ao lado da estrada”. (E6)

“Se o contentor estiver cheio, colocamos perto do contentor”. (E7)

“Colocamos mesmo aí no chão”, (E8)

            De acordo com as entrevistas poder-se-ia dizer que a maior parte dos munícipes procuram dar um tratamento adequado ao lixo, outros depositam os resíduos sólidos em qualquer lugar originando assim lixeiras que não são nem higiénico nem estético. Talvez o facto de não ter meio de depósito de lixo em tempo oportuno esteja na base do tratamento inadequado do lixo por parte de alguns indivíduos.

            Com correlação a rede de esgoto, todos os entrevistados foram unânimes em afirmar que o bairro não possui rede de esgoto e que no tempo chuvoso enfrentam muitos problemas de inundações.

“Não rede de esgoto, porque a área não esta urbanizado”. (E2)

“O nosso bairro não tem rede de esgoto por causa das construções anárquicas”. (E6)

            A falta de esgoto, faz com que no tempo chuvoso haja inundações não só em certas casas como também em certas ruas. As inundações acarretam várias implicações, como?! Perca de certos haveres, difícil locomoção dos munícipes, obrigando a colocação de pedras e outros meios possíveis para se movimentarem de um lado para o outro e ainda o surgimento de doenças respiratórias e diarreicas.

            Em nosso entender a inexistência do serviço de esgoto contribui para o baixo nível de saneamento básico dos munícipes e da população em geral.

            Relativamente o acesso as informações veiculadas pelos medias, todos os respondentes disseram-nos que tinham dificuldades a estes serviços.

“Nas minhas condições onde é que vou passar tirar dinheiro para comprar pilha para ouvir rádio”. (E2)

“Dificulta um pouco, já sabe: a energia não tem, os geradores não têm, epá! Quando nos aparece um dinheirinho compramos pilhas e escutamos um pouco de rádio”. (E8)

Hoje fala-se muito de desenvolvimento económico, mas pouco se fala do desenvolvimento da própria sociedade. Com os depoimentos dos entrevistados, concluímos que o seu nível de vida (de pobre) está na base do deficiente acesso aos serviços de informação dos medias.

A respeito de dinheiro para tratamentos, quatro (4) dos entrevistados disseram-nos que não se conseguia fazer nada. Três (3) disseram que conseguiam dinheiro para o tratamento, destes um (1) disse que vamos mesmo nestes postos de saúde; um (1) afirmou que conseguimos tratar, caso não chegue recorremos a família. Um (1) disse que conseguimos, porque o posto médico não pede muito dinheiro. Por outro lado, três (3) dos entrevistados preferiram não afirmarem nem negarem.

“Não chega mesmo para nada é só de se remediar”. (E7)

“Conseguimos, porque no posto medico não se pede muito dinheiro”. (E8)

Geralmente, estas famílias dirigem aos postos médicos estatais a busca de uma assistência médica, o que se verifica é que quase sempre não existe medicamentos, o que dificulta ainda mais a situação destas famílias.

Procuramos também saber aos nossos entrevistados quantas vezes se alimentavam por dia.

            Seis (6) dos entrevistados responderam que se alimentavam duas vezes por dia; dois (2) disseram que as suas refeições variavam de uma a duas vezes; um (1) disse que em Luanda não se come muito e um (1) disse que só tem uma única refeição.

“Varia, comemos uma vez ou duas vezes”. (E2)

“Mano, aqui em Luanda não se pode comer muito, uma vez mesmo chega”. (E4)

“Acho que duas vezes é suficiente, né!” (E9)

            Em função da vulnerabilidade das famílias entrevistadas, verificamos que eles nunca têm as três refeições diárias nem tão pouco uma refeição de qualidade.  Referente a questão, como faziam parta se alimentarem? Todos os entrevistados afirmaram que faziam qualquer coisa para a sua sustentação, tendo dois (2) dito que vendiam, dois (2) responderam que bastavam fazer um bom programa, um (1) disse que fazia pequenos trabalhos, um (1) disse que funcionava na Odebrecht, um (1) disse que batia a cabeça por aí, um (1) disse que comia do seu suor, um (1) referiu que o marido trabalhava, ela vendia e Um (1) disse para comer fazia sacrifício em trançar outrem.

“Para comer é bater cabeça por aí, por aí; a minha esposa faz uns pequenos negócios e também temos alguns quartos na renda”. (E3)

“Faço serviço de pedreira na Odebrecht. Mas para garantir uma coisa maior no final do mês, bumbo também como segurança aqui no Colégio Nova Estrela, aqui mesmo ao lado”. (E7)

            Concluímos que os nossos entrevistados, alguns são sub – empregados, outros são desempregados pelo que não têm tanta possibilidade de completarem as três refeições; por isso, a sua subsistência tem sido em função do que aparece sem muita chance de escolha alimentar. Por outro, muitos responsáveis destas famílias são obrigados a fazerem serviços redobrados.

            Com relação a pergunta sobre se consideravam pobre? Obtivemos:

            Oito (8) declararam serem pobres, um (1) disse que enquanto em vida não era pobre e outro por simplesmente disse que não era pobre.

 “Sim sou pobre”. (E4)

            “Enquanto tenho vida não sou pobre”. (E5)

“Não me acho pobre”. (E7)

“Acho-me uma pessoa pobre”. (E8)

Independentemente das declarações dos dois entrevistados que negaram serem pobres. Nós entendemos em função do conceito de pobreza e em função do que fora traçado na segunda hipótese que devido a pobreza no Bairro do Nzingaguela as pessoas têm tido dificuldades de acesso a instrução formal, aos serviços básicos de saúde, água potável, energia eléctrica de rede e a informação veiculada pelos médias. Entendemos segundo a visão referida atrás, embora não assumida por todos, mas nós consideramo-los como pobres; visto que, as necessidades de recursos, as formas alternativas de sobrevivência, justificam em si que são indivíduos desprovidos das necessidades mais básica do indivíduo.

Sobre a carência acentuada pela guerra, oito (8) dos entrevistados disseram-nos que a guerra foi o principal causador de suas desgraças, um (1) disse que não e um (1) disse que a guerra não se fez sentir muito em Luanda.

“Em parte digo que sim, porque perdemos lá os nossos haveres”. ( E2)

“Não afirmo, porque em Luanda não houve tanta guerra”. (E4)

Angola viveu um conflito armado que durou muitos anos e esta guerra provocou transformações económicas, sociais graves e acentuou a pobreza. A par de toda esta situação, Luanda tornou-se o palco das atenções, sobretudo nas periferias (Nzinganguela); porque é justamente nas periferias onde vão surgindo novas residências e consequentemente a maior concentração populacional, visto que os grandes centros urbanos já se encontravam habitados.

4.2.3 Motivos para migração à Luanda

Em função da deslocação populacional que se verificou no país, por mais diversas razões, colocamos para esta abordagem duas questões: “O que veio cá fazer em Luanda?” e a outra, “Porque saiu da sua província?”. Cinco (5) responderam terem vindo a capital para tentar a vida. Três (3) dos entrevistados afirmaram terem deixado suas províncias devido a guerra,

“Saí por causa da guerra em 1992 e agora trabalho como pedreiro na Odebrechet”. (E1)

“Saí para tentar a vida em Luanda”. (E5)

“O problema da minha saída do Huambo foi a guerra e por me acostumar aqui, vendo a minha Kapuca[1] ”. (E9)

            Concluímos que houve uma migração esforçada, muitos indivíduos tiveram que deixar suas terras de origem para se acomodarem na cidade de Luanda, grande parte destes indivíduos afixaram-se cá e já nem pensam em regressar, porque entendem que Luanda é uma cidade onde quase tudo é mais facilitado.

4.2.4 Avaliação das políticas do executivo

            Quanto à avaliação das políticas económicas e sociais do executivo, constatou-se que todos respondentes foram unânimes em atribuir nota negativa aos trabalhos do governo.

“Avalio como sendo muito mal, porque o recurso do país quem o beneficia é um a pequenita parte”. (E4)

“Na verdade, pouco fazem por nós, o que dizem não se vê na prática, vamos só aguardar”. (E7)

            Um do nosso objectivo é “Identificar as características actuais da economia angolana e o impacto da pobreza sobre as famílias como célula básica”. Foi desta forma que procuramos entender como têm sido implementadas as políticas económicas do executivo, notamos que existe uma insatisfação por parte dos nossos entrevistados, relativamente a esta questão que estamos abordar. Eles percebem que há uma grande desigualdade social. Fala-se que uma minoria é detentora de uma parte significativa das riquezas do país e que de certa forma facilita ainda mais a reprodução da pobreza.

            Quando solicitados a sugerir sobre o combate a pobreza, oito (8) dos actores declararam que é responsabilidade do executivo o combate a pobreza, um (1) disse que é preciso que haja empregos fixos e o outro falava em mais pessoas formadas na sociedade para que haja desenvolvimento.

“Para o combate a pobreza o Estado tem de criar mecanismos de ajuda aos mais carentes”. (E1)

“Para o combate a pobreza é necessário mais pessoas formadas na sociedade para poder desenvolver as empresas. Também o nosso governo deve construir mais escolas, hospitais, universidades e fábricas”. (10)

            Em síntese, o que se pode dizer das repostas dos entrevistados é que quase todos acham que o executivo é o primeiro responsável para o combate a pobreza, visto que, que ela pode acarretar muitos problemas, como: a fome, o êxodo migratório, a prostituição, a delinquência, a exclusão social e outros problemas sociais.

Além de mais, constatamos que as famílias desfavorecidas optam em actividades que lhe permitem ganhar já e agora um bom dinheiro: a venda ambulante, lavagem de carros, pedreiro, candongueiros, etc

Pois, o trabalho dignifica o homem e que o mesmo contribui para melhoria das condições físicas, ambientais e sociais de habitabilidade da população (das famílias). A falta de emprego não permite aos entrevistados uma vida condigna, nem tão pouco permite a acumulação de capital.

Conclusão

O estudo da pobreza no bairro Nzinganguela”, entrevistamos indivíduos residentes (todos pobres) socialmente excluída, pelo menos numa dimensão de exclusão (económica, politica, social, cultural, patológica ou por comportamentos auto-destrutivos).

Nas nossas entrevistas, notamos que muitas famílias passam por várias necessidades. Enumeramos algumas dificuldades a que atravessam muitos destes concidadãos como a falta de transportes públicos, inundação no tempo chuvoso (muitas águas paradas) em algumas artérias desta urbe, falta de energia eléctrica de rede, de saneamento básico, de meios financeiros, dentre outras. Nos referimos a vários conceitos de pobreza.

Apresentamos a pobreza em Angola, conforme o Relatório Social de Angola um dos grandes problemas da grande maioria das famílias angolanas é a pobreza. As mulheres e as crianças são as que mais sofrem os efeitos da pobreza no seio familiar, porque uma grande parte das famílias angolanas são chefiadas por mulheres (23%), apesar destas continuarem a ser discriminadas, sobretudo em relação à transmissão do património familiar por morte do cônjuge (UCAN, 2011: 44).

            De acordo com as nossas investigações, percebemos a pobreza é essencialmente resultado da combinação de vários factores, nomeadamente de natureza politica, demográfica e socioeconómica.

Estabelecemos a relação entre a exclusão social e pobreza, Pese embora serem termos bastante utilizado no nosso dia-a-dia, como sendo termos sinónimos, na verdade são palavras distintas. Trata-se de dois problemas sociais cada um deles com a sua dimensão. Segundo Paulo de Carvalho, o conceito de exclusão social engloba a pobreza; mas o oposto não é valido, uma vez que todo o pobre está socialmente excluído, mas nem todo o excluído social é necessariamente pobre. A pobreza é a dimensão material de um fenómeno mais vasto que é a exclusão social (Carvalho, 2008: 55).

Para a comprovar as nossas hipóteses, entrevistamos quatro (4) homens e seis (6) mulheres, todos em idade adulta e com responsabilidade de tomarem conta de suas famílias. De acordo com as entrevistas, concluímos que:

 A proporção de pessoas desempregada atinge níveis elevados, porquanto em quase todas as famílias encontramos pessoas sem emprego, de certa forma, isto deve-se a escassez de postos de trabalho.

Um do nosso objectivo é “Identificar as características actuais da economia angolana e o impacto da pobreza sobre as famílias como célula básica”. Foi desta forma que procuramos entender como têm sido implementadas as políticas económicas do executivo. Notamos que existe uma insatisfação por parte dos nossos entrevistados, relativamente a esta questão que estamos a abordar. Eles percebem que há uma grande desigualdade social. Fala-se que uma minoria é detentora de uma parte significativa das riquezas do país e que de certa forma facilita ainda mais a reprodução da pobreza.

Desta maneira, estaríamos a verificar e a confirmar a nossa hipótese segundo a qual, “entre os munícipes do Bairro Nzinganguela existe significativa pobreza devido a guerra, o desemprego e as politicas económicas”.

Em função das condições de vida dos munícipes a maior parte dos nossos entrevistados vivem sem grandes condições de habitabilidade, por esta razão identificamos alguns problemas, como observamos:

Na tabela nº 4 do nosso trabalho, alguns dos nossos entrevistados não têm uma profissão o que pode complicar o seu acesso ao mercado de emprego, a vida estável (economicamente), o acesso as condições sociais básicas e pode vir a ser um meio para a reprodução do desemprego que é uma das causas da pobreza.

Relativamente o não exercício da profissão na sua base pode estar a falta de oportunidade de emprego a que muitos indivíduos se encontram.

O abastecimento de água em caminhos cisternas não é muito higiénico e que a forma como a mesma é conservada em tanques podem estar na base de surgimento de várias doenças correntes, por outro lado, constatamos que a falta de água à população, aumenta consideravelmente as despesas destas famílias carentes.

            No que respeita a energia eléctrica de rede da EDEL, todos os entrevistados afirmaram não terem energia eléctrica da rede.

De acordo com as entrevistas poder-se-ia dizer que a maior parte dos munícipes procuram dar um tratamento adequado ao lixo. Outros depositam os resíduos sólidos em qualquer lugar originando assim lixeiras que não são nem higiénico nem estético. Talvez o facto de não ter meio de depósito de lixo em tempo oportuno esteja na base do tratamento inadequado do lixo por parte de alguns indivíduos.

            A falta de esgoto faz com que no tempo chuvoso haja inundações não só em certas casas como também em certas ruas. As inundações acarretam várias implicações, como perca de certos haveres, difícil locomoção dos munícipes, obrigando a colocação de pedras e outros meios possíveis para se movimentarem de um lado para o outro e ainda o surgimento de doenças respiratórias e diarreicas.

            Relativamente o acesso as informações veiculadas pelos medias, todos os respondentes disseram-nos que tinham dificuldades a estes serviços.

            Os dados acima exposto comprovam a nossa hipótese segundo a qual devido a pobreza no Bairro do Nzingaguela as pessoas têm tido dificuldades de acesso a serviços básicos de saúde, água potável, energia eléctrica de rede e informação dos medias.

Também ficou comprovada a ideia segundo a qual “Entre os munícipes do Bairro Nzinganguela existe significativa pobreza devido as políticas económicas inadequadas”.

            Em função da vulnerabilidade das famílias entrevistadas, verificamos que eles nunca têm as três refeições diárias nem tão pouco uma refeição de qualidade.

O trabalho de campo decorreu de forma amena e os entrevistados mostraram-se interessados em responderem as questões.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências Bibliográficas

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Guião de entrevistas com pessoas com escassez de bens

Data da entrevista?

Onde vive?

Tem casa própria?

Quantas subdivisões é que tem a casa?

Quantas pessoas vivem em casa?

Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

Tem água canalizada em casa? Se não, o porquê?

Como adquirem a água para o consumo?

O teu bairro tem rede de esgoto? Se não, o porquê?

Onde vocês deitam o lixo?

Por que razão vives nestas condições de pobreza?

Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

É de Luanda ou veio de outra província?

O que veio cá fazer em Luanda?

Porque saiu da sua província?

Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

Quantos filhos tens?

Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

Achas-te uma pessoa pobre?

Quantas vezes te alimentas por dia?

Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Dê que forma avalia as políticas do executivo para com os moradores?

O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

Que sugestão tens para o combate a pobreza?

Local?

Idade?

Sexo?

Profissão?

Naturalidade?

                              Guião de entrevistas nº 1

Data da entrevista: 31/05/12

1. Onde vive?

Aqui mesmo no Morro Bento II

2. Tem casa própria?

Tenho casa própria.

3. Quantas subdivisões é que tem a casa?

A minha casa é de um quarto, bem dizer é um quarto e sala, porque coloquei cortina ao meio.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

De momento estou sozinho.

5. E tem casa de banho? Se não, o porquê?

A nossa casa de banho é mesmo esta aí (feito de chapa de zinco).

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

Isto é que não existe. Porque o governo não se importa em dar-nos luz.

7. Tem água canalizada em casa? Se não, o porquê?

Não! O porquê, também não sei.

8. Como adquirem a água para o consumo?

Nos adquirimos água nos camiões cisternas.

9. O teu bairro tem rede de esgoto? Se não, o porquê?

Não tem, porque o governo não colocou.

10. Onde vocês deitam o lixo?

Depositamos o nosso lixo mesmo nos contentores.

11. Por que razão vives nestas condições de pobreza?

Vivo nestas condições, por causa mesmo do emprego.

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

A minha mãe e o meu pai naquele tempo só me ajudaram chegar até na 4ª classe.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Não, vim de outra província, Uige município do Bungo.

14. Porque saiu da sua província?

Saí por causa da guerra em 1992 e agora trabalha como pedreiro na odebrechet.

15. Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

A guerra é o principal causar da nossa desgraça.

16. Quantos filhos tens?

Sou pai de sete filhos.

17. O que fazem os seus filhos?

Os meus filhos andam mesmo só aí por aí.

18. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

Eu estou sozinho.

19. Achas-te uma pessoa pobre?

Risos… sou pobre!

20. Quantas vezes te alimentas por dia?

Depende uma, duas conforme aparecer.

21. Para comer fazes como?

O que me ajuda mesmo são os biscates; bato bloco de quando em vez.

22. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Mais ou menos, superamos alguns problemas.

23. Dê que forma avalia as políticas do executivo para com os moradores?

As políticas do governo vão muito mal, muitas promessas para nada.

24. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

Dificulta sim senhor, um bairro deste sem energia o que se espera.

Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

Quando estou necessitado faço um Kilapi nos vizinhos ou vou a casa do meu irmão.

Que sugestão tens para o combate a pobreza?

Para o combate a pobreza o Estado tem que criar mecanismos de ajuda aos mais carentes.

Local: Morro Bento II

Idade: 56 anos

Sexo: Masculino

Estado Civil: Solteiro

Profissão: Pedreiro.

Naturalidade: Angolano

Guião de entrevistas nº 2

Data da entrevista:31/05/12

1. Onde vive?

Eu vivo no Morro Bento II

2. Tem casa própria? Porquê?

Não tenho casa própria, porque não há ainda condições.

3. Quantas subdivisões é que tem a casa?

A minha casa é de três quartos e sala.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

Em casa somos catorze pessoas.

5. E tem casa de banho? Se não, o porquê?

Temos casa de banho.

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

… A energia que cá temos é esta de puxa-puxa. Bem dizer, não temos, porque esta energia vem de vez em quando e quando vem é só para acender lâmpadas, tipo candeeiro.

7. Tem água canalizada em casa? Se não, o porquê?

Não temos água canalizada, porque o bairro não está urbanizado.

8. Como adquirem a água para o consumo?

Para o consumo a água adquirimos nos tanques a cem kuanzas o bidon.

9. O teu bairro tem rede de esgoto? Se não, o porquê?

Não há rede de esgoto, porque a área não esta urbanizada.

10. Onde vocês deitam o lixo?

Se o contentor estiver cheio, colocamos perto do contentor.

11. Por que razão vives nestas condições de pobreza?

Vivo nestas condições, porque o dinheiro que ganho é insuficiente.

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

Graças a Deus tenho a minha 4ª classe do tempo colonial.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Sou de kamacupa, isto é no Bié.

14. O que veio cá fazer em Luanda?

Vim cá viver por causa da guerrilha e mi casei aqui.

15. Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

Em parte, digo que sim, porque perdemos lá os nossos haveres.

16. Quantos filhos tens?

Tenho oito filhos.

17. O que fazem os seus filhos?

Alguns estão a estudar os outros estão aprender ofícios.

18. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

19. Os que não estão mesmo a trabalhar, são dois.

Achas-te uma pessoa pobre?

Sim.

20. Quantas vezes te alimentas por dia?

Varia, comemos uma vez ou duas vezes.

21. Para comer fazes como?

Faço serviço de pedreira na Odebrecht. Mas para garantir uma coisa maior no final do mês, bumbo também como segurança aqui no Colégio Nova Estrela, aqui mesmo ao lado.

22. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Sim, vamos mesmo nestes postos de saúde.

23. Dê que forma avalia as políticas do executivo para com os moradores?

Avalio a politica do governo como fraco, não nos ajuda.

24. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

Nas minhas condições onde é que vou passar tirar dinheiro para comprar pilha para ouvir rádio.

25. Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

Quem nos ajuda são os nossos parentes.

26. Que sugestão tens para o combate a pobreza?

Para se combater a pobreza o governo tem que garantir um bom salário aos funcionários.

Local: Morro Bento II

Idade: 50 anos

Sexo: Masculino

Estado civil: Solteiro

Profissão: Pedreiro

Naturalidade: Angolano

Guião de entrevista nº 3

Data da entrevista:31/05/12

1. Onde vive?

Este aqui no  Morro Bento.

2. Tem casa própria?

Sim tenho.

3. Quantas subdivisões é que tem a casa?

A minha casa é de cinco quartos e com uma sala comum, dos quais três quartos arrendámos.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

Em casa somos sete pessoas.

5. E tem casa de banho? Se não, o porquê?

Temos casa de banho no quintal.

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

A nossa casa não tem luz eléctrica.

7. Tem água canalizada em casa? Se não, o porquê?

A nossa casa não tem água canalizada, o porquê! Caberia ao governo.

8. Como adquirem a água para o consumo?

Compramos nos tanques dos outros, a preço de cem kuanzas.

9. O teu bairro tem rede de esgoto? Se não, o porquê?

O meu bairro não tem rede de esgoto, a justificação tem de vir do governo.

10. Onde vocês deitam o lixo?

O lixo o carro é que leva, passa quase sempre nas ruas.

11. Por que razão vives nestas condições de pobreza?

Vivo nestas condições, porque estou sem emprego.

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

Não tive oportunidade de estudar, por falta de condições naquele tempo.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Sou da província da Benguela.

14. Porque saiu da sua província?

Saí da minha terra em Benguela para vir estudar aqui, mas acabei por manter aqui.

15. Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

Acho que a guerra prejudicou a todos nos, o meu pai por exemplo: tinha muito gado tudo perdeu-se.

16. Quantos filhos tens?

Eu tenho três filhos.

17. O que fazem os seus filhos?

Só um, está a estudar.

18. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

Eu mesmo não trabalho.

19. Achas-te uma pessoa pobre?

Sim, eu sou pobre.

20. Quantas vezes te alimentas por dia?

Tenho duas refeições por dia.

21. Para comer fazes como?

Para comer é bater a cabeça por aí, por aí; a minha esposa faz uns pequenos negócios e também temos alguns quartos na renda.

22. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Mas ou menos, as vezes chega, as vezes não.

23. Dê que forma avalia as políticas do executivo para com os moradores?

As politicas do executivo só eles entendem, nós não ganhamos nada.

24. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

Dificulta, eu por exemplo não compro jornal, rádio oiço de quando em vez.

25. Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

Quando necessito a minha família ajuda-me.

26. Que sugestão tens para o combate a pobreza?

Em minha opinião o governo tinha mesmo que conceder crédito aos mais necessitados, sem terem que pagar altos juros. Assim o pessoal teria desenvolvido mais.

Local: Morro Bento II

Idade: 47 anos

Sexo: Masculino

Estado Civil: Solteiro

Profissão: Não tem profissão (Desempregado)

Naturalidade: Angolano

Guião de entrevista nº 4

Data da entrevista:31/05/12

1. Onde vive?

Vivo no Morro Bento .

2. Tem casa própria?

Tenho casa própria.

3. Quantas subdivisões é que tem a casa?

A minha casa é de dois quarto e sala, um quarto está alugada.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

Em casa somos nove.

5. E tem casa de banho? Se não, o porquê?

Temos a nossa casa de banho externo.

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

Em casa não temos luz, porque p.t é muito cara.

7. Tem água canalizada em casa? Se não, o porquê?

Não temos água canalizada, porque o governo ainda não meteu.

8. Como adquirem a água para o consumo?

Adquirimos a água nos tanques dos vizinhos.

9. O teu bairro tem rede de esgoto? Se não, o porquê?

O meu bairro não tem rede de esgoto.

10. Onde vocês deitam o lixo?

Deitamos no contentor.

11. Por que razão vives nestas condições de pobreza?

Vivo nestas condições porque o país não tem condições própria para mim.

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

Sim, estudei até a 9ª classe.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Sou de Luanda,

14. Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

Não afirmo, porque em Luanda não houve tanta guerra.

15. Quantos filhos tens?

Sou pai de dez filhos.

16. O que fazem os seus filhos?

Os meus filhos andam por aí.

17. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

Somente, quatro deles estão memo sem nada fazerem.

18. Achas-te uma pessoa pobre?

Sou uma pessoa pobre.

19. Quantas vezes te alimentas por dia?

Mano! aqui em Luanda não se pode comer muito uma vez mesmo chega.

20. Para comer fazes como?

Do meu próprio suor é onde sai a comida.

21. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Tratamos mesmo de se remediar.

22. Dê que forma avalia as políticas do executivo para com os moradores?

Avalio como sendo muito mal, porque o recurso do país quem o beneficia é uma pequenita parte.

23. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

No meu caso só escuto mais rádio, nada de jornal, porque não gosto.

24. Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

A família me ajuda mesmo.

25. Que sugestão tens para o combate a pobreza?

A sugestão é que o governo crie mais empresas e aumente o salário dos que já trabalham, de forma a garantir uma vida condigna.

Local: Morro Bento II

Idade: 38 anos

Sexo: Masculino

Estado civil: Solteiro

Profissão: Mecânico (Não exerce)

Naturalidade: Angolano

Guião de entrevistas nº 5

Data da entrevista: 31/05/2012

1. Onde vive?

Vivo no Morro Bento II

2. Tem casa própria?

Não, vivo em casa de aluguer, porque não temos recursos para comprar terreno e construir.

3. Quantas subdivisões é que tem a casa?

Vivo apenas num quarto.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

Vivemos três pessoas.

5. E tem casa de banho? Se não, o porquê?

Sim temos.

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

Tem luz eléctrica, assim fraquinha do p.t.

7. Tem água canalizada em casa? Se não, o porquê?

A água é que nunca tivemos, porque o governo nunca se preocupou em colocar condutas de água para o bairro.

8. Como adquirem a água para o consumo?

A água conseguimos nos tanques.

9. O teu bairro tem rede de esgoto? Se não, o porquê?

Não tem rede de esgoto, só o governo sabe o porquê.

10. Onde vocês deitam o lixo?

Nos contentores e depois é recolhido pelos camiões da Vista e as águas deitamos nas ruas.

11. Por que razão vives nestas condições de pobreza?

Porque o país esta ser dirigido por gananciosos e a riqueza é dividido por uma minoria.

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

Sim, estudei, até a 5ª classe. Porque na minha província era mais trabalhar no campo.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Sou da província da Huíla, mas nasci na  Chibia.

14. Porque saiu da sua província?

Saí para tentar a vida em Luanda.

15. Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

Influenciou e muito, perdemos os nossos haveres.

16. Quantos filhos tens?

Tenho um filho.

17. O que fazem os seus filhos?

O meu filho ainda é criança.

18. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

Todos nos estamos a fazer qualquer coisa.

19. Achas-te uma pessoa pobre?

Enquanto tenho vida não sou pobre.

20. Quantas vezes te alimentas por dia?

Nos alimentamos duas vezes.

21. Para comer fazes como?

Para comer tenho de vender.

22. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Na verdade, não se consegue fazer quase nada.

23. Dê que forma avalia as políticas do executivo para com os moradores?

O governo não trabalha bem.

24. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

Dificulta-me um pouco.

25. Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

Os meus pais ajudam-me.

26. Que sugestão tens para o combate a pobreza?

Para minimizar a pobreza, primeiro: deve se investir na saúde e na educação, neste dois sectores tudo seria gratuito; segundo: o governo tinha de fixar os preços dos bens de primeira necessidade e fazer a devida fiscalização; terceiro: implementar politica que pudessem ajudar os desempregados e outros carentes.

Local: Morro Bento II

Idade: 28 anos

Sexo: Feminino

Estado civil: solteira (Divorciada)

Profissão: Costureira (não exerce)

Naturalidade: Angolana

Guião de entrevistas nº 6

Data da entrevista: 01/06/2012

1. Onde vive?

vivo mesmo nesta rua.

2. Tem casa própria?

sim, tenho casa própria.

3. Quantas subdivisões é que tem a casa?

A minha casa têm dois quarto e uma sala, a casa de banho é externo; a outra casa de um quarto e sala arrendamos.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

Em minha casa somos dez pessoas.

5. E tem casa de banho? Se não, o porquê?

Sim, temos casa de banho.

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

Não temos luz eléctrica de rede, vivemos dos geradores, mas parece que desta vez nos vão dar energia, porque já começaram a colocar os postes.

7. Tem água canalizada em casa? Se não, o porquê?

Não temos, porque não passou canalização.

8. Como adquirem a água para o consumo?

Normalmente,  a bacia de água compramos. Quando se está na falta de água pagamos a 100 kuanzas.

9. O teu bairro tem rede de esgoto?

O nosso bairro não tem rede de esgoto, por causa das construções anárquicas.

10. Onde vocês deitam o lixo?

Metemos ao lado da estrada

11. Por que razão vives nestas condições de pobreza?

Vivo nestas condições, porque nada tenho, estou a desenrascar a vida também.

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

Sim! estou a estudar agora.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Sou do Bengo

14. O que veio cá fazer em Luanda?

Vim tentar a vida.

15. Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

A guerra atrasou a vida de todos nos, aqui em Angola.

16. Quantos filhos tens?

Tenho oito filhos.

17. O que fazem os seus filhos?

Os mais pequenos estão a estudar e outros estão mesmo assim.

18. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

Somente duas pessoas estão sem trabalhar, por falta mesmo de emprego.

19. Achas-te uma pessoa pobre?

Sim sou pobre.

20. Quantas vezes te alimentas por dia?

Nos alimentamos duas vezes.

21. Para comer fazes como?

Para comer procuro fazer uma boa gestão em minha casa.

22. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Conseguimos tratar, caso não chegue recorremos a família.

23. Dê que forma avalia as políticas do executivo para com os moradores?

Avalio as politicaras do governo negativamente.

24. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

Dificulta um pouco a ouvir rádio e ver televisão.

25. Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

Ajuda-me a família, os vizinhos e os amigos.

26. Que sugestão tens para o combate a pobreza?

Para se combater a pobreza é preciso que haja empregos fixos.

Local: Morro Bento

Idade: 53 anos

Estado civil: Divorciada

Sexo: Feminino

Profissão: Costureira (Não tem profissão)

Naturalidade: Angolana

Guião de entrevista nº 7

Data da entrevista: 01/06/2012

1. Onde vive?

Vivo no Morro Bento II.

2. Tem casa própria?

Por enquanto, estou na renda, mas estou a construir na Fubo.

3. Quantas subdivisões é que tem a casa?

A casa tem três subdivisões.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

Vivemos oito pessoas. Vive eu, o meu marido, os quatros filhos, mais dois filhos da minha irmã pequenos,

5. E tem casa de banho? Se não, o porquê?

Sim.

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

Não tenho, a luz do p.t é muito caro, falam em mil dólares o contrato.

7. Tem água canalizada em casa? Se não, o porquê?

Não! Porque o bairro não esta organizado há muitos becos; talvez, por isso, não colocam água.

8. Como adquirem a água para o consumo?

Adquiro a água nos tanques daquelas pessoas que vendem.

9. O teu bairro tem rede de esgoto? Se não, o porquê?

Não, porque não passou canal do esgoto na rua.

10. Onde vocês deitam o lixo?

Deitamos o lixo no contentor.

Por que razão vives nestas condições de pobreza?

11. Vivo nestas condições, porque a situação económica nos obriga a isto.

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

Já estudei, mas muito tempo, parece até a 2ª classe.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Vim da província de Benguela.

14. O que veio cá fazer em Luanda?

Vim cá só mesmo, para fazer negócio.

15. Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

16. Quantos filhos tens?

Tenho quatro filhos.

17. O que fazem os seus filhos?

Os meus filhos estão a estudar, o outro ainda é bebé.

18. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

Eu é não tenho mesmo um trabalho.

19. Achas-te uma pessoa pobre?

Não me acho pobre, pelo facto de ter vida.

20. Quantas vezes te alimentas por dia?

Nos comemos só uma vez.

21. Para comer fazes como?

Para comer faço sempre um programa quando consigo qualquer coisa.

22. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Não chega mesmo para nada é só de se remediar.

23. Dê que forma avalia as políticas do executivo para com os moradores daqui do bairro?

Na realidade, pouco fazem por nos, o que dizem não se vê na prática, vamos só aguardar.

24. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

Sim dificulta, porque nem sempre há dinheiro para comprar pilhas.

25. Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

Quem mais me ajuda é o meu marido algumas vezes a família.

26. Que sugestão tens para o combate a pobreza?

Para combater a pobreza devemos viver unidos, o governo deve dar mais emprego e melhorar as condições dos bairros.

Local: Morro Bento

Idade: 30 anos

Sexo: feminino

Estado civil: Solteira

Profissão: Vendedora ambulante

Naturalidade: Angolana

Guião de entrevista nº 8

Data da entrevista: 01/06/2012

1. Onde vive?

Vivo mesmo cá no Morro Bento II.

2. Tem casa própria?

Estou em casa de renda.

3. Quantas subdivisões é que tem a casa?

A minha casa tem só uma sala e um quarto.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

Só vivemos cinco pessoas, estou eu, o meu marido e os meus três filhos.

5. E tem casa de banho?

Temos uma casa de banho comum.

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

O nosso bairro nunca teve luz, aqui é só gerador.

7. Tem água canalizada em casa? Se não, o porquê?

Nunca teve água da torneira.

8. Como adquirem a água para o consumo?

Cartamos nos tanques, o bidon 80 kuanzas.

9. O teu bairro tem rede de esgoto?

Não existe esgoto.

10. Onde vocês deitam o lixo?

Colocamos mesmo aí no chão,

11. Por que razão vives nestas condições de pobreza?

O porquê, não sei.

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

Na verdade, não consegui estudar muito, só até a 3ª classe, mas consigo soletrar um pouco.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Eu sou mesmo daqui.

14. Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

A guerra foi um dos factores que fez com que nos encontrássemos nesta desgraça.

15. Quantos filhos tens?

Tenho três filhos.

16. O que fazem os seus filhos?

O que tem idade de escola esta a estudar na explicação.

17. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

Pessoas com idade de trabalhar e que não está a trabalhar! – Sim, O meu marido já é segurança, eu preciso também de serviço para lhe ajudar.

18. Achas-te uma pessoa pobre?

 Acho-me uma pessoa pobre.

19. Quantas vezes te alimentas por dia?

Duas vezes por dia.

20. Para comer fazes como?

Já disse o meu marido trabalha, mas também lhe ajudo vendendo kissangua.

21. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Conseguimos, porque no posto médico não se pede muito dinheiro.

22. Dê que forma avalia as políticas económicas do executivo para com os moradores da área?

Não consigo entender nada, porque nada vejo de melhor, o governo nada faz por nós.

23. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias (jornais, rádio, televisão)?

Dificulta um pouco, já sabe: a energia não tem, os geradores não têm, epá! – Quando nos aparece um dinheirinho compramos pilhas e escutámos um pouco de rádio.

24. Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

As pessoas de boa-fé, como por exemplo: os vizinhos. Pedimos a eles empréstimos.

25. Que sugestão tens para o combate a pobreza?

Para acabar com a pobreza o governo tem que nos ajudar, arranjando mais emprego para as pessoas.

Local: Morro Bento II

Idade: 24 anos

Sexo: Feminino

Estado civil: solteira (vive maritalmente)

Profissão: Não tenho profissão

Naturalidade: Angolana

Guião de entrevista nº 9

Data da entrevista: 01/06/2012

1. Onde vive?

vivo no Morro Bento II, aqui mesmo ao lado do Agro-Santos[2].

2. Tem casa própria?

Estou no aluguer.

3. Quantas subdivisões é que tem a casa?

A casa tem um quarto e uma sala.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

Na minha casa somos seis pessoas.

5. E tem casa de banho?

Sim temos casa de banho.

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

… Energia aqui é de puxar. Se você não tem dinheiro para pagar nesses moços que puxa, você não tem luz. Desde que falhou, agora que veio estão a cobrar 3000 kz, por enquanto não tenho vamos ficar mesmo assim.

7. Tem água canalizada?

A água é de comprar nas bacias, 100 kz a bacia.

8. Como adquirem a água para o consumo?

Nos compramos nos tanques.

9. O teu bairro tem rede de esgoto?

Não temos rede esgoto.

10. Onde vocês deitam o lixo?

Próximo a nossa casa há uma lixeira.

11. Por que razão vives nestas condições de pobreza?

Vivo nestas condições, porque não tenho emprego.

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

Sim, já estudei, tenho a 7ª classe feita.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Não sou de Luanda, sou da província do Huambo.

14. Porque saiu da sua província?“O problema da minha saída do Huambo foi a guerra e por me acostumar aqui, vendo a minha Kapuca[3] ”. (E2)

Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

15. Quantos filhos tens?

Tenho três filhos.

16. O que fazem os seus filhos?

Dois deles já estão a estudar.

17. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

18. As pessoas com idade de trabalhar na empresa, são três, mas por enquanto fazem biscates aí na praça.

19. Achas-te uma pessoa pobre?

É claro que sou pobre.

20. Quantas vezes te alimentas por dia?

Acho que duas vezes é suficiente, né!

21. Para comer fazes como?

Para comer tenho de me sacrificar fazendo trança e alguns pequenos negócios na porta da minha casa, não dá para parar.

22. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Não um tratamento de levar em clínicas, mas assim mesmo, devagar conseguimos socorrer.

23. Dê que forma avalia as políticas do executivo para com os moradores?

24. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

Não tenho acesso a informação a todo o momento, mas quando estou em casa gosto mesmos de ouvir rádios.

25. Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitada?

Quem normalmente nos ajuda é a minha sogra.

26. Que sugestão tens para o combate a pobreza?

O que tem que nos ajudar só são mesmo os nossos governantes, mais ninguém.

Local: Morro Bento II

Idade: 38 anos

Sexo: Feminino

Estado civil: Solteira

Profissão: Não tenho profissão

Naturalidade: Angolana

Guião de entrevista nº 10

Data da entrevista: 01/06/2012

1.Onde vive?

Vivo aqui nos Morro Bento II.

2.Tem casa própria?

Temos casa própria.

3.Quantas subdivisões é que tem a casa?

A nossa casa tem três quartos.

4. Quantas pessoas vivem em casa?

Em casa somos dez pessoas.

5. E tem casa de banho?

Temos casa de banho.

6. Tem luz eléctrica de rede em casa? Se não, o porquê?

Bem dizer nunca tivemos, mas alguns tem energia do p.t privado, mas falha muito.

7. Tem água canalizada?

Nunca tivemos água aqui no bairro.

8. Como adquirem a água para o consumo?

Adquirimos nos tanques, a preço variável de oitenta a cem Kuanzas a bacia.

9. O teu bairro tem rede de esgoto?

Não temos rede de esgoto.

10. Onde vocês deitam o lixo?

Aí nos contentores que estão ao lado da estrada.

11. Por que razão vives nestas condições de pobreza?

Vivo nestas condições porque o estado não vê por nos, não emprego nem nada, pá!

12. Alguma vez estudou? Se sim, quais as habitações literárias?

Estou a fazer agora o curso de alfabetização.

13. É de Luanda ou veio de outra província?

Não pertenço a esta província, sou da província de Malange.

14. O que veio cá fazer em Luanda?

Em Luanda vim a procura de melhores condições de vida.

15. Achas que a guerra terá influenciado para a sua acentuada carência?

16. Quantos filhos tens?

Só mãe de sete filhos.

17. O que fazem os seus filhos?

Os meus filhos estão a estudar dois dos quais fazem biscates.

18. Quantos pessoas têm em casa com idade de trabalhar e que não trabalham?

As pessoas que vivem em nossa casa sem trabalho são quatro, incluindo o meu esposo.

19. Achas-te uma pessoa pobre?

Sim sou pobre.

20. Quantas vezes te alimentas por dia?

Só mata-bicho e jantar. Às vezes mesmo quando não tem nada é só jantar. Passamos o dia assim e de noite se conseguir um 200 é fazer já qualquer coisa.

21. Para comer fazes como?

Eu também zungo e tenho uma bancada na porta, além disto, temos alguns quartos no aluguer e os nossos meninos também batem bloco. Assim sustentamo-nos.

22. Com o dinheiro que ganhas consegues tratar da sua família quando doente?

Com o dinheiro que ganho não consigo fazer grande coisa, porque em Angola tudo é cara.

23. Dê que forma avalia as políticas económicas do executivo para com os moradores da minha área?

Avalio as políticas económicas do executivo, como sendo negativo, não há nada dá um bem-estar.

24. O seu nível de vida dificulta o acesso a informação dos medias?

25. Quem normalmente ajuda-te quando estás necessitado?

 Quem me ajuda são os meus irmãos e o meu esposo.

 26. Que sugestão tens para o combate a pobreza?

Para combater a pobreza é necessário mais pessoas formadas na sociedade para poder desenvolver as empresas. Também o nosso governo deve construir mais escolas, hospitais, universidades e fábricas.

Local: Morro Bento

Idade: 52 anos

Sexo: Feminina

Estado civil: Viúva

Profissão: Não tem Profissão

Naturalidade: Angolana


[1] Kapuca é uma bebida tradicional feita, geralmente, com açúcar e fermento, assemelhando-se muito com água-ardente.

[2] Estabelecimento comercial localizado na Rua da Universidade Independente de Angola.

[3] Kapuca uma bebida tradicional feita, geralmente, com açúcar e fermento, assemelhando-se muito com água-ardente.


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